Nova postagem no blog próximo sábado

domingo, 1 de julho de 2012

Linha Tênue

   "Para atingirmos a vivência do amor em plenitude, não podemos passar insensíveis em determinados fatos tristes da vida. A insensibilidade como nos aprisiona em um espesso bloco de gelo impedindo-nos o crescimento dos sentimentos. São compreensíveis as lágrimas pela partida de estimados companheiros." Forni - Sempre Existirá Esperança

   Comumente escutamos no meio espírita que não devemos chorar a partida para o mundo espiritual daqueles que nos são queridos. Concordo em parte com este conceito, acredito que não devemos chorar desesperadamente a morte de nossos queridos, para não transmitir a eles o nosso desespero, o que os atrapalha em seu momento de transição.

   Mas não chorar a adiantada saudade daqueles cujo contato físico não mais teremos, a voz, a mão amiga, o sorriso. Ainda somos muito apegados a esse contato material com aqueles que amamos, apesar de termos o conhecimento de que a morte não existe e de que nossos entes queridos apenas mudaram de plano e nos aguardam no plano espiritual para um reencontro futuro.

   Porém alguns dizem que ainda não somos espíritas se sofremos a dor da despedida temporária. Se ser espírita é não sofrer a dor de ver partir nossos queridos, que me perdoem Kardec, Leon Denis, Chico Xavier, e outros, pois estou ainda muito longe de ser espírita.

   Sempre considerei o controle excessivo dos sentimentos como insensibilidade. Creio que alguns chegam ao ponto de tal controle que beira o não sentir, ultrapassam a linha tênue entre o controle e a frieza. Alguns são capazes de dormir placidamente ouvindo alguém que chora ao seu lado.

   Onde a linha tênue? Onde o limite do controle dos próprios sentimentos e a frieza de um coração que de tanto controle desaprendeu a amar? De tanto desapego beira a indiferença? Onde esta linha tênue? 

   Não quero ultrapassá-la, não é meu objetivo o não sentir, pelo contrário gosto de sentimentos, mesmo que me levem por vezes ao mais profundo do meu ser, mesmo que me exponha todas as fragilidades humanas, ainda assim prefiro sentir, prefiro sofrer, prefiro demonstrar, prefiro a certeza do amor, do ódio, do alegria, da tristeza que a dúvida da indiferença, da frieza.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fora da Caridade não há Salvação...

Mensagem que recebi de minha amiga Carla e compartilho com os leitores


"...Fora do Cristo não há solução... 
O mundo está repleto de ouro... 
Ouro no solo. 
Ouro no mar. 
Ouro nos cofres. 
Mas o ouro não resolve o problema da miséria. 
O mundo está repleto de espaço...
Espaço nos continentes.
Espaço nas cidades.
Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.
O mundo está repleto de cultura...
Cultura no ensino.
Cultura na técnica.
Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.
O mundo está repleto de teorias.
Teorias nas escolas filosóficas.
Teoria nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.
O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas.
Organizações econômicas.
Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.
Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria;
para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão;
para extinguir o monstro do egoísmo que promove a guerra;
para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Espírita que desentranha da letra, na construção da Humanidade nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela idéia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: "Fora do Cristo não há solução"."

"Bezerra de Menezes" Psicografia de Chico Xavier"


Fora da caridade não há salvação.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Minha Bandeira

   Outro dia fazendo meu diário evangelho no lar, li um trecho que achei um dos mais belos do Evangelho e gostaria de compartilhar com todos:

   Evangelho segundo o Espiritismo Cap. XIII item 13:

   "Chamo-me caridade e sou a rota principal que conduz a Deus; segui-me, porque sou o objetivo a que todos deveis visar.

   Fiz esta manhã minha caminhada habitual e, coração angustiado, venho vos dizer: Oh! meus amigos, quantas misérias, quantas lágrimas, e quanto tendes a fazer para secá-las todas. Inutilmente, procuro consolar as pobres mães, dizendo-lhes ao ouvido: Coragem! Há bons corações que velam sobre vós; não sereis abandonadas; paciência! Deus está aí ; sois suas amadas, sois suas eleitas. Elas pareciam ouvir-me e voltavam para o meu lado grandes olhos ansiosos; eu lia sobre seus pobres rostos que seu corpo, esse tirano do espírito, tinha fome, e que se minhas palavras lhes serenavam um pouco o coração, não enchiam seu estômago. Eu repetia ainda: Coragem! Coragem! Então uma pobre mãe, muito jovem, que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e a estendeu no espaço vazio, como a me pedir para proteger esse pobre e pequeno ser que não tomava num seio estéril senão um alimento insuficiente. 

   Alhures, meus amigos, vi pobres velhos sem trabalho e cedo sem asilo, atormentados por todos os sofrimentos da necessidade, e envergonhados da sua miséria, não ousando, eles que jamais mendigaram, ir implorar a piedade dos transeuntes. Coração cheio de compaixão, eu que nada tenho, me fiz mendiga por eles, e vou por todo lado estimular a beneficência, insuflar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Por isso venho a vós, meus amigos, e vos digo: lá embaixo há infelizes cuja mesa está sem pão, a lareira sem fogo e o leito sem cobertor. Não vos digo o que deveis fazer; deixo essa iniciativa aos vossos bons corações; se vos ditasse a vossa linha de conduta, não teríeis o mérito de vossa boa ação; eu vos digo somente: Sou a caridade, e vos estendo a mão pelos vossos irmãos sofredores.

   Mas se peço, também dou e dou muito; convido-vos para um grande banquete, e vos forneço a árvore onde vos saciareis. Vede como é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, apanhai todos os frutos dessa bela árvore que se chama beneficência. Em lugar dos ramos que houverdes tirado, fixarei todas as boas ações que fizerdes e levarei essa árvore a Deus para que a carregue de novo, porque a beneficência é inesgotável. Segui-me, pois, meus amigos, a fim de que vos conte entre os que se alistam sob a minha bandeira; sede corajosos; eu vos conduzirei no caminho da salvação, porque eu sou a Caridade."

domingo, 24 de junho de 2012

Singelo Carinho ao Amigo Querido

   O meu amigo Filoca tinha (e ainda tem) um coração enorme. Um coração que não mais cabia em seu peito, expandia-se em amor ao próximo.

   O coração do meu amigo mesmo abatido pela dor, não buscou a revolta nem o desespero. Ao contrário, como o filho pródigo, buscou o regaço do Pai.

   O coração do meu amigo encontrou o consolo, a esperança, a força e a coragem. O coração do meu amigo aprendeu a olhar o outro como irmão e, tocado pela dor, a sentir a dor do outro.

   Quantas vezes, Pai, o coração do meu amigo consolou tantas dores: as dores daqueles que tinham fome e frio e que ele desdobrava-se a saciar-lhes as necessidades primeiras? Mas o coração do meu amigo não distribuia apenas o pão do corpo, mas principalmente o pão do espírito com o seu sorriso largo, com a sua mão amiga a segurar forte as nossas, com a palavra amiga e enérgica e o abraço apertado.

   O coração do meu amigo, Pai, abraçou com ardor com a nossa Doutrina, a nossa causa e principalmente a nossa Casa, fez-se presente e presença irradiante no nosso Recanto.

   Cuida do meu amigo Pai, que agora retorna para casa, para os teus braços. O corpo físico dele não mais estará conosco no trabalho que juntos engendramos. Mas o seu espírito, assim que restabelecido, e isso será breve, ombreará conosco em nossa Casa Espírita, incansável como sempre. Sentiremos cada um de nós a sua presença, mesmo que a maioria de nós não possa mais enxergar com os olhos do corpo o seu sorriso largo.

   Aos amigos que agora lêem esta mensagem, me perdoem se o chamo meu amigo e não nosso, mas quando a dor assim nos invade, o egoísmo nos toma de assalto o coração.

   Pai, me perdoa as lágrimas que rolaram, as que nesse momento não consigo controlar, e aquelas que ainda rolarão pelo meu rosto. Elas não são lágrimas de desespero, nem de revolta contra a Tua Vontade, que é sempre a mais acertada. São lágrimas de uma saudade que já dói, de tristeza pela separação momentânea, e de emoção pela certeza de que o amigo agora descansa em braços queridos e que assim que for possível, estará conosco. 

   Porque sabemos, Pai, que na tua infinita bondade e misericórdia, aqueles que verdadeiramente se amam permanecem unidos por laços eternos.

sábado, 23 de junho de 2012

Qualquer dia Amigo a Gente Vai se Encontrar...




Vai em paz meu amigo, teu caminho é de luz e de paz. 
A saudade vai doer, mas sempre estarás conosco, velando por nós, olhando por nós e nos puxando as orelhas.
Aqueles que se ligam através dos laços do amor e do bem, jamais se separam, não importa a distância, não importa o tempo, velam uns pelos outros até reencontrarem-se um dia na verdadeira Pátria, que é a espiritual.


Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Mais do Mesmo

   "O aborto resulta sempre de grave erro de avaliação. A pessoa que o provoca, ou seja, a mulher grávida, por sua própria iniciativa, o parceiro masculino que exerceu sua pressão direta ou indireta, o médico ou curioso que o pratica, todos se envolvem nas responsabilidades do crime cometido, aliás, contra uma pessoa que não tem, sequer, como se defender ou, pelo menos, fugir - ela é destroçada. Não que deixe de existir, como ser imortal que é, mas tem cancelada sua oportunidade de uma nova existência, para a qual certamente tem um programa a cumprir." Hermínio Miranda - Nossos Filhos são Espíritos

   Em postagem anterior falávamos sobre as responsabilidades da mulher que comete o ato desesperado e crime do aborto. Mas não somente ela é responsável por essa atrocidade, muitos são os participantes ativos desse ato.

   O pai da criança que de forma direta solicita a mulher que faça o aborto, alegando diversas justificativas, que nada justificam ou indireta através do seu abandono, pois ele não se julga responsável pelo filho que é gerado. Não tem a consciência de que o ato foi realizado por ambos, logo, ambos possuem responsabilidades com aqueles espírito reencarnante. Ambos comprometeram-se recebe-lo, guiá-lo, educá-lo.

   Fico me perguntando como deve ficar a consciência dessas criaturas que incentivaram, foram cpo-responsáveis, cúmplices. Bem como, daqueles que sabendo-se pais de alguém que está por aí e que não quiseram comprometer-se, como fica esta consciência? Um dia certamente ela despertará... Como ressarcir o erro, o abandono?

   Mas considero pior a situação do profissional de saúde, o médico que prometeu, que jurou aqui na Terra e na espiritualidade comprometeu-se com a medicina, no intuito de salvar vidas, e por ambição material atira-se ensandecido na realização de crimes. A mãe e o pai da criança que não nascerá, cometem um crime contra um espírito, mas e o médico? Quantos crimes pesarão em suas costas? Quanto terá de expiar para ressarcir-se de tamanho erro?

   Lembro-me de certa passagem do livro nosso lar no capítulo intitulado o Vampiro onde uma mulher maltrapilha pede socorro ás portas de Nosso Lar, mas os benfeitores nada podem fazer por ela, pois não está em condições de receber ajuda. Está cercada de pontos e manchas negras:


"E indicando a mendiga que esperava a decisão, a gritar impaciente, exclamou para a enfermeira:
- Já notou, Narcisa, alguma coisa além dos pontos negros?
Agora, era minha instrutora de serviço que respondia negativamente.
- Pois vejo mais - respondeu o Vigilante-Chefe.
Baixando o tom de voz, recomendou:
- Conte as manchas pretas.
Narcisa fixou o olhar na infeliz e respondeu, após alguns instantes:
- Cinqüenta e oito.
O Irmão Paulo, com a paciência dos que sabem esclarecer com amor, explicou:
- Esses pontos escuros representam cinqüenta e oito crianças assassinadas ao nascerem. Em cada mancha vejo a imagem mental de uma criancinha aniquilada, umas por golpes esmagadores, outras por asfixia.
Essa desventurada criatura foi profissional de ginecologia. A pretexto de aliviar consciências alheias, entregava-se a crimes nefandos, explorando a infelicidade de jovens inexperientes. A situação dela é pior que a dos suicidas e homicidas, que, por vezes, apresentam atenuantes de vulto."

terça-feira, 19 de junho de 2012

Meu Direito?

   "A criança cujo corpo está sendo gerado, seja ele um mero ajuntamento das duas ou quatro células iniciais, é um espírito adulto e consciente, dotado de todo um acervo de experiências anteriores, vividas em outras existências terrenas. Se você interrompe a trajetória do corpo em formação , esse espírito, ainda que não totalmente ligado ao pequeno feto, receberá o impacto físico e emocional da violência e da rejeição. É como se você tivesse batido a porta no rosto daquele que veio à sua soleira em noite escura, de temporal gelado, em busca de abrigo, alimento e calor humano. Em busca de acolhida e amor que, na certa, você até lhe deve." Hermínio Miranda - Nossos Filhos são Espíritos

   Discute-se muito ultimamente, na intenção da legalização do aborto, o direito da mulher sobre o próprio corpo.

   Concordo em gênero, número e grau que a mulher tem plenos direitos sobre o seu corpo:

  1. Ela tem o direito de prevenir-se contra uma gravidez indesejada, para isso a ciência nos deu uma diversidade imensa de métodos anticoncepcionais;
  2. Ela tem o direito de não querer gerar filhos, é uma escolha sua, pessoal e intransferível, com a qual terá de arcar a posteriori.
   Tive poucas aulas sobre direito em minha graduação em administração, mas das poucas que tive um conceito me ficou registrado na memória, o qual sempre procuro colocar em prática e que se encaixa perfeitamente nesse caso:

   "A minha liberdade, o meu direito termina no exato momento em que começa o do outro".

   Utilizando-me desse conceito concluo que a mulher tem pleno direito de não ter filhos, prevenindo a sua concepção, mas o seu direito termina no exato momento da concepção quando o direito à vida do outro se inicia. Ela não possui nenhum direito sobre o corpo do outro ser que está sendo formado, mesmo sendo esse corpo constituído de apenas duas células.

   O espírito ligado ao corpo desde a concepção tem o direito à reencarnação. A mulher que o concebe tem o dever e a responsabilidade de ceder-lhe este direito, mesmo que não venha a arcar com a responsabilidade da maternidade, podendo, então, colocar a criança à disposição de pais dispostos a adotá-la. Isso é uma escolha dele, com a qual terá de se haver a posteriori.

   Os espíritos que reencarnam em nossas famílias são, na maioria das vezes, espíritos com os quais possuímos laços anteriores. Podendo ser espíritos com os quais temos dívidas morais a ressarcir através do amor maternal e da educação no lar.

   Pode ser-nos, da mesma forma, um espírito muito amigo e querido de nosso coração, que, mesmo nos chegando aos braços em momento difícil e tempestuoso, nos será arrimo, abraço amigo e motivo de orgulho no futuro.

   Pensemos sobre isso...

   "Livro dos Espíritos questão 344. Em que momento a alma se une ao corpo?
A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”