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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Espiritismo nos Dias Atuais

 
Esta semana vamos falar sobre a última parte da história do Espiritismo que viemos falando ao longo de todo este mês em homenagem aos 10 anos do nosso Recanto de Luz e que é o Espiritismo nos Dias Atuais.

Para que a Doutrina Espírita se disseminasse ela foi codificada como vimos na semana passada por Kardec na França, pois a França na época era o centro cultural do mundo.

Nos conta Humberto de Campos no Livro Brasil – Coração do Mundo Pátria do Evangelho que em meados do século 14º Jesus observando os progressos de sua doutrina e de seus exemplo no coração humano e em face dos comprometimentos do continente europeu com o materialismo, ele teria transplantado a árvore do Evangelho para as Américas, em especial para o Brasil.

O Brasil, então, passa a ter por missão difundir o Evangelho através de seu empenho em criar condições para a vivência do Evangelho. Aproveitando, assim a tendência maior do povo brasileiro para a fraternidade, em vista da maior diversidade do povo e da convivência mais pacífica de raças, nacionalidades e credos.

Falemos um pouco sobre o espiritismo no Brasil.

Os primeiros experimentadores da mediunidade no Brasil saíram dos cultores da homeopatia, os médicos Bento Mure de origem francesa e João Vocente Martins, português, aqui chegados em 1840, que aplicavam passes em seus pacientes e falavam de Deus, Cristo e caridade.

José Bonifácio foi também um dos experimentadores do fenômeno espírita.

Em 1844, o Marquês de Maricá publicou um livro com os primeiros ensinamentos de fundo espírita.

Em 1863 o Espiritismo já era comentado com seriedade e o Jornal do Comércio maior órgão de imprensa da Capital do Império publicava em 23 de setembro artigo favorável à Doutrina.

Os primeiros centros espíritas, nos moldes preconizados por Kardec, surgem na Bahia e no Rio de Janeiro a partir de 1865.

Em 2 de janeiro de 1884 é fundada a Federação Espírita Brasileira, por iniciativa de Augusto Elias da Silva.

O fato de maior significação foi a adesão do eminente político e médico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti que se declarou espírita perante um platéia de pessoas importantes.

Após a Proclamação da República em 1889, surge o novo Código Penal no qual o Espiritismo era enquandrado como “transgressão à lei”.

Em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição Republicana, constituiu o Estado Leigo, ou seja, sem nenhum tipo de ligação com a Igreja. Como conseqüência o espiritismo e todas as religiões praticadas no Brasil, foram favorecidas.

Bezerra de Menezes assume a presidência da FEB em 3 de agosto de 1895 vindo a falecer em 11 de abril de 1900, após quatro anos e meio de intenso trabalho, deixando a FEBconsolidada.

O período de 1905 a 1930 é de grande expansão do Movimento Espírita. A partir de 1939 a FEB começa a montagem de uma oficina gráfica própria para a edição das obras espíritas.

Em 1932 Chico Xavier psicografa sua primeira obra, lançada pela FEB – “Parnaso de Além-Túmulo”.

As obras espíritas e os fenômenos da psicografia de diversos médiuns, mas, principalmente, o trabalho e os exemplos de fé, amor e caridade do nosso querido Chico Xavier são fundamentais para a divulgação e disseminação do espiritismo, deixando atrás de si um rastro luminoso a mostrar através de seus exemplos como vivenciar o evangelho, como cumprir com a missão que nos foi designada.

Mas esta missão não é um decreto divino, é uma proposta do mundo espiritual, a sua concretização depende de cada um de nós, muitas outras missões já foram atribuídas a outros povos e fracassaram.

A Doutrina Espírita nos dá uma noção clara das nossas responsabilidades apontando a honestidade, fraternidade, amor ao próximo não como um favor que fazemos aos outros, mas como as diretrizes mínimas e necessárias à nossa felicidade. Ela nos dá uma visão do mundo espiritual e das conseqüências futuras de nossas ações.

Como espíritas precisamos fazer ao próximo tudo aquilo que gostaríamos que nos fosse feito. Sobre isso nos conta Richard Simonnetti no livro Amor, sempre Amor! A seguinte historinha:

A sós em seu escritório Onofre lia o ESE XI:

“Amar o próximo como a si mesmo; fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós” é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo.

Onofre pôs-se a imaginar como a humanidade seria feliz se a lei do amor fosse observada.

Decidiu enfrentar o desafio de amar o próximo como a si mesmo e fazer por ele o que gostaria de receber.

No quarto, beijou, carinhoso, a esposa já acomodada no leito, dizendo que a amava e desejando-lhe um sono tranqüila.

Joana, a esposa, desconfiada pensou o que teria aprontado o marido, aquela manifestação inusitada de carinho cheirava a consciência pesada, mas tranquila aconchegou-se a ele e dormiu feliz.

Pela manhã ofereceu-se Onofre para ir à padaria buscar os pães a mulher verificou se o marido estava febril, pois não estava habituada à colaboração do marido nos trabalhos domésticos.

Na rua Onofre foi abordado por um homem, mas demonstrando pressa despediu-o rapidamente. Arrependido pensando na resolução que tomara na véspera retornou para conversar com o homem.

Este explicou-lhe que estava desempregado, a esposa doente e os filhos passavam necessidade. Onofre pediu que o acompanhasse à padaria comprando-lhe pães, leite e outros alimentos. O homem, agradecido, confessou-lhe que acabara de salvar sua vida, pois cansado de pedir e ouvir desprezo pensava em tirar a própria vida, diante disso Onofre deu-lhe o endereço do centro espírita que freqüentava aconselhando-o a buscar ajuda lá, se não para o físico, para o espiritual.

Teu Plantio

Com o tema de hoje Ayrtes procura nos levar a refletir que cada um de nós é herdeiro de si mesmo. O que estamos colhendo hoje é fruto de um passado, e o que colheremos amanhã, será fruto do que estamos fazendo agora.



No ESE cap V item 4 os espíritos nos dizem o seguinte: “A quem, pois culpar de todas as suas aflições senão a si mesmo? O homem é, assim, num grande número de casos, o artífice de seus próprios infortúnios.



Estamos na Terra em processo de aperfeiçoamento e o maior instrumento para atingirmos esse objetivo é o próximo. É a vida de relação que nos permite realizar trocas, aprender, ensinar e trabalhar para ajudarmos os que necessitam, assim como nós, também necessitamos ser ajudados, tantas vezes.



Não podemos crescer sozinhos porque é no contato com o semelhante que temos oportunidade de testar se já adquirimos virtudes que nos auxiliarão na evolução. Como saber se somos pacientes sem que haja alguém testando a nossa paciência? Como saber se suportamos a ingratidão se não convivermos com o mal agradecido?



Ayrtes nos chama ainda mais a atenção para como está essa vida de relação dentro da nossa casa. Todos sabemos que o lar é a primeira escola do ser, onde ele tem o primeiro contato com aqueles que são diferentes dele, uns com mais afinidades, outros com menos afinidades e talvez até algumas diferenças trazidas do passado e que precisam ser resolvidas através da convivência fraterna.



Qual plantio estamos fazendo para o futuro junto a esses espíritos?



Sabemos que todos estamos inseridos no meio mais adequado ao nosso progresso espiritual, já que programamos nossa existência visando trabalhar em nós determinadas tendências que precisam ser melhoradas, modificadas.



Portanto precisamos buscar uma boa convivência dentro da nossa casa e para isso é imprescindível que respeitemos o tempo de cada um. Temos o hábito de querer mudar o outro, querer que ele haja como acreditamos que seria correto, que seja como gostaríamos que fosse, mas cada um está em seu próprio nível de evolução, cada um tem o seu tempo.



Respeitar o tempo de cada um significa praticarmos três comportamentos distintos em relação ao próximo seja ele o cônjuge, o filho, os pais: o primeiro é orientar no que pudermos; o segundo é apoiar os esforços e iniciativas tomados pelo companheiro de jornada mesmo que não coincidam com a nossa visão do que seria ideal para ele; e o último é festejar junto a ele cada uma de suas vitórias, e solidarizar-se com ele nas derrotas.



A orientação deve ser feita baseada no exemplo que dá credibilidade às nossas palavras.



Quanto ao apoio, certamente é sempre difícil para pais, irmãos ou familiares dar apoio a alguém que esteja tomando decisões e caminhos que se afastem do que idealizamos ou que acreditamos que trará sofrimento e lutas, principalmente para os pais, pois estes costumam sonhar com o futuro para os filhos e nem sempre eles seguem por esse caminho, pois cada um possui seus próprios dons e vocações, seu livre arbítrio.



Devemos ter em mente que mais sábia do que qualquer um de nós é a Providência Divina. Deus nos permite fazer escolhas nem sempre as mais acertadas para que aprendamos com elas. E por que, então, não dar o devido apoio às escolhas do próximo para que ele cresça com elas? Nem sempre aquilo que imaginamos ser o melhor para alguém, realmente é o que aquele espirito necessita. Cada um precisa de suas próprias experiências para crescer, amadurecer e evoluir.



O nosso maior erro quando buscamos orientar alguém é aguardar a primeira de suas quedas para atirar em seu rosto o terrível “eu te disse que não ia dar certo”. É uma grande mostra de falta de fraternidade. Quando o outro cai, precisamos estender a mão e mostrar que estamos ali, ele não precisa que o humilhemos.



A maneira mais fraterna de convivermos com as pessoas é acreditando que elas se tornarão felizes a partir da religião que escolheram, com o companheiro ou companheira que escolheram, bem-sucedidas a partir da profissão que escolheram, e assim por diante.



Hammed no livro Renovando Atitudes nos diz que: “quem encontrou seu lugar, respeita invariavelmente o lugar dos outros, pois tem sob mira a própria fronteira e, consequentemente, não ultrapassa os limites dos outros, colocando na prática o amor ao próximo.”



Amar o próximo é aceita-lo como ele é e não como gostaríamos que fosse. A mente das pessoas é terra onde ninguém passeia. Desconhecemos o que há lá por dentro, suas dores e traumas, e, portanto, não devemos ser juízes de ninguém. Jesus nos disse certa vez que com a mesma medida que medirmos, seremos medidos.



É necessário que aceitemos as diferenças, aceitando a trajetória espiritual do outro. Cada um traz a sua bagagem espiritual, suas experiências e vivências que são diferentes das nossas. Precisamos respeitá-las. Agindo assim estaremos aprendendo a trilhar um caminho para o diálogo.



No LE questão 804 os espíritos explicam que “Deus criou todos os espíritos iguais, mas cada um deles tem maior ou menor vivência e, por conseguinte, maior ou menor experiência.”



Na vida física não temos a perfeita dimensão do que nos liga uns aos outros. Temos a certeza de que não estamos num determinado grupo por acaso. Então pensemos bem quais relações queremos construir? Queremos compromissos ou uniões felizes no futuro?



É imprescindível estarmos atentos às nossas atitudes sejam elas expressas em pensamento, atos ou palavras. Não importa onde estejamos, estaremos sempre produzindo e influenciando aqueles que estão ao nosso redor e no futuro será esta influencia e este produto que colheremos. Nada acontece por acaso. Todas as dificuldades, problemas e aborrecimentos têm uma razão de ser.



Hoje choramos as lágrimas e sorrimos o sorriso que um dia produzimos em nossos companheiros de jornada.



Para finalizarmos deixamos para reflexão uma mensagem psicografada por Chico Xavier:



Nasceste no lar que precisavas,

Vestiste o corpo físico que merecias,

Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiamento,

Possuis os recursos financeiros coerentes com tuas necessidades,

Nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas,

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização,

Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitude...

São as fontes de atração e repulsão na tua jornada.

Não reclames nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,

qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim

Teu Exemplo

Uma bela manhã sai a caminhar, há alguns passos de casa vejo um casal de rolinhas arrulhando: exemplo de amor. Surge mais adiante uma criatura esquálida e maltrapilha: exemplo de abandono.

Mais adiante uma idosa tem dificuldades em alcançar uma campainha de uma residência, alguém prestativo resolve o problema: exemplo de solidariedade.

Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os “bons tempos” e sorriem felizes: exemplo de amizade.

Não longe, um rapaz empurra um carrinho abarrotado de tijolos: exemplo de trabalho.

Caminhando cambaleante segue um infeliz dominado pela bebida: exemplo de vício.

Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor me atende solícito com carinho e atenção: exemplo de gentileza.

De volta à rua uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversa fraterna: exemplo de caridade.



Esta pequena historinha é apenas para mostrar que onde quer que estejamos e a todo momento somos exemplo para os outros e para refletirmos que tipo de exemplo estamos sendo...



No LE questão 625 Kardec pergunta aos espíritos: “Qual é o exemplo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo? – Jesus.”



O Mestre falava, ensinava, contava parábolas e transmitia a Boa Nova com sabedoria e bondade, mas a sua força no cumprimento de sua missão estava nos exemplos que dava de amor, fé humildade, caridade e perdão.



Disse-nos Jesus: “Vos dei o exemplo, para que como eu fiz, façais também vós”.



Como espíritas, e espírita é aquele que sempre procura se melhorar a todos momento, reconhecendo suas fraquezas e combatendo-as, devemos nos preocupar com o exemplo que estamos sendo. O bom exemplo deve ser nossa característica marcante seja no Centro Espírita, na sociedade, no trabalho, e principalmente na família.



Os nossos exemplos valem muito mais do que as palavras que dizemos e os conselhos que damos aos que nos cercam. O exemplo nos traz credibilidade, faz com que os que nos cercam acreditem naquilo que estamos dizendo caso contrário serão apenas palavras vazias.



Mas Ayrtes nos alerta, principalmente, para o exemplo que estamos sendo dentro da nossas casa. Quando constituímos uma família e Deus nos concede os filhos, filhos estes que são espíritos, filhos de Deus, que nos são confiados para que os guiemos, os auxiliemos em seu processo de evolução nessa encarnação. Aí é maior a nossa responsabilidade. Somos responsáveis pelos exemplos que daremos às nossas crianças.



Fénelon nos coloca que “Em todas as idades, o exemplo, pode muitíssimo: na infância, então, é onipotente.”



As crianças são espíritos antigos que reencarnados trazem consigo uma bagagem espiritual das experiências de outras encarnações. Mas seu aparelho cerebral é novo e por isso mais predisposto a ser moldado pelos hábitos e costumes do ambiente em que vive. Por isso na fase infantil o exemplo ser tão importante, é quando o espírito está mais receptivo aos exemplos e às correções de conduta.



As crianças aprendem através da sua curiosidade, elas observam com atenção e passam a imitar o comportamento dos adultos, é desta forma que aprendem a caminhar, a falar, absorvendo o exemplo que é dado pelos adultos.



Bom ou mal, o exemplo é algo marcante, influencia mesmo àqueles espíritos que carregam conhecimentos passados positivos, pois mesmo não estando sujeitos à regressão, pois ninguém regride no progresso moral, nós apenas progredimos, elas sofrerão ao ver nos pais atitudes que reprovam.



Precisamos proporcionar aos nossos filhos as condições necessárias para uma educação baseada no respeito aos familiares e aos semelhantes em geral. O lar é a primeira escola do ser.



Precisamos estar muito atentos às reações e atitudes que tomamos na frente de nossos filhos, e que muitas vezes fazemos de forma inconsciente e de forma inconsciente estamos ensinando a eles que os que não fazem parte de nosso meio não são importantes e, portanto, não merecem o nosso respeito.



Quando somos deseducados com os outros motoristas na frente de nossos filhos, ou com a balconista que tem a obrigação de nos tratar bem, caso contrário reclamo para o chefe dela e ela será demitida. Quando passamos reto pelo porteiro de nosso prédio, o jardineiro, a nossa doméstica e sequer dizemos um bom dia, ou um obrigado. O que estamos ensinando aos nossos filhos? Que exemplos são estes?



Quando discutimos no nosso lar seja com o cônjuge ou com os próprios filhos e nos utilizamos de palavras rudes, duras, que na verdade nem queríamos dizer, mas que “saíram” num momento de raiva. Que exemplo estamos dando? Exemplo de agressão de que se pode resolver os problemas no grito?



Quando eles chegam à adolescência e nos causam transtornos porque são deseducados com as pessoas, com os colegas, com os professores, quando não causam problemas maiores relacionados à violência, normalmente nos perguntamos: onde erramos? Será que não foram essas pequenas atitudes que nos passaram despercebidas? Aquele muito obrigado que por falta de tempo não demos? Aquele sorriso amigo que estávamos apressados demais para dispensar?



Mesmo na adolescência os filhos precisam continuar sendo educados, não com palavras carentes de exemplo, porque o jovem exige muito mais do que a criança a coerência entre o discurso e a ação, ele questiona: “Mas como me ensinas que devo agir assim se ages de outra forma?”. Este é o período em que o espírito demonstra seu caráter real e individual com toda a sua intensidade, e isso exige dos pais muito mais atenção, participação e acima de tudo amor.



O amor não tem hora nem tempo, não deixemos pra depois o abraço amigo, a palavra de carinho, a repreensão dada com respeito, para que ele aprenda que precisa respeitar e ser respeitado, sem agressões, sem gritos.



É o trabalho, a disciplina e o exemplo dos pais que moldam o caráter dos filhos e os preparam para uma vida útil e digna.

A prática do evangelho no lar, com todos os familiares que dividem a casa, é o exemplo da necessidade da fé e do estudo para irradiar e atrair o bem.



Vamos olhar os nossos filhos, netos, bisnetos nãos só como nossos herdeiros queridos dos bens materiais, mas também como alunos que precisam aprender e disciplinar-se para o mundo espiritual.



Se os exemplos e a atenção necessária não forem dadas no lar serão dados na rua pelos amigos, por aqueles que não são assim tão amigos, pelo traficante...

Se a educação moral não foi adquirida em casa, então, somente as provações, as aflições e os padecimentos poderão educar.





Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

- “Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho.

- “Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.”

Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.

Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos.

Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram ásperas e quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão. O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:

- “O que você está fazendo?”

O menino respondeu docemente:

- “Oh, estou fazendo uma tigela para você e a mamãe comerem, quando eu crescer.”

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito.

Dali para frente e até o final de seus dias o avô voltou a comer todas as refeições à mesa com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.



E para finalizarmos uma pequena mensagem de Joana de Angelis mentora de Divaldo Franco: “Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade.”

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Tua paciência

Vamos iniciar a nossa exposição de hoje com um pequeno trecho do livro “A Vida Escreve” de Chico Xavier e Waldo Viera pelo espírito Hilário Silva:

Diante das águas calmas, Jesus refletia. Afastara-se da multidão, momentos antes. Ouvira remoques e sarcasmos. Vira chagas e aflições. O Mestre pensava...

Tadeu, Tiago, João e Bartolomeu aproximaram-se. Aquele era um momento raro. E ensaiaram perguntas.

- Senhor – disse João -, qual é o mais importante aviso da Lei da Vida aos homens?

E o Divino Amigo passou a responder:

- Amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

- E qual a virtude mais preciosa? – Indagou Tadeu.

- A humildade.

- Qual o talento mais nobre, Senhor? – Falou Tiago.

- O trabalho.

- E a norma de triunfo mais elevada? – Interrogou Bartolomeu.

- A persistência no bem.

- Mestre, e qual é, para nós todos o mais alto dever? – Aventurou Tadeu novamente.

- Amar a todos, a todos servindo sem distinção.

- Oh, isso é quase impossível – gemeu o aprendiz.

- A maldade é atributo de todos – clamou Tiago -; faço o bem quanto posso, mas apenas recolho espinhos de ingratidão.

- Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda parte – acentuou outro discípulo.

- Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para auxiliar – disse outro.

E as mágoas desfilaram diante do Mestre silencioso.

João, contudo, voltou a interrogá-lo:

- Senhor, que é mais difícil? Qual a aquisição mais difícil?

Jesus sorriu e declarou:

- A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar... A aquisição mais difícil para todos nós chama-se paciência.

Vivemos em um mundo de provas e expiações onde estamos todos numa mesma faixa evolutiva, mas em diferentes níveis de evolução. Cada um de nós está em seu próprio nível de evolução, ampliando lentamente seus horizontes de saber e de amor, de progresso intelectual e progresso moral.

É fundamental o contato social para a nossa evolução, para a troca de experiências. Surge-nos então um grande desafio: aprender a lidar com o diferente.

E esse aprendizado começa dentro mesmo da nossa casa, se percebermos entre nossos irmãos, nossos filhos, por mais que tenhamos tido ou dado a mesmo educação para todos, cada um assimila de uma forma, cada um aproveita as lições de uma forma diferente com base em seus conhecimentos adquiridos em vidas anteriores.

A convivência com o diferente nos leva muitas vezes ao conflito por falta de compreensão, por exigirmos do outro algo para o qual ele ainda não está preparado, cada um dá do que possui. Para lidar com isso é importante o respeito e o diálogo seja no lar, no trabalho, com os amigos...

Precisamos entender que o outro teve caminhos, experiências, reencarnações diferentes das nossas. A verdadeira paciência consiste em respeitar e valorizar o outro e não apenas suportá-lo “caridosamente” por acreditá-lo inferior, isso não é paciência é preconceito, orgulho, vaidade.

A caridade que consiste em dar esmola aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há mais penosa e muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para resgatarmos débitos e que nos fazem sofrer e põe em prova a nossa paciência.

No livro Os Prazeres da Alma o espírito Hammed nos diz:

“Precisamos aprender com a natureza a habilidade de equilibrar e realizar tarefas numa silenciosa quietude, pois a impetuosidade e a afobação que muitas vezes demonstramos podem destruir em minutos o que levamos anos para construir.”

A natureza nos fornece ensinamentos de paciência a todo o instante, mostrando que o fruto não surge sem que a árvore esteja devidamente pronta e na época certa de sua estação; que o dia não chega antes que a madrugada se vá; que a noite não surge sem que o sol tenha iluminado o dia, em vão também será todo esforço mal direcionado e todo trabalho que não se apóia na disciplina necessária para sua realização.

Somos seres ainda imperfeitos e quase sempre não temos a paciência necessária para esperar o tempo adequado para a realização das coisas que almejamos e nos atiramos desesperados em busca de uma solução que demanda apenas tempo e trabalho, ficamos ansiosos.

Queremos que as situações que vivemos se modifiquem como nós achamos que elas devam acontecer e não como a Providência Divina que é infinitamente sabia mostra que é o melhor para nós.

A ansiedade é o mal do nosso século, vivemos ansiosos, desesperados, correndo o tempo todo. A ansiedade é inimiga da paciência. Pela ansiedade vivemos o passado (revendo os nossos erros) e o futuro (nossas preocupações) e esquecemos o presente. Que como o próprio nome diz é um presente divino, a nossa oportunidade de evolução é hoje é o presente.

Quando Jesus nos disse: “a cada dia o seu mal” nos recomendou que nos concentrássemos nos problemas reais de cada instante, que não ficássemos imaginando problemas futuros e vivendo ansiedade de situações que ainda não aconteceram e que podem até mesmo não acontecer. O futuro é traçado por Deus.

No livro As Dores da Alma o espírito Hammed nos diz:

“A tua ansiedade não mudará o curso da natureza. Tudo acontece naturalmente, visto que as Leis Naturais ou Divinas não promovem saltos nem extrapolam os ditames estabelecidos por Deus.”

A ansiedade encontra terreno fértil na nossa falta de fé. Quando temos fé, temos a certeza num Deus infinitamente justo e bom, passamos a ver vida como um meio de evolução e as dificuldades como provações necessárias ao nosso crescimento espiritual.

Deus não desampara nenhum de seus filhos. Neste e em outros níveis de evolução no universo, nosso Pai não abandona ninguém, tampouco aqueles mergulhados na carne que procuram colocar na prática os aprendizados e promessas feitas no mundo espiritual. Precisamos portanto confiar e ter a paciência, não a paciência que leva à estagnação mas a paciência que trabalha e serve sem queixas e lamentações, que compreende, que olha para o lado e vê que seus problemas não são os maiores do mundo, que compreende a dificuldade do próximo, mesmo aquele próximo mais próximo que conosco divide o lar e as dificuldades do dia-a-dia. Confiar que se estamos aqui nesse planeta é para o nosso bem, para a nossa evolução e que nunca estamos sós, a bondade divina permite que amigos espirituais velem por nós.

A conquista da paciência é uma conquista íntima, uma mudança íntima, em passamos a viver no mundo, sem sermos do mundo. Começamos a ver que os problemas que nos afligem são pontos bem pequeninos necessários à nossa evolução, ao nosso aprendizado e passamos a ver que existem outros que sofrem tanto ou mais que nós e como será maravilhoso quando pudermos estender nossas mãos a eles e fazer o que nos ensinou Jesus lá no início de nossa exposição explicando a paciência, quando conseguirmos finalmente: - ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar....

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Teu Trabalho

Trabalho é exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa. Ocupação em alguma obra ou ministério.

Na questão 674 do LE Kardec pergunta: “A necessidade do trabalho é uma lei da natureza? O trabalho é uma lei natural, por isso mesmo é uma necessidade e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta suas necessidades e prazeres.

Existem basicamente dois tipos de trabalho: o trabalho material e o trabalho moral.

O trabalho material é aquele que desempenhamos como profissionais e através do qual provemos o nosso sustento e o de nossas famílias. Ele também coopera para o nosso progresso intelectual como indivíduos e como sociedade.

Além disso no local de trabalho temos a oportunidade de conviver com pessoas diferentes de nós, com outra educação, outro entendimento da vida, e muitas delas com visões completamente diferentes das nossas, dos nossos valores e isso é uma ferramenta para o nosso progresso, pois necessitamos dos outros para evoluirmos, estamos sempre em processo de aprendizagem.

Algumas vezes as nossas imperfeições nos fazem cometer algumas escolhas erradas quanto ao nosso trabalho material como quando optamos por profissões visando apenas o retorno material sem considerarmos nossas verdadeiras aptidões. Assim nos tornamos profissionais frustrados quando poderíamos ter optado por aquela profissão que nos traria menor retorno mas nos tornaria mais felizes.

Alguns se dedicam à ociosidade, habituam-se ao descanso excessivo, às atividades fúteis e que não nos acrescentam nada, dedicando na elas horas e horas de seus dias, quando poderiam ocupá-las com atividades edificantes como uma leitura, uma visita a um enfermo, o auxilio aos filhos com o dever de casa, o culto do evangelho no lar e dessa forma exercer o trabalho moral. O descanso é necessário e merecido, mas deve ser dosado.

Outros, ao contrário, passam a viver para o trabalho, dedicando a este quase todas as horas de seu dia esquecendo-se de todo o restante: família, amigos, lazer, os necessitados que precisam de nossa atenção. Chegam um momento em que se tornam pessoas solitárias e sem um sentido na vida, pois a vida era o trabalho.

O trabalho deve ser parte, parte importante da nossa vida, mas não a nossa vida, pois dessa forma deixamos de lado o nosso trabalho moral como pais, filhos, cônjuges, como seres humanos, como espíritos em busca da evolução que é o que realmente somos.

O trabalho moral é o nosso objetivo nessa encarnação, estamos aqui para evoluirmos não apenas intelectualmente, mas principalmente moralmente. Pode ser realizado através da caridade, do auxílio ao próximo necessitado em instituições de auxílio ou até mesmo dentro de nossas casas, exercendo bem nossas funções de pais, filhos, cônjuges. Sendo tolerantes com os parentes difíceis, com os erros alheios, pois nós também erramos, exercendo como já nos foi dito diversas vezes não apenas a caridade material, mas principalmente a caridade moral.

Chegamos à Terra com uma bagagem de conhecimento que é nossa herança espiritual que nós mesmos construímos e da qual somos os herdeiros, se nada de novo fizermos ou aprendermos, voltaremos à espiritualidade sem nada acrescentar.

Cairbar Schutel nos diz o seguinte: “Felizes os que ao saírem desta vida, ao chegarem à Outra, puderem dizer: - trabalhei e lutei, não para encher as arcas de um tesouro aparente, fictício, mas para melhorar o mundo em que vivi, engrandecer as almas que comigo caminharam, aperfeiçoar a minha individualidade a fim de prepará-la para a posse da imortalidade.”

Muitos de nós nos dizemos despreparados para o trabalho no bem e vamos adiando e deixando passar as oportunidades que nos surgem no caminho.

Não precisamos esperar sermos perfeitos para realizar um trabalho no bem, se fosse assim não teríamos ninguém trabalhando em associações de caridade, centros espíritas, hospitais ou qualquer outro trabalho em prol do próximo, pois todos somos ainda imperfeitos. Precisamos ser verdadeiros e determinados na luta contra nossas más tendências.

No livro Nosso Lar pelo espírito André Luiz O Ministro Genésio faz a seguinte colocação: “Quando o servidor está pronto, o serviço aparece.”

Nenhuma oportunidade é dada àquele que ainda não dispõe de instruções armazenadas para desenvolver as tarefas, se a oportunidade surgiu é porque estamos preparados, só precisamos de comprometimento. Pois quando começa,os um trabalho no bem existe toda um equipe no plano espiritual que está contando conosco para a realização daquela tarefa, o trabalho existe em ambos os planos da vida e por isso devemos estar comprometidos com o trabalho a realizar.

Estamos às vésperas de um novo ano, é o momento de renovarmos propostas intimas onde a desculpa para assumirmos tarefas no campo do bem abra espaço para o compromisso com o trabalho para o nosso próprio bem.

Não adiemos indefinidamente o tempo de começar o trabalho. Nossos dias podem terminar, nunca sabemos quando a espiritualidade nos chamará para o outro lado da vida e podemos perder a grande oportunidade que a reencarnação nos ofereceu.

Emmanuel no livro Convivência nos diz: “A vida não nos pede o impossível para que nos integremos nos mecanismos da caridade, extinguindo as provações que atormentam a Terra, mas, para que o mal desapareça, espera de cada um de nós essa ou aquela migalha do bem.”

Não precisamos realizar grandes obras, mas pequenos trabalhos no bem, se não for possível auxiliar aos necessitados, auxiliemos àquele próximos mais próximo que está dividindo conosco o lar através da tolerância, do carinho, do diálogo, da compreensão.

No ESE cap. XXV item 4 os espíritos nos dizem o seguinte: “Caminha e chegarás. Encontrarás pedras sob os teus passos: olha, e tira-as tu mesmo; nós te daremos a força necessária, se a quiseres empregar."

Para encerrarmos gostaríamos de falar sobre uma publicação que certa vez vimos e que era formada por três quadrinhos:

No primeiro havia um jovem sentado junto a uma escrivaninha. Atrás dele, com as mãos em seus ombros, estava Jesus, convidando-o para cuidar, também, da bagagem espiritual, porque a viagem para a outra dimensão da vida, cedo ou tarde, é fatal... Ele respondia a Jesus que estava iniciando sua carreira e não tinha tempo para mais nada, talvez amanhã...

No segundo mostrava um homem de meia-idade. Ele era forte e bem vestido, e sua grande escrivaninha estava repleta de papéis, documentos e relatórios. Novamente, Jesus estava de pé, com as mãos em seus ombros, fazendo o mesmo convite, porém ele respondia: “Não tenho tempo estou ocupado, talvez amanhã...”

O último quadrinho mostrava um idoso de cabelos brancos junto à escrivaninha. Segurando em seus ombros não estava mais Jesus, mas a figura da morte que declarava: “Venho para você!” O homem de negócios com olhos medrosos respondia: “Vá embora morte, não a chamei.” Sem apelos o homem foi conduzido à outra dimensão da vida sem nada levar, pois para essa viagem apenas se leva a bagagem espiritual.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Eu era apenas mais um daqueles que sentem o vazio da existência e buscam saber os porquês da vida. Embora me parecesse algo tão efêmero e desprovido de beleza, eu me perguntava se a vida era simplesmente isso que se vive, neste breve instante na Terra; e o espiritismo me mostrou que não...
Já não mais podia passar pela vida em brancas nuvens como já disse o poeta. A vida escondia um sentido maior, e eu vivia agora não mais do que um átimo dessa longa estrada que se chama eternidade...
Dou palestras porque, quando ouvi os outros, aproveitei as lições para mudar a minha vida. Seria ingrato se não dividisse com mais pessoas as alegrias que tive e não desse a elas a oportunidade que a mim foi dada, quando bati, e a porta se me abriu." Octávio Serrano

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tua Vida

O tema Tua Vida nos convida a uma reflexão sobre o que estamos fazendo de nossas vidas? Como estamos aproveitando a oportunidade desta encarnação para evoluirmos? Estaremos cumprindo com a programação que fizemos no mundo espiritual antes de reencarnarmos?

Vida o espírito tem apenas uma, esteja encarnado ou desencarnado, a vida prossegue infinitamente, ela tem começo mas nunca um fim. Existência, o espírito tem muitas. Cada reencarnação representa uma existência no plano físico.

Na questão 132 do LE Kardec pergunta: “Qual o objetivo da encarnação dos espíritos? A resposta dos espíritos é: Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição.”

A finalidade de nossa existência na Terra é para que nosso espírito realize o seu progresso intelectual e moral. É uma oportunidade dada pelo Plano Superior para que possamos solucionar nossas imperfeições através das provas e expiações, às vezes dolorosas, mas extremamente necessárias para chegarmos ao nosso destino que é a felicidade. Esse destino pode ser apressado ou retardado, dependendo de nossa disposição de crescer, amar e servir.

A todo instante a vida nos proporciona sinais sobre o que devemos melhorar em nós. Assim como a natureza nos dá avisos quando uma tempestade se aproxima, Deus nos fornece pistas quando algo não vai bem em nossa existência, quando nos desviamos da nossa programação. O que precisamos é de sensibilidade para perceber essas pistas.

Na questão 919 do LE Kardec pergunta: “Qual o meio mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir ao arrastamento do mal? Um sábio da antiguidade vos disse: conhece-te a ti mesmo.”

Conhecer a nós mesmos significa vasculharmos o nosso íntimo, o que é uma tarefa bem difícil e que exige muita coragem. Coragem de colocarmos uma lupa nas nossas intenções e sentimentos mais escondidos pelo véu do orgulho. Coragem de revelar a nós mesmos o que existe de pior em nós, a nossa faceta mais feia.

No livro Obras Póstumas Kardec nos diz que: “Os males da humanidade provém da imperfeição dos homens; pelos seus vícios é que eles se prejudicam uns aos outros. Enquanto forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses gerará constantes misérias.”

Se nas nossas imperfeições se encontra a causa dos males, a felicidade aumentará na mesma proporção em que as nossas imperfeições diminuírem.

Mas quando tratamos das nossas imperfeições temos o hábito de querer achar um culpado, que nunca somos nós, transferindo nossas culpas, quando a culpa é sempre de cada um no uso do seu livre-arbítrio. Se há obsessores nos influenciando é porque os prejudicamos, em outros tempos, e, hoje, cobra o que julgam ser seu direito. Se passamos por situação difícil é porque nossas atitudes imprudentes desta ou de outras existências nos levaram à situação atual. Somos sempre herdeiros de nós mesmos.

Todos os recursos que necessitamos para enfrentar os desafios da existência encontram-se dentro de nós, a responsabilidade de encontrá-los é só nossa. O caminho da perfeição está dentro de nós, as leis divinas estão impressas na nossa consciência. Precisamos nos conhecermos para fazer uso desse potencial.

Somos livres para escolhermos nossos destinos. Fomos criados simples e ignorantes das leis que regem os mundos, mas cresce a nossa responsabilidade de escolha na medida que adquirimos o conhecimento e sabemos distinguir o certo do errado.

A reforma íntima é a chave do nosso sucesso reencarnatório, é através dela que encontramos a felicidade.

Está no ESE cap XVII item 4 “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”

Jesus nos convida a tomarmos nossa cruz e segui-lo. Isso significa combatermos o egoísmo e o orgulho em nossos corações. Não nos revoltarmos com nossa programação reencarnatória, cujas provas são necessárias ao nosso progresso espiritual e à reparação dos débitos anteriores. Lidarmos sem raiva e impaciência com o parente difícil. Não desejar o mal. Entender que todo efeito tem uma causa. E que Deus nunca dá um fardo maior do que o que os nossos ombros possam carregar.

Benfeitores espirituais nos inspiram constantemente, passando-nos bons pensamentos para optarmos pelo caminho do bem. Ninguém se encontra esquecido ou abandonado. Todos estamos ligados a uma cidade espiritual de luz, que acompanha a nossa programação da presente vida física, buscando nos guiar. A expectativa é de que cumpramos a programação para a nossa felicidade relativa aqui e para voltarmos ao outro plano um pouco melhor do que quando viemos.

Somente somos felizes quando agimos de acordo com a lei divina. Se a infringirmos, sofremos as conseqüências de nossos atos.

Seríamos mais felizes se não nos desgastássemos na conquista de coisas menos importantes, muitas vezes deixando de lado nossa família, sentimentos, valores em busca de sonhos, e não nos damos conta que, na maioria das vezes, não são sonhos, são pesadelos.

Todos nós experimentamos em diversas fases de nossas vidas, momentos quando nossos sonhos de consumo se realizam, ou quando conquistamos posições financeiras , e após o entusiasmo e o prazer da conquista, voltamos ao mesmo estágio anterior de felicidade assinalado em nossas mentes. Se já éramos felizes, esses objetivos ou aquisições pouco acrescentam ao nosso mundo íntimo e se éramos infelizes retornamos ao estado de insatisfação anterior.

Não estamos preparados para sermos felizes pelo simples motivo de procurarmos a felicidade onde ela não está. Procuramos do lado de fora, quando ela mora dentro de cada um de nós.

Para encerrarmos vamos deixar para que possamos refletir uma mensagem de autor desconhecido e que se intitula: Olhe.

Olhe para trás!
Veja os obstáculos que já superou. Veja o quanto já aprendeu nesta vida e quanto já cresceu.
Olhe para frente!
Não fique parado, levante-se quando tropeçar e cair. Estabeleça metas, tenha planos e prossiga com firmeza.
Olhe para dentro!
Conheça seu coração. Mantenha puros os seus sentimentos. Não deixe que o orgulho e a vaidade dominem seus pensamentos.
Olhe para o lado!
Socorra quem precisa. Ame o próximo e seja sensível para perceber as necessidades daqueles que o cercam.
Olhe para baixo!
Não pise em ninguém... Perceba o valor das pequenas coisas.
Olhe para cima!
Há um Deus maior do que qualquer dificuldade. Ele te ama e sempre faz o que é melhor para o teu aperfeiçoamento.