Nova postagem no blog próximo sábado

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Teu Exemplo

Uma bela manhã sai a caminhar, há alguns passos de casa vejo um casal de rolinhas arrulhando: exemplo de amor. Surge mais adiante uma criatura esquálida e maltrapilha: exemplo de abandono.

Mais adiante uma idosa tem dificuldades em alcançar uma campainha de uma residência, alguém prestativo resolve o problema: exemplo de solidariedade.

Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os “bons tempos” e sorriem felizes: exemplo de amizade.

Não longe, um rapaz empurra um carrinho abarrotado de tijolos: exemplo de trabalho.

Caminhando cambaleante segue um infeliz dominado pela bebida: exemplo de vício.

Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor me atende solícito com carinho e atenção: exemplo de gentileza.

De volta à rua uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversa fraterna: exemplo de caridade.



Esta pequena historinha é apenas para mostrar que onde quer que estejamos e a todo momento somos exemplo para os outros e para refletirmos que tipo de exemplo estamos sendo...



No LE questão 625 Kardec pergunta aos espíritos: “Qual é o exemplo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo? – Jesus.”



O Mestre falava, ensinava, contava parábolas e transmitia a Boa Nova com sabedoria e bondade, mas a sua força no cumprimento de sua missão estava nos exemplos que dava de amor, fé humildade, caridade e perdão.



Disse-nos Jesus: “Vos dei o exemplo, para que como eu fiz, façais também vós”.



Como espíritas, e espírita é aquele que sempre procura se melhorar a todos momento, reconhecendo suas fraquezas e combatendo-as, devemos nos preocupar com o exemplo que estamos sendo. O bom exemplo deve ser nossa característica marcante seja no Centro Espírita, na sociedade, no trabalho, e principalmente na família.



Os nossos exemplos valem muito mais do que as palavras que dizemos e os conselhos que damos aos que nos cercam. O exemplo nos traz credibilidade, faz com que os que nos cercam acreditem naquilo que estamos dizendo caso contrário serão apenas palavras vazias.



Mas Ayrtes nos alerta, principalmente, para o exemplo que estamos sendo dentro da nossas casa. Quando constituímos uma família e Deus nos concede os filhos, filhos estes que são espíritos, filhos de Deus, que nos são confiados para que os guiemos, os auxiliemos em seu processo de evolução nessa encarnação. Aí é maior a nossa responsabilidade. Somos responsáveis pelos exemplos que daremos às nossas crianças.



Fénelon nos coloca que “Em todas as idades, o exemplo, pode muitíssimo: na infância, então, é onipotente.”



As crianças são espíritos antigos que reencarnados trazem consigo uma bagagem espiritual das experiências de outras encarnações. Mas seu aparelho cerebral é novo e por isso mais predisposto a ser moldado pelos hábitos e costumes do ambiente em que vive. Por isso na fase infantil o exemplo ser tão importante, é quando o espírito está mais receptivo aos exemplos e às correções de conduta.



As crianças aprendem através da sua curiosidade, elas observam com atenção e passam a imitar o comportamento dos adultos, é desta forma que aprendem a caminhar, a falar, absorvendo o exemplo que é dado pelos adultos.



Bom ou mal, o exemplo é algo marcante, influencia mesmo àqueles espíritos que carregam conhecimentos passados positivos, pois mesmo não estando sujeitos à regressão, pois ninguém regride no progresso moral, nós apenas progredimos, elas sofrerão ao ver nos pais atitudes que reprovam.



Precisamos proporcionar aos nossos filhos as condições necessárias para uma educação baseada no respeito aos familiares e aos semelhantes em geral. O lar é a primeira escola do ser.



Precisamos estar muito atentos às reações e atitudes que tomamos na frente de nossos filhos, e que muitas vezes fazemos de forma inconsciente e de forma inconsciente estamos ensinando a eles que os que não fazem parte de nosso meio não são importantes e, portanto, não merecem o nosso respeito.



Quando somos deseducados com os outros motoristas na frente de nossos filhos, ou com a balconista que tem a obrigação de nos tratar bem, caso contrário reclamo para o chefe dela e ela será demitida. Quando passamos reto pelo porteiro de nosso prédio, o jardineiro, a nossa doméstica e sequer dizemos um bom dia, ou um obrigado. O que estamos ensinando aos nossos filhos? Que exemplos são estes?



Quando discutimos no nosso lar seja com o cônjuge ou com os próprios filhos e nos utilizamos de palavras rudes, duras, que na verdade nem queríamos dizer, mas que “saíram” num momento de raiva. Que exemplo estamos dando? Exemplo de agressão de que se pode resolver os problemas no grito?



Quando eles chegam à adolescência e nos causam transtornos porque são deseducados com as pessoas, com os colegas, com os professores, quando não causam problemas maiores relacionados à violência, normalmente nos perguntamos: onde erramos? Será que não foram essas pequenas atitudes que nos passaram despercebidas? Aquele muito obrigado que por falta de tempo não demos? Aquele sorriso amigo que estávamos apressados demais para dispensar?



Mesmo na adolescência os filhos precisam continuar sendo educados, não com palavras carentes de exemplo, porque o jovem exige muito mais do que a criança a coerência entre o discurso e a ação, ele questiona: “Mas como me ensinas que devo agir assim se ages de outra forma?”. Este é o período em que o espírito demonstra seu caráter real e individual com toda a sua intensidade, e isso exige dos pais muito mais atenção, participação e acima de tudo amor.



O amor não tem hora nem tempo, não deixemos pra depois o abraço amigo, a palavra de carinho, a repreensão dada com respeito, para que ele aprenda que precisa respeitar e ser respeitado, sem agressões, sem gritos.



É o trabalho, a disciplina e o exemplo dos pais que moldam o caráter dos filhos e os preparam para uma vida útil e digna.

A prática do evangelho no lar, com todos os familiares que dividem a casa, é o exemplo da necessidade da fé e do estudo para irradiar e atrair o bem.



Vamos olhar os nossos filhos, netos, bisnetos nãos só como nossos herdeiros queridos dos bens materiais, mas também como alunos que precisam aprender e disciplinar-se para o mundo espiritual.



Se os exemplos e a atenção necessária não forem dadas no lar serão dados na rua pelos amigos, por aqueles que não são assim tão amigos, pelo traficante...

Se a educação moral não foi adquirida em casa, então, somente as provações, as aflições e os padecimentos poderão educar.





Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

- “Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho.

- “Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.”

Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.

Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos.

Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram ásperas e quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão. O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:

- “O que você está fazendo?”

O menino respondeu docemente:

- “Oh, estou fazendo uma tigela para você e a mamãe comerem, quando eu crescer.”

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito.

Dali para frente e até o final de seus dias o avô voltou a comer todas as refeições à mesa com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.



E para finalizarmos uma pequena mensagem de Joana de Angelis mentora de Divaldo Franco: “Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade.”

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Tua paciência

Vamos iniciar a nossa exposição de hoje com um pequeno trecho do livro “A Vida Escreve” de Chico Xavier e Waldo Viera pelo espírito Hilário Silva:

Diante das águas calmas, Jesus refletia. Afastara-se da multidão, momentos antes. Ouvira remoques e sarcasmos. Vira chagas e aflições. O Mestre pensava...

Tadeu, Tiago, João e Bartolomeu aproximaram-se. Aquele era um momento raro. E ensaiaram perguntas.

- Senhor – disse João -, qual é o mais importante aviso da Lei da Vida aos homens?

E o Divino Amigo passou a responder:

- Amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

- E qual a virtude mais preciosa? – Indagou Tadeu.

- A humildade.

- Qual o talento mais nobre, Senhor? – Falou Tiago.

- O trabalho.

- E a norma de triunfo mais elevada? – Interrogou Bartolomeu.

- A persistência no bem.

- Mestre, e qual é, para nós todos o mais alto dever? – Aventurou Tadeu novamente.

- Amar a todos, a todos servindo sem distinção.

- Oh, isso é quase impossível – gemeu o aprendiz.

- A maldade é atributo de todos – clamou Tiago -; faço o bem quanto posso, mas apenas recolho espinhos de ingratidão.

- Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda parte – acentuou outro discípulo.

- Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para auxiliar – disse outro.

E as mágoas desfilaram diante do Mestre silencioso.

João, contudo, voltou a interrogá-lo:

- Senhor, que é mais difícil? Qual a aquisição mais difícil?

Jesus sorriu e declarou:

- A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar... A aquisição mais difícil para todos nós chama-se paciência.

Vivemos em um mundo de provas e expiações onde estamos todos numa mesma faixa evolutiva, mas em diferentes níveis de evolução. Cada um de nós está em seu próprio nível de evolução, ampliando lentamente seus horizontes de saber e de amor, de progresso intelectual e progresso moral.

É fundamental o contato social para a nossa evolução, para a troca de experiências. Surge-nos então um grande desafio: aprender a lidar com o diferente.

E esse aprendizado começa dentro mesmo da nossa casa, se percebermos entre nossos irmãos, nossos filhos, por mais que tenhamos tido ou dado a mesmo educação para todos, cada um assimila de uma forma, cada um aproveita as lições de uma forma diferente com base em seus conhecimentos adquiridos em vidas anteriores.

A convivência com o diferente nos leva muitas vezes ao conflito por falta de compreensão, por exigirmos do outro algo para o qual ele ainda não está preparado, cada um dá do que possui. Para lidar com isso é importante o respeito e o diálogo seja no lar, no trabalho, com os amigos...

Precisamos entender que o outro teve caminhos, experiências, reencarnações diferentes das nossas. A verdadeira paciência consiste em respeitar e valorizar o outro e não apenas suportá-lo “caridosamente” por acreditá-lo inferior, isso não é paciência é preconceito, orgulho, vaidade.

A caridade que consiste em dar esmola aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há mais penosa e muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para resgatarmos débitos e que nos fazem sofrer e põe em prova a nossa paciência.

No livro Os Prazeres da Alma o espírito Hammed nos diz:

“Precisamos aprender com a natureza a habilidade de equilibrar e realizar tarefas numa silenciosa quietude, pois a impetuosidade e a afobação que muitas vezes demonstramos podem destruir em minutos o que levamos anos para construir.”

A natureza nos fornece ensinamentos de paciência a todo o instante, mostrando que o fruto não surge sem que a árvore esteja devidamente pronta e na época certa de sua estação; que o dia não chega antes que a madrugada se vá; que a noite não surge sem que o sol tenha iluminado o dia, em vão também será todo esforço mal direcionado e todo trabalho que não se apóia na disciplina necessária para sua realização.

Somos seres ainda imperfeitos e quase sempre não temos a paciência necessária para esperar o tempo adequado para a realização das coisas que almejamos e nos atiramos desesperados em busca de uma solução que demanda apenas tempo e trabalho, ficamos ansiosos.

Queremos que as situações que vivemos se modifiquem como nós achamos que elas devam acontecer e não como a Providência Divina que é infinitamente sabia mostra que é o melhor para nós.

A ansiedade é o mal do nosso século, vivemos ansiosos, desesperados, correndo o tempo todo. A ansiedade é inimiga da paciência. Pela ansiedade vivemos o passado (revendo os nossos erros) e o futuro (nossas preocupações) e esquecemos o presente. Que como o próprio nome diz é um presente divino, a nossa oportunidade de evolução é hoje é o presente.

Quando Jesus nos disse: “a cada dia o seu mal” nos recomendou que nos concentrássemos nos problemas reais de cada instante, que não ficássemos imaginando problemas futuros e vivendo ansiedade de situações que ainda não aconteceram e que podem até mesmo não acontecer. O futuro é traçado por Deus.

No livro As Dores da Alma o espírito Hammed nos diz:

“A tua ansiedade não mudará o curso da natureza. Tudo acontece naturalmente, visto que as Leis Naturais ou Divinas não promovem saltos nem extrapolam os ditames estabelecidos por Deus.”

A ansiedade encontra terreno fértil na nossa falta de fé. Quando temos fé, temos a certeza num Deus infinitamente justo e bom, passamos a ver vida como um meio de evolução e as dificuldades como provações necessárias ao nosso crescimento espiritual.

Deus não desampara nenhum de seus filhos. Neste e em outros níveis de evolução no universo, nosso Pai não abandona ninguém, tampouco aqueles mergulhados na carne que procuram colocar na prática os aprendizados e promessas feitas no mundo espiritual. Precisamos portanto confiar e ter a paciência, não a paciência que leva à estagnação mas a paciência que trabalha e serve sem queixas e lamentações, que compreende, que olha para o lado e vê que seus problemas não são os maiores do mundo, que compreende a dificuldade do próximo, mesmo aquele próximo mais próximo que conosco divide o lar e as dificuldades do dia-a-dia. Confiar que se estamos aqui nesse planeta é para o nosso bem, para a nossa evolução e que nunca estamos sós, a bondade divina permite que amigos espirituais velem por nós.

A conquista da paciência é uma conquista íntima, uma mudança íntima, em passamos a viver no mundo, sem sermos do mundo. Começamos a ver que os problemas que nos afligem são pontos bem pequeninos necessários à nossa evolução, ao nosso aprendizado e passamos a ver que existem outros que sofrem tanto ou mais que nós e como será maravilhoso quando pudermos estender nossas mãos a eles e fazer o que nos ensinou Jesus lá no início de nossa exposição explicando a paciência, quando conseguirmos finalmente: - ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar....

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Teu Trabalho

Trabalho é exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa. Ocupação em alguma obra ou ministério.

Na questão 674 do LE Kardec pergunta: “A necessidade do trabalho é uma lei da natureza? O trabalho é uma lei natural, por isso mesmo é uma necessidade e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta suas necessidades e prazeres.

Existem basicamente dois tipos de trabalho: o trabalho material e o trabalho moral.

O trabalho material é aquele que desempenhamos como profissionais e através do qual provemos o nosso sustento e o de nossas famílias. Ele também coopera para o nosso progresso intelectual como indivíduos e como sociedade.

Além disso no local de trabalho temos a oportunidade de conviver com pessoas diferentes de nós, com outra educação, outro entendimento da vida, e muitas delas com visões completamente diferentes das nossas, dos nossos valores e isso é uma ferramenta para o nosso progresso, pois necessitamos dos outros para evoluirmos, estamos sempre em processo de aprendizagem.

Algumas vezes as nossas imperfeições nos fazem cometer algumas escolhas erradas quanto ao nosso trabalho material como quando optamos por profissões visando apenas o retorno material sem considerarmos nossas verdadeiras aptidões. Assim nos tornamos profissionais frustrados quando poderíamos ter optado por aquela profissão que nos traria menor retorno mas nos tornaria mais felizes.

Alguns se dedicam à ociosidade, habituam-se ao descanso excessivo, às atividades fúteis e que não nos acrescentam nada, dedicando na elas horas e horas de seus dias, quando poderiam ocupá-las com atividades edificantes como uma leitura, uma visita a um enfermo, o auxilio aos filhos com o dever de casa, o culto do evangelho no lar e dessa forma exercer o trabalho moral. O descanso é necessário e merecido, mas deve ser dosado.

Outros, ao contrário, passam a viver para o trabalho, dedicando a este quase todas as horas de seu dia esquecendo-se de todo o restante: família, amigos, lazer, os necessitados que precisam de nossa atenção. Chegam um momento em que se tornam pessoas solitárias e sem um sentido na vida, pois a vida era o trabalho.

O trabalho deve ser parte, parte importante da nossa vida, mas não a nossa vida, pois dessa forma deixamos de lado o nosso trabalho moral como pais, filhos, cônjuges, como seres humanos, como espíritos em busca da evolução que é o que realmente somos.

O trabalho moral é o nosso objetivo nessa encarnação, estamos aqui para evoluirmos não apenas intelectualmente, mas principalmente moralmente. Pode ser realizado através da caridade, do auxílio ao próximo necessitado em instituições de auxílio ou até mesmo dentro de nossas casas, exercendo bem nossas funções de pais, filhos, cônjuges. Sendo tolerantes com os parentes difíceis, com os erros alheios, pois nós também erramos, exercendo como já nos foi dito diversas vezes não apenas a caridade material, mas principalmente a caridade moral.

Chegamos à Terra com uma bagagem de conhecimento que é nossa herança espiritual que nós mesmos construímos e da qual somos os herdeiros, se nada de novo fizermos ou aprendermos, voltaremos à espiritualidade sem nada acrescentar.

Cairbar Schutel nos diz o seguinte: “Felizes os que ao saírem desta vida, ao chegarem à Outra, puderem dizer: - trabalhei e lutei, não para encher as arcas de um tesouro aparente, fictício, mas para melhorar o mundo em que vivi, engrandecer as almas que comigo caminharam, aperfeiçoar a minha individualidade a fim de prepará-la para a posse da imortalidade.”

Muitos de nós nos dizemos despreparados para o trabalho no bem e vamos adiando e deixando passar as oportunidades que nos surgem no caminho.

Não precisamos esperar sermos perfeitos para realizar um trabalho no bem, se fosse assim não teríamos ninguém trabalhando em associações de caridade, centros espíritas, hospitais ou qualquer outro trabalho em prol do próximo, pois todos somos ainda imperfeitos. Precisamos ser verdadeiros e determinados na luta contra nossas más tendências.

No livro Nosso Lar pelo espírito André Luiz O Ministro Genésio faz a seguinte colocação: “Quando o servidor está pronto, o serviço aparece.”

Nenhuma oportunidade é dada àquele que ainda não dispõe de instruções armazenadas para desenvolver as tarefas, se a oportunidade surgiu é porque estamos preparados, só precisamos de comprometimento. Pois quando começa,os um trabalho no bem existe toda um equipe no plano espiritual que está contando conosco para a realização daquela tarefa, o trabalho existe em ambos os planos da vida e por isso devemos estar comprometidos com o trabalho a realizar.

Estamos às vésperas de um novo ano, é o momento de renovarmos propostas intimas onde a desculpa para assumirmos tarefas no campo do bem abra espaço para o compromisso com o trabalho para o nosso próprio bem.

Não adiemos indefinidamente o tempo de começar o trabalho. Nossos dias podem terminar, nunca sabemos quando a espiritualidade nos chamará para o outro lado da vida e podemos perder a grande oportunidade que a reencarnação nos ofereceu.

Emmanuel no livro Convivência nos diz: “A vida não nos pede o impossível para que nos integremos nos mecanismos da caridade, extinguindo as provações que atormentam a Terra, mas, para que o mal desapareça, espera de cada um de nós essa ou aquela migalha do bem.”

Não precisamos realizar grandes obras, mas pequenos trabalhos no bem, se não for possível auxiliar aos necessitados, auxiliemos àquele próximos mais próximo que está dividindo conosco o lar através da tolerância, do carinho, do diálogo, da compreensão.

No ESE cap. XXV item 4 os espíritos nos dizem o seguinte: “Caminha e chegarás. Encontrarás pedras sob os teus passos: olha, e tira-as tu mesmo; nós te daremos a força necessária, se a quiseres empregar."

Para encerrarmos gostaríamos de falar sobre uma publicação que certa vez vimos e que era formada por três quadrinhos:

No primeiro havia um jovem sentado junto a uma escrivaninha. Atrás dele, com as mãos em seus ombros, estava Jesus, convidando-o para cuidar, também, da bagagem espiritual, porque a viagem para a outra dimensão da vida, cedo ou tarde, é fatal... Ele respondia a Jesus que estava iniciando sua carreira e não tinha tempo para mais nada, talvez amanhã...

No segundo mostrava um homem de meia-idade. Ele era forte e bem vestido, e sua grande escrivaninha estava repleta de papéis, documentos e relatórios. Novamente, Jesus estava de pé, com as mãos em seus ombros, fazendo o mesmo convite, porém ele respondia: “Não tenho tempo estou ocupado, talvez amanhã...”

O último quadrinho mostrava um idoso de cabelos brancos junto à escrivaninha. Segurando em seus ombros não estava mais Jesus, mas a figura da morte que declarava: “Venho para você!” O homem de negócios com olhos medrosos respondia: “Vá embora morte, não a chamei.” Sem apelos o homem foi conduzido à outra dimensão da vida sem nada levar, pois para essa viagem apenas se leva a bagagem espiritual.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Eu era apenas mais um daqueles que sentem o vazio da existência e buscam saber os porquês da vida. Embora me parecesse algo tão efêmero e desprovido de beleza, eu me perguntava se a vida era simplesmente isso que se vive, neste breve instante na Terra; e o espiritismo me mostrou que não...
Já não mais podia passar pela vida em brancas nuvens como já disse o poeta. A vida escondia um sentido maior, e eu vivia agora não mais do que um átimo dessa longa estrada que se chama eternidade...
Dou palestras porque, quando ouvi os outros, aproveitei as lições para mudar a minha vida. Seria ingrato se não dividisse com mais pessoas as alegrias que tive e não desse a elas a oportunidade que a mim foi dada, quando bati, e a porta se me abriu." Octávio Serrano

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tua Vida

O tema Tua Vida nos convida a uma reflexão sobre o que estamos fazendo de nossas vidas? Como estamos aproveitando a oportunidade desta encarnação para evoluirmos? Estaremos cumprindo com a programação que fizemos no mundo espiritual antes de reencarnarmos?

Vida o espírito tem apenas uma, esteja encarnado ou desencarnado, a vida prossegue infinitamente, ela tem começo mas nunca um fim. Existência, o espírito tem muitas. Cada reencarnação representa uma existência no plano físico.

Na questão 132 do LE Kardec pergunta: “Qual o objetivo da encarnação dos espíritos? A resposta dos espíritos é: Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição.”

A finalidade de nossa existência na Terra é para que nosso espírito realize o seu progresso intelectual e moral. É uma oportunidade dada pelo Plano Superior para que possamos solucionar nossas imperfeições através das provas e expiações, às vezes dolorosas, mas extremamente necessárias para chegarmos ao nosso destino que é a felicidade. Esse destino pode ser apressado ou retardado, dependendo de nossa disposição de crescer, amar e servir.

A todo instante a vida nos proporciona sinais sobre o que devemos melhorar em nós. Assim como a natureza nos dá avisos quando uma tempestade se aproxima, Deus nos fornece pistas quando algo não vai bem em nossa existência, quando nos desviamos da nossa programação. O que precisamos é de sensibilidade para perceber essas pistas.

Na questão 919 do LE Kardec pergunta: “Qual o meio mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir ao arrastamento do mal? Um sábio da antiguidade vos disse: conhece-te a ti mesmo.”

Conhecer a nós mesmos significa vasculharmos o nosso íntimo, o que é uma tarefa bem difícil e que exige muita coragem. Coragem de colocarmos uma lupa nas nossas intenções e sentimentos mais escondidos pelo véu do orgulho. Coragem de revelar a nós mesmos o que existe de pior em nós, a nossa faceta mais feia.

No livro Obras Póstumas Kardec nos diz que: “Os males da humanidade provém da imperfeição dos homens; pelos seus vícios é que eles se prejudicam uns aos outros. Enquanto forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses gerará constantes misérias.”

Se nas nossas imperfeições se encontra a causa dos males, a felicidade aumentará na mesma proporção em que as nossas imperfeições diminuírem.

Mas quando tratamos das nossas imperfeições temos o hábito de querer achar um culpado, que nunca somos nós, transferindo nossas culpas, quando a culpa é sempre de cada um no uso do seu livre-arbítrio. Se há obsessores nos influenciando é porque os prejudicamos, em outros tempos, e, hoje, cobra o que julgam ser seu direito. Se passamos por situação difícil é porque nossas atitudes imprudentes desta ou de outras existências nos levaram à situação atual. Somos sempre herdeiros de nós mesmos.

Todos os recursos que necessitamos para enfrentar os desafios da existência encontram-se dentro de nós, a responsabilidade de encontrá-los é só nossa. O caminho da perfeição está dentro de nós, as leis divinas estão impressas na nossa consciência. Precisamos nos conhecermos para fazer uso desse potencial.

Somos livres para escolhermos nossos destinos. Fomos criados simples e ignorantes das leis que regem os mundos, mas cresce a nossa responsabilidade de escolha na medida que adquirimos o conhecimento e sabemos distinguir o certo do errado.

A reforma íntima é a chave do nosso sucesso reencarnatório, é através dela que encontramos a felicidade.

Está no ESE cap XVII item 4 “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”

Jesus nos convida a tomarmos nossa cruz e segui-lo. Isso significa combatermos o egoísmo e o orgulho em nossos corações. Não nos revoltarmos com nossa programação reencarnatória, cujas provas são necessárias ao nosso progresso espiritual e à reparação dos débitos anteriores. Lidarmos sem raiva e impaciência com o parente difícil. Não desejar o mal. Entender que todo efeito tem uma causa. E que Deus nunca dá um fardo maior do que o que os nossos ombros possam carregar.

Benfeitores espirituais nos inspiram constantemente, passando-nos bons pensamentos para optarmos pelo caminho do bem. Ninguém se encontra esquecido ou abandonado. Todos estamos ligados a uma cidade espiritual de luz, que acompanha a nossa programação da presente vida física, buscando nos guiar. A expectativa é de que cumpramos a programação para a nossa felicidade relativa aqui e para voltarmos ao outro plano um pouco melhor do que quando viemos.

Somente somos felizes quando agimos de acordo com a lei divina. Se a infringirmos, sofremos as conseqüências de nossos atos.

Seríamos mais felizes se não nos desgastássemos na conquista de coisas menos importantes, muitas vezes deixando de lado nossa família, sentimentos, valores em busca de sonhos, e não nos damos conta que, na maioria das vezes, não são sonhos, são pesadelos.

Todos nós experimentamos em diversas fases de nossas vidas, momentos quando nossos sonhos de consumo se realizam, ou quando conquistamos posições financeiras , e após o entusiasmo e o prazer da conquista, voltamos ao mesmo estágio anterior de felicidade assinalado em nossas mentes. Se já éramos felizes, esses objetivos ou aquisições pouco acrescentam ao nosso mundo íntimo e se éramos infelizes retornamos ao estado de insatisfação anterior.

Não estamos preparados para sermos felizes pelo simples motivo de procurarmos a felicidade onde ela não está. Procuramos do lado de fora, quando ela mora dentro de cada um de nós.

Para encerrarmos vamos deixar para que possamos refletir uma mensagem de autor desconhecido e que se intitula: Olhe.

Olhe para trás!
Veja os obstáculos que já superou. Veja o quanto já aprendeu nesta vida e quanto já cresceu.
Olhe para frente!
Não fique parado, levante-se quando tropeçar e cair. Estabeleça metas, tenha planos e prossiga com firmeza.
Olhe para dentro!
Conheça seu coração. Mantenha puros os seus sentimentos. Não deixe que o orgulho e a vaidade dominem seus pensamentos.
Olhe para o lado!
Socorra quem precisa. Ame o próximo e seja sensível para perceber as necessidades daqueles que o cercam.
Olhe para baixo!
Não pise em ninguém... Perceba o valor das pequenas coisas.
Olhe para cima!
Há um Deus maior do que qualquer dificuldade. Ele te ama e sempre faz o que é melhor para o teu aperfeiçoamento.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Teus Alimentos

Em cada uma de nossas reencarnações recebemos um corpo material que será a casa do nosso espírito durante um certo tempo para que possamos passar por experiências que auxiliarão na nossa evolução.


Precisamos, por isso, cuidar dessa nossa casa para que possamos aproveitar com saúde essas experiências que a vida física nos proporciona.

No LE questão 718 Kardec pergunta aos espíritos: “A lei de conservação obriga o homem a prover as necessidades do corpo? Sim, sem força e saúde o trabalho é impossível.”

É permitido ao homem alimentar-se de tudo o que não lhe prejudique a saúde. Mas nós abusamos, exageramos à mesa com alimentos gordurosos ou nos infligimos regimes alimentares muito rigorosos e prejudicamos a nossa saúde.

Na questão 716 do LE Kardec pergunta: “A natureza não traçou o limite de nossas necessidades em nossa estrutura orgânica? Sim, mas o homem é insaciável. A natureza traçou o limite às suas necessidades no seu próprio organismo, mas os vícios lhe alteraram a constituição e criaram necessidades que não são reais.”

E na questão 715 “Como o homem pode conhecer o limite do necessário? Aquele que é sensato conhece pela intuição, muitos o conhecem pela experiência e à própria custa.”

A própria doutrina nos mostra que a falta de sensatez à mesa, o exagero ou o excesso de controle pode levar o homem a adoecer e dessa forma aprender através da dor nossa tão conhecida mestra na Terra.

Sobre isso nos diz Emannuel no livro Fonte Viva psicografia de Chico Xavier que o corpo físico nem sempre é tratado como um templo sagrado. Maltrata-se a delicada máquina orgânica. Os exageros à mesa ou a alimentação inadequada geram o excesso ou o baixo peso corporal que vão produzindo danos nos órgãos internos como coração, artérias, estomago que podem até levar ao desencarne prematuro.”

Mas Ayrtes não nos fala apenas dos alimentos físicos necessários ao nosso corpo físico, ele nos fala fala também de um outro tipo de alimento do qual nos esquecemos de nos nutrir e que é de extrema importância tanto para o nosso corpo físico, como para o nosso espírito. Esse alimento chama-se alegria.

Quando passamos por um momento de grande alegria parece que recarregamos nossas baterias e isso reflete no nosso corpo físico, nossos olhos têm outro brilho, o sorriso nos ilumina o rosto, até a nossa postura se modifica, é o espírito nutrindo-se e refletindo no corpo físico.

Muitos estudos científicos relacionam o aparecimento de doenças graves como o câncer com estados de depressão, stress e baixa auto-estima, ou seja com a falta de alegria.

Também existem trabalhos que procuram auxiliar tratamentos médicos através da alegria. Um exemplo são os doutores da alegria que são atores profissionais que visitam crianças e jovens hospitalizados e fazem brincadeiras relacionadas aos procedimentos médicos, os resultados são impressionantes e no mínimo aumentam a cooperação dos pacientes com o tratamento e principalmente a esperança.

O riso e o bom humor estão relacionados com o reforço do nosso sistema imunológico que protege o nosso organismo contra as doenças.

Quando exercitamos a alegria verificamos que as dificuldades na nossa vida têm como função despertar a criatividade, a reflexão, os recomeços.

Quando nos habituamos a nos lamentar das mínimas dificuldades, essa atitude passa a ser um padrão em nossas vidas e passamos ao mau humor, à raiva, estouramos por qualquer motivo e afastamos as pessoas.

Precisamos entender que a alegria é uma conquista de cada um e não reside nas coisas materiais.

Quando nos alimentamos de alegria, valorizamos as pessoas à nossa volta, e cada momento como um evento especial, nos enchemos de otimismo e esse sentimento se expande a tinge aos que estão ao nosso redor.

A alegria é contagiante, quando aqueles que estão a nossa volta estão alegres nós somos contagiados, sentimos crescer a esperança de que melhores momentos também chegarão nas nossas estradas.

Existem várias maneiras de proporcionarmos alegria e para isso não existem receitas. Se nos apoiarmos na doutrina espírita ela nos oferece um caminho através da caridade que proporciona alegria tanto a quem recebe quanto a quem oferta.

Nos relacionamentos em família, no trabalho: um sorriso, uma palavra de incentivo, sermos mais afáveis, comunicativos, atenciosos com os que nos cercam.

Observar as belezas naturais ao nosso redor, o calor e a luz do sol a aquecer e clarear nossos caminhos, a natureza a nos ofertar plantas, frutas, flores, pássaros, a nossa praia, a primavera que em breve chegará com toda a sua beleza, o dia que nasce após cada noite escura é Deus a nos dizer que está ao nosso lado, guiando nossos passos, nos erguendo quando caímos, segurando nossas mãos, e que nunca estamos sós, que somos protegidos por amigos espirituais que auxiliam na nossa evolução e isso tudo é mais do que motivo para que sejamos infinitamente alegres.

Para finalizarmos uma mensagem de Meimei psicografada por Chico Xavier:



Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo.


Em toda parte, desabrochando flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com musica de ninar.


A água da fonte é carinho liquefeito no coração da Terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.


Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.


Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.


Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.


A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente em festa de amor e luz.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tua Família



No dicionário Aurélio família é definida como: todas as pessoas do mesmo sangue, como filhos, irmãos, sobrinhos etc. / Grupo de seres ou coisas que apresentam características comuns: família espiritual.
A família para a doutrina espírita é um laboratório onde os espíritos que têm algo a justar entre si tem um longo período de convivência que os possibilite isto. Nelas renascerão espíritos que são desafetos de outras existências. Assim como renascerão espíritos amigos para auxiliar as reconciliações.
Joanna de Angelis nos diz que “A família é, antes de tudo, um laboratório de experiências reparadoras, na qual a felicidade e a dor se alternam, programando a paz futura.”
As obras da codificação falam sobre a família em diversos trechos, entre eles, citamos:
ESE cap. XIV itens 8 e 9;
ESE cap. IV itens 18 e 19;
LE questões 773 a 775.
As famílias são de dois tipos: corporais e espirituais. As famílias corporais formam-se pela necessidade que temos de encarnar, são os laços consangüíneos e esta pode e deve transformar-se em família espiritual.
As famílias espirituais estão ligadas pelas afinidades, simpatias entre os espíritos que nem sempre ocorrem na família corporal. Quando encarnados os de nossa família espiritual podem nos acompanhar na encarnação e os reconhecemos pela imensa alegria que sentimos em sua presença, pela afinidade que nos liga mesmo quando não existem laços consangüíneos. Ou podem nos acompanhar no mundo espiritual velando por nós.
Com relação à nossa família corporal na qual convivemos tanto com afetos quanto desafetos anteriores devemos considerar que muitas vezes a convivência diária, a rotina, o dia-a-dia acaba por diminuir distancias que o respeito impõe. Ou seja, no lar mostramos o que há de melhor e pior em nós e muitas vezes com a desculpa do cansaço, do stress, do excesso de trabalho nos julgamos no direito de agredir, maltratar, humilhar.
Ao invés de pensarmos no que devemos oferecer aos familiares, pensamos no que eles nos devem dar. Lembramos sempre seus deveres em relação a eles e em função disso nos irritamos quando não correspondem às nossas expectativas.
Sobre isso nos diz André Luiz:
“A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando na condição de espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelo menos com a cortesia que dispensamos aos amigos”.
Esta em voga neste momento, a discussão sobre a lei da palmada que proíbe os pais de baterem em seus filhos. Façamos uma reflexão: muitos de nós acreditamos que palmada educa, que se apenas dialogarmos nossos filhos perderão o respeito. Isto porque confundimos respeito com medo. Quando usamos qualquer forma de agressão com nossos filhos isso inclui palmadas, gritos, agressão verbal eles terão medo e não respeito.
Respeito não se impõe, se conquista e se conquista através do diálogo e principalmente do exemplo. É pelo exemplo que ensinamos o certo e o errado. A agressão, a violência só gera e ensina violência. A criança se submeterá enquanto for mais fraca, quando adolescente verificar que sua força física é equivalente a dos pais irá revidar, irá agredir, pois foi agressão que aprendeu.
Quando agredimos os hematomas externos podem durar um ou alguns dias, mas os internos (os da alma) podem durar a vida toda.

No nosso lar e na vida em geral quando estivermos a ponto de explodir, respiremos. O ar invadindo os pulmões nos dá serenidade.
E pensemos: ‘Se o outro deixasse de existir, como seria a nossa vida?’ Se a resposta for um pouco mais vazia é a certeza de que podemos agir de forma diferente. Tolerar mais, ouvir mais, perdoar mais. E porque não é um inimigo que está a nossa frente. É um espírito em busca da perfeição tanto quanto nós. Precisamos uns dos outros para evoluirmos, precisamos nos apoiar mutuamente.
Evitemos estabelecer com os familiares elos de ódio, porque a vida nos unirá novamente para que refaçamos esses laços transformando-os em afeto.
Para uma melhor convivência no lar precisamos começar mudando a nós mesmos combatendo o orgulho e o egoísmo para ter humildade de compreender que muitas vezes também somos motivo, que nem sempre são os outros os culpados pelos desentendimentos.
Utilizando o dialogo diário para compreender as dificuldades dos outros e buscar soluções.
Cultivando a simpatia, sermos menos carrancudos para que os outros tenham coragem e liberdade para dialogar conosco.
Esquecendo maus sentimentos como mágoas e rancores de nossos familiares que erraram conosco, porque nós também erramos e muito.
Respeitando o espaço dos outros, nós não somos donos da verdade e nem de ninguém.
Aceitando as diferenças, ninguém é igual, aceitando defeitos e estimulando qualidades.
Diálogo e perdão são virtudes que ajudam a resolver conflitos para um dia-a-dia familiar mais feliz.
Costumamos não dizer que amamos as pessoas que convivem conosco porque creditamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos. Mesmo que saiba é bom e faz bem à alma recordar nosso amor ao próximo. Quando sentirmos vontade de externar esse sentimento pela palavra ou por um gesto de carinho, um abraço ou um beijo não reprimamos.
É também essencial o exercício da fé. Compartilharmos com nossa família a nossa fé. Como espíritas devemos realizar, pelo menos uma vez por semana, o Evangelho no Lar com todos aqueles que compartilham o nosso lar. Através das leituras e preces irradiamos vibrações positivas.
André Luiz nos diz em Os Mensageiros que “Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do evangelho no lar não é tão só um curso de iluminação interior, mas também um processo avançado de defesa exterior pelas claridades espirituais que acende em torno”.