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sábado, 5 de outubro de 2013

Coragem

   "A coragem é um ato, portanto, de bravura moral, virtude que deve acompanhar o sentimento humano, ao invés do marasmo ante decisões ou diante da acomodação ao que já foi conseguido, da satisfação infantil pelo que se logrou, quando os horizontes mais se ampliam na direção do futuro, à medida que se avança." Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais

   Virtude fundamental em nossas vidas a coragem parece que por vezes nos escorre entre os dedos e a perdemos em alguma parte do caminho, passando grandes períodos de nossas vidas fugindo do encontro inevitável com ela.

   A infelicidade é muito cômoda! Ouvimos esta frase outro dia e quanta sabedoria identificamos em tão poucas palavras. Somos acomodados, temos medo de tomar atitudes que podem mudar nossas vidas e nos tornar mais felizes por medo do desconhecido. Preferimos ficar com o mal conhecido. Vamos nos anulando, nos fechando para o mundo, nos afogando em nossos rancores, mágoas, dissabores...

   É preciso coragem para abandonar o homem velho. É preciso coragem para recomeçar e tentar um novo caminho seja em que ponto dele nos encontremos. A vida pede mudança, pede renovação, por isso nos é oferecido cada dia, cada por-do-sol, cada amanhecer, e com ele nova chance de sermos melhores, melhores para nós mesmos, melhores para o próximo, melhores para o mundo.

   É preciso coragem para virar as páginas que já estão completamente escritas em nossas vidas. É preciso coragem para iniciar um novo capítulo. É preciso coragem para tentar diferente, para fazer diferente, para ser melhor hoje do que fomos ontem.

   É preciso coragem para limpar o coração das mágoas, para desaguar as águas paradas dentro de nós, as águas dos dissabores e dores acumulados por tanto tempo. Porque água parada apodrece e nos faz mal, nos adoece. É preciso coragem para desaguar, para derramar as lágrimas necessárias e seguir em frente de cabeça erguida, mais forte, mais belo, mais amadurecido.

   É preciso coragem para desacomodar, deixar pra trás a infelicidade e seguir em frente na certeza de que a felicidade não está no final do caminho, ela é o próprio caminho e se o caminho que tomamos não nos proporciona alegria, bem-estar, vontade de viver... então, este não é o caminho certo. É preciso coragem para reajustar as velas, girar o remo, mudar os rumos e buscar outra rota. É preciso coragem para ser feliz!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Meu Jardim

"Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores 
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores 
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim"


Vander Lee

sábado, 21 de setembro de 2013

Bailarina

   Queria voltar a escrever no blog, mas ainda não consigo...
   Mas nos últimos tempos recebi tanto carinho dos amigos e inclusive uma mensagem linda, lindíssima que minha querida amiga Denise escreveu pra mim. 
   São palavras tão lindas, tão doces, tão cheias de amizade, compreensão e afeto que decidi compartilhar...

"Ah... Essa menina...

Com a leveza das bailarinas...
Bailava pra lá... Bailava pra cá...
Mas eis, que de repente, um vento mais forte, remexeu o tule da sua saia... Desenrolou seus cabelos...
E ela esperou... E deixou o vento trazer-lhe uma nova forma de dançar, um novo jeito de se esticar...
E, com os cabelos soltos, caindo ao lado do seu rosto, emoldurando a sua beleza, pode então fixar-se no brilho dos seus olhos, diante do espelho...
E chorou, chorou... Uma dor que estava guardada em cascatas a dilacerar-lhe a alma... Até que esvaziou-se... E percebeu que seus olhos brilhavam ainda mais...
E que sua alma fortalecera-se... E que seu bailado transformara-se em algo inesperado e surpreendentemente belo...
E quanto mais rodopiava, cabelos esvoaçantes, tule a balançar-se, sentia-se cada vez mais leve, cada vez mais segura, cada vez mais forte, cada vez mais linda e se amou tão profundamente, tão delicadamente que reconstruiu-se inteira, cabeça erguida, determinada a bailar a dança da vida aproveitando cada acontecimento de forma a estender-se além do infinito...
Ah... Essa menina...
Com a leveza das bailarinas...
Bailava pra lá... Bailava pra cá...
E seus gestos meigos, seu sorriso doce, seu coração amoroso convidavam a dar a volta no mundo, por dentro e por fora de si mesma a fim de transformar-se em luz...
Minha linda bailarina... Minha grande guerreira...
Segue e confia... O amor que te envolve, sustenta-te a alma..."

sábado, 31 de agosto de 2013

Pára e Pensa

   Exposição baseada no Capítulo 'Pára e Pensa' do Livro da Esperança pelo espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. 

   A placa indicada ao lado é das mais fáceis de compreender: uma única palavra, uma única ordem: PARE!

   Quando estamos na autoescola aprendemos a parar a cada vez que visualizamos esta placa, observar se não há algum perigo e em caso negativo seguimos em frente, na prova prática para aquisição da habilitação se não pararmos completamente o carro quando esta placa é avistada a prova termina naquele exato momento, somos reprovados.

   E depois de habilitados, quem de nós pára o carro a cada placa de pare? No máximo diminuímos a velocidade, damos um olhadinha de leve e tocamos em frente.  Estamos apressados demais, ansiosos demais...

   Assim agimos com o carro da nossa existência, vamos tocando apressados acelerando sem termos a noção correta do caminho que estamos seguindo, não paramos para analisar uma situação de perigo, quanto mais para observar a paisagem muitas vezes tão belas que a vida nos apresenta.

   Vivemos gerenciando problemas sem aproveitar os momentos de leveza, os detalhes que fazem a diferença e que nos trazem felicidade.

   No Livro Hora Certa Emmanuel nos diz que “A paz alcançará, primeiramente, aqueles que souberem doá-la em benefício dos outros, sabendo passar sem ela.”

   Todos almejamos a paz, mas o que fazemos em prol da nossa paz e da do próximo? Será que somos aquele que não revida a ofensa ou não costumamos levar desaforo pra casa? Em frente a determinada dificuldade mantemos a serenidade procurando encontrar a melhor solução ou logo perdemos a cabeça gritamos, xingamos, esbravejamos?

   Jesus foi perseguido, xingado, incompreendido, precisou viver mudando-se de local constantemente e no entanto ninguém viveu mais em paz, nenhuma consciência foi mais tranquila que a sua. Mas podemos argumentar que Jesus era um espírito altamente evoluído, o mais evoluído que já passou por este planeta. Mas Jesus precisou evoluir também, ele passou por diversas etapas de evolução antes de chegar ao ponto em que chegou e Jesus sabia parar. Parar e pensar antes de revidar uma agressão, antes de qualquer resposta àqueles que procuravam testá-lo. Jesus, frente às dificuldades sabia que era necessário parar e retirar-se a um lugar tranquilo, orar e sintonizar-se com o Pai.

   No Livro da Esperança nos diz Emmanuel: “Se desatinos dessa ou daquela procedência te visitam a alma, entra em ti mesmo e acende a luz da prece, reexaminando atitudes e reconsiderando problemas, entendendo que a renovação somente será verdadeira renovação para o bem, não à custa de compressões exteriores, mas se projetarmos ao tear da vida o fio do próprio pensamento, intimamente reajustado e emendado por nós”

   Nos mostra Emmanuel que a nossa paz não depende do ambiente exterior, mas de como os problemas são tratados dentro de nós, como reagimos a eles, como são os nossos pensamentos frente às dificuldades, serão eles negativos ou positivos na certeza da superação e da chegada de dias melhores.

   Nos aponta também a importância da prece, que nos acalma, nos tranquiliza, nos dá serenidade, parar, fazer uma prece e pensar, que a melhor solução nos chegará. Jesus nos aconselhava o Orai e Vigiai, orar para nos sintonizar com a espiritualidade maior que nos auxilia na evolução e vigiar nossos atos e pensamentos para que eles estejam em sintonia com este esforço de melhoria que precisamos fazer.

   Não devemos ver os problemas como um fim, mas um momento passageiro. Quando chove e logo vem uma tempestade forte, sabemos que logo, logo a tempestade vai passar, poderá fazer muito barulho, alguns estragos, mas a seguir o sol volta a brilhar e nos reconstruímos, nos recuperamos do prejuízo e a vida segue seu curso.

    De nada adianta a nossa ansiedade, ela não resolverá o problema, certamente até o agravará.

   No Livro Calma Emmanuel nos explica que “Ninguém possui uma serenidade que não construiu. Daí o impositivo da vigilância em nós próprios.”

   Portanto, se ainda não conseguimos manter a serenidade não nos culpemos, não fiquemos nos cobrando por isso. A serenidade frente os momentos difíceis é exercício diário que só vamos adquirir com a prática, com o erro e o acerto, até que se transforme em hábito. Todo dia enfrentaremos momentos, por menores que sejam, que nos suscitarão o aprendizado da serenidade, do parar e pensar antes de agir, para que a nossa ação seja em prol do bem para nós e para o próximo.

   Necessário aprendermos a silenciar a nossa mente para que possamos ouvir os conselhos daqueles amigos espirituais que nos inspiram e nos querem bem. Façamos silêncio ao nosso redor e principalmente dentro de nós, calemos por alguns instantes por dia, façamos pequenas pausas durante o nosso dia, mesmo que seja de alguns minutos, nos recolhamos a um lugar mais calmo e procuremos fazer um prece e pedir auxilio para que a serenidade em nós faça morada e que os nossos atos revelem essa paz que aos poucos iremos construindo em nós.

   Parar e pensar nos auxiliará não somente nos momentos difíceis, mas também nos dará uma visão mais positiva da vida, nos auxiliará a perceber e aproveitar  o que realmente é importante em nossas vidas: o sorriso dos nossos filhos, a conversa fraterna dentro do nosso lar, a companhia dos amigos, abraço apertado quando precisamos, o sorriso amigo de compreensão.

   Para encerrarmos trouxemos uma prece, que é verdadeiramente uma poesia, uma conversa com Deus e que este seja um pedido sincero nosso para que o Pai amoroso nos auxilie:



ACALMA MEU PASSO, SENHOR


Acalma  meu passo, Senhor!
Desacelera as batidas do meu coração,
acalmando minha mente.
Diminua meu ritmo apressado
com uma visão da eternidade do tempo.
Em meio às confusões do dia a dia,
dê-me a tranqüilidade das montanhas.
Retira a tensão dos meus músculos e nervos
com a música tranqüilizante dos rios de águas constantes
que vivem em minhas lembranças.
Ajuda-me a conhecer
o poder mágico e reparador do sono.
Ensina-me a arte de tirar pequenas férias:
reduzir o meu ritmo para contemplar uma flor,
papear com um amigo,
 afagar uma criança,
 ler um poema,
ouvir uma música preferida.
Acalma meu passo, Senhor,
para que eu possa perceber
no meio do incessante labor cotidiano
 dos ruídos, lutas, alegrias,
 cansaços ou desalentos,
 a Tua presença constante no meu coração.
 Acalma meu passo, Senhor,
para que eu possa entoar
 o cântico da esperança,
 sorrir para o meu próximo
 e calar-me para escutar a Tua voz.
Acalma meu passo, Senhor,
e inspira-me a enterrar minhas raízes
no solo dos valores duradouros da vida,
para que eu possa crescer
até as estrelas do meu destino maior.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Guia

"Se você estiver num país desconhecido e não souber a língua que ali se fala, tampouco se locomover para os locais desejados, precisará de um guia que lhe oriente qual direção tomar. E você seguirá todas as suas orientações, ainda que o caminho lhe pareça estranho ou difícil. Uma vez que você confia na indicação do guia, você o segue. Com Jesus se dá o mesmo. estamos vivendo na Terra, um local de muitos perigos, para o nosso Espírito ainda frágil e inseguro. Somos almas imperfeitas e facilmente tomamos atalhos perigosos para a nossa real felicidade. Mas Jesus é o guia que nos levará a uma viagem tranquila e feliz. Não será uma viagem fácil, mas, sem dúvida alguma, chegaremos ao destina da felicidade que tanto queremos. Mas, para que isso aconteça, precisamos confiar no Guia e segui-lo. Estamos dispostos?" Alguém Me Tocou - José Carlos de Lucca

sábado, 24 de agosto de 2013

Quando entrar Setembro...

   "O perdão não é um evento, é um processo. Em outras palavras, poderíamos dizer que perdoar não é um ato que se realiza de um minuto para o outro, mas uma atitude que gradualmente impregna o ser e ocorre no tempo certo, próprio de cada um." Suely Schubert - Transtornos Mentais.

   Abordarmos o tema perdão é tão difícil quanto a prática do mesmo, mas a frase citada de Suely Schubert no traz a reflexão sobre a diferença entre perdoarmos e desculparmos.

   Muitas são as vezes em que agimos mal com o nosso próximo, principalmente dentro do nosso lar e solicitamos desculpas sinceras, reconhecendo o nosso erro e a recíproca é verdadeira, tantas vezes o outro reconhecendo o erro nos solicita sinceras desculpas.

   Desculpamos, procuramos deixar pra lá o acontecido, porém no primeira discussão surgida entre as partes vem logo a tona o fato passado que nos magoou e nos feriu e o atiramos ao rosto do nosso afeto naquele momento de raiva, de destempero.

   Desculpamos, mas não perdoamos. Somos peritos na arte de desculpar de deixar pra lá o ocorrido e tocar em frente, mas não resolvemos aquela situação em nosso íntimo. Muitas vezes desculpamos o outro para que o clima entre nós volte à 'normalidade', porque já estamos cansados de ficar de cara feia, mas não dialogamos a respeito do ocorrido. Por algum motivo, seja para não criar mais atrito ou por qualquer outra razão, deixamos de expor ao outro quais os nossos sentimentos frente aquele ato que nos machucou.

   E então desculpamos, mas não perdoamos, porque aquela dor, aquela ferida ainda está aberta em nosso peito, ainda sangra e por vezes nos pegamos a cutucá-la remoendo o acontecido, quando o outro até mesmo já o esqueceu. Mas nós não esquecemos.

   Aquela palavra mal empregada em momento inadequado, aquela atitude imprópria, aquele grito num momento de raiva ainda ecoa em nossa mente, não perdoamos. 

   Não perdoamos exatamente porque como nos diz Schubert, o perdão não é um evento é um processo. Ele não ocorre simplesmente porque queremos perdoar, porque queremos passar uma borracha no assunto e tocar em frente. Ele é um processo, e como qualquer processo requer tempo, requer que nos demos um tempo para digerir a situação, para compreender as razões do outro. E neste momento quão importante seria o diálogo, o poder expor ao outro o nosso sentimento, com tranquilidade, procurando nos fazer compreendido, mas muitas vezes o outro não está aberto a isso. E então o processo se torna mais lento.

   Mas é um processo necessário, ao qual precisamos estar dispostos e abertos porque as mágoas causam profundos abalos em nós quando acumuladas por longo período de tempo. São as causadoras de inúmeras doenças graves e que por vezes nos tiram a vida antes do tempo. 

   Não cultivemos dores, não reguemos nossas mágoas, não alimentemos nossos ressentimentos, procuremos trabalhar essas dores dentro de nós através da compreensão de que todos somos imperfeitos, todos temos nosso tempo, todos cometemos sérios erros. Estamos a caminho da evolução, mas ainda muito distantes do objetivo final...

   O outro tem o sem tempo, eu tenho o meu e você tem o seu... procuremos compreender isso e o processo tornar-se-á mais fácil e menos doloroso. Fácil? Ninguém disse que seria... Mas se como Chico e tantos outros espíritos iluminados que passaram por nosso Planeta, já soubéssemos exercitar o amor, não necessitaríamos pedir perdão ou perdoar, porque aquele que verdadeiramente ama jamais se sente agredido ou magoado.

   "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão onde a gente plantou..." 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Quando meu Corpo Dança...

"Eu danço aquele dia. Danço aquilo que fiz. Danço aquilo que pensei. Danço aquilo que senti.
Danço aquela conquista, quando me achei a mulher mais feliz do mundo. No mover dos meus braços está aquela felicidade. Estão em meu rosto todos os sorrisos...
Danço aquela lembrança, aquele passado nunca esquecido. Nas minhas pernas está esse caminhar longínquo enquanto danço...
Danço aquele alguém. Danço o amor. Está em meus olhos enquanto me movo...
Danço aquele beijo. Meu corpo desenha aquela noite... o sentir da pele, do outro corpo... o nós dois nos momentos em que fomos um...
Danço aquela discussão que tivemos. E aquela que não. A raiva que senti está em meu rosto, enquanto meu corpo faz aquele movimento... sai pelos meus poros junto ao suor...
Danço aquela dor. Meu corpo diz... Diz sobre meus medos e minhas angústias enquanto danço...
Danço aquilo que gostaria de falar e não falei. Digo com o meu corpo enquanto danço. Quando travei meus dentes com força para prender as palavras que queriam sair... não saíram naquele momento, mas saem naquele giro...
Danço aquela mágoa, deixando passar o momento. Era sofrimento. Torna-se perdão naquele salto...
Danço aquele choro. Meu corpo desenha as lágrimas e diminui o tamanho daquela dor enquanto danço...
Danço os meus segredos. Os mais íntimos e indizíveis. Meu corpo escreve essas palavras não ditas enquanto danço. Até os meus dedos movimentam essas sensações...
Danço os meus sonhos, minhas fantasias... estão em cada passo. Meu corpo paira sobre nuvens... são os meus sonhos esquecidos... perdidos... estão ali enquanto danço...
Danço a minha vida. Os movimentos, ao mesmo tempo que refletem, revivem... vivem... resolvem... tocam... terminam... começam...
Mostram e me tornam aquilo que sou...
Danço tudo de mim.
Danço a mim mesma...
E, ao fim, ofegante... respiro a minha história."

Tati Guidio