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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Teu Exemplo

Uma bela manhã sai a caminhar, há alguns passos de casa vejo um casal de rolinhas arrulhando: exemplo de amor. Surge mais adiante uma criatura esquálida e maltrapilha: exemplo de abandono.

Mais adiante uma idosa tem dificuldades em alcançar uma campainha de uma residência, alguém prestativo resolve o problema: exemplo de solidariedade.

Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os “bons tempos” e sorriem felizes: exemplo de amizade.

Não longe, um rapaz empurra um carrinho abarrotado de tijolos: exemplo de trabalho.

Caminhando cambaleante segue um infeliz dominado pela bebida: exemplo de vício.

Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor me atende solícito com carinho e atenção: exemplo de gentileza.

De volta à rua uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversa fraterna: exemplo de caridade.



Esta pequena historinha é apenas para mostrar que onde quer que estejamos e a todo momento somos exemplo para os outros e para refletirmos que tipo de exemplo estamos sendo...



No LE questão 625 Kardec pergunta aos espíritos: “Qual é o exemplo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo? – Jesus.”



O Mestre falava, ensinava, contava parábolas e transmitia a Boa Nova com sabedoria e bondade, mas a sua força no cumprimento de sua missão estava nos exemplos que dava de amor, fé humildade, caridade e perdão.



Disse-nos Jesus: “Vos dei o exemplo, para que como eu fiz, façais também vós”.



Como espíritas, e espírita é aquele que sempre procura se melhorar a todos momento, reconhecendo suas fraquezas e combatendo-as, devemos nos preocupar com o exemplo que estamos sendo. O bom exemplo deve ser nossa característica marcante seja no Centro Espírita, na sociedade, no trabalho, e principalmente na família.



Os nossos exemplos valem muito mais do que as palavras que dizemos e os conselhos que damos aos que nos cercam. O exemplo nos traz credibilidade, faz com que os que nos cercam acreditem naquilo que estamos dizendo caso contrário serão apenas palavras vazias.



Mas Ayrtes nos alerta, principalmente, para o exemplo que estamos sendo dentro da nossas casa. Quando constituímos uma família e Deus nos concede os filhos, filhos estes que são espíritos, filhos de Deus, que nos são confiados para que os guiemos, os auxiliemos em seu processo de evolução nessa encarnação. Aí é maior a nossa responsabilidade. Somos responsáveis pelos exemplos que daremos às nossas crianças.



Fénelon nos coloca que “Em todas as idades, o exemplo, pode muitíssimo: na infância, então, é onipotente.”



As crianças são espíritos antigos que reencarnados trazem consigo uma bagagem espiritual das experiências de outras encarnações. Mas seu aparelho cerebral é novo e por isso mais predisposto a ser moldado pelos hábitos e costumes do ambiente em que vive. Por isso na fase infantil o exemplo ser tão importante, é quando o espírito está mais receptivo aos exemplos e às correções de conduta.



As crianças aprendem através da sua curiosidade, elas observam com atenção e passam a imitar o comportamento dos adultos, é desta forma que aprendem a caminhar, a falar, absorvendo o exemplo que é dado pelos adultos.



Bom ou mal, o exemplo é algo marcante, influencia mesmo àqueles espíritos que carregam conhecimentos passados positivos, pois mesmo não estando sujeitos à regressão, pois ninguém regride no progresso moral, nós apenas progredimos, elas sofrerão ao ver nos pais atitudes que reprovam.



Precisamos proporcionar aos nossos filhos as condições necessárias para uma educação baseada no respeito aos familiares e aos semelhantes em geral. O lar é a primeira escola do ser.



Precisamos estar muito atentos às reações e atitudes que tomamos na frente de nossos filhos, e que muitas vezes fazemos de forma inconsciente e de forma inconsciente estamos ensinando a eles que os que não fazem parte de nosso meio não são importantes e, portanto, não merecem o nosso respeito.



Quando somos deseducados com os outros motoristas na frente de nossos filhos, ou com a balconista que tem a obrigação de nos tratar bem, caso contrário reclamo para o chefe dela e ela será demitida. Quando passamos reto pelo porteiro de nosso prédio, o jardineiro, a nossa doméstica e sequer dizemos um bom dia, ou um obrigado. O que estamos ensinando aos nossos filhos? Que exemplos são estes?



Quando discutimos no nosso lar seja com o cônjuge ou com os próprios filhos e nos utilizamos de palavras rudes, duras, que na verdade nem queríamos dizer, mas que “saíram” num momento de raiva. Que exemplo estamos dando? Exemplo de agressão de que se pode resolver os problemas no grito?



Quando eles chegam à adolescência e nos causam transtornos porque são deseducados com as pessoas, com os colegas, com os professores, quando não causam problemas maiores relacionados à violência, normalmente nos perguntamos: onde erramos? Será que não foram essas pequenas atitudes que nos passaram despercebidas? Aquele muito obrigado que por falta de tempo não demos? Aquele sorriso amigo que estávamos apressados demais para dispensar?



Mesmo na adolescência os filhos precisam continuar sendo educados, não com palavras carentes de exemplo, porque o jovem exige muito mais do que a criança a coerência entre o discurso e a ação, ele questiona: “Mas como me ensinas que devo agir assim se ages de outra forma?”. Este é o período em que o espírito demonstra seu caráter real e individual com toda a sua intensidade, e isso exige dos pais muito mais atenção, participação e acima de tudo amor.



O amor não tem hora nem tempo, não deixemos pra depois o abraço amigo, a palavra de carinho, a repreensão dada com respeito, para que ele aprenda que precisa respeitar e ser respeitado, sem agressões, sem gritos.



É o trabalho, a disciplina e o exemplo dos pais que moldam o caráter dos filhos e os preparam para uma vida útil e digna.

A prática do evangelho no lar, com todos os familiares que dividem a casa, é o exemplo da necessidade da fé e do estudo para irradiar e atrair o bem.



Vamos olhar os nossos filhos, netos, bisnetos nãos só como nossos herdeiros queridos dos bens materiais, mas também como alunos que precisam aprender e disciplinar-se para o mundo espiritual.



Se os exemplos e a atenção necessária não forem dadas no lar serão dados na rua pelos amigos, por aqueles que não são assim tão amigos, pelo traficante...

Se a educação moral não foi adquirida em casa, então, somente as provações, as aflições e os padecimentos poderão educar.





Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

- “Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho.

- “Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.”

Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.

Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos.

Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram ásperas e quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão. O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:

- “O que você está fazendo?”

O menino respondeu docemente:

- “Oh, estou fazendo uma tigela para você e a mamãe comerem, quando eu crescer.”

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito.

Dali para frente e até o final de seus dias o avô voltou a comer todas as refeições à mesa com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.



E para finalizarmos uma pequena mensagem de Joana de Angelis mentora de Divaldo Franco: “Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade.”

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