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sábado, 31 de agosto de 2013

Pára e Pensa

   Exposição baseada no Capítulo 'Pára e Pensa' do Livro da Esperança pelo espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. 

   A placa indicada ao lado é das mais fáceis de compreender: uma única palavra, uma única ordem: PARE!

   Quando estamos na autoescola aprendemos a parar a cada vez que visualizamos esta placa, observar se não há algum perigo e em caso negativo seguimos em frente, na prova prática para aquisição da habilitação se não pararmos completamente o carro quando esta placa é avistada a prova termina naquele exato momento, somos reprovados.

   E depois de habilitados, quem de nós pára o carro a cada placa de pare? No máximo diminuímos a velocidade, damos um olhadinha de leve e tocamos em frente.  Estamos apressados demais, ansiosos demais...

   Assim agimos com o carro da nossa existência, vamos tocando apressados acelerando sem termos a noção correta do caminho que estamos seguindo, não paramos para analisar uma situação de perigo, quanto mais para observar a paisagem muitas vezes tão belas que a vida nos apresenta.

   Vivemos gerenciando problemas sem aproveitar os momentos de leveza, os detalhes que fazem a diferença e que nos trazem felicidade.

   No Livro Hora Certa Emmanuel nos diz que “A paz alcançará, primeiramente, aqueles que souberem doá-la em benefício dos outros, sabendo passar sem ela.”

   Todos almejamos a paz, mas o que fazemos em prol da nossa paz e da do próximo? Será que somos aquele que não revida a ofensa ou não costumamos levar desaforo pra casa? Em frente a determinada dificuldade mantemos a serenidade procurando encontrar a melhor solução ou logo perdemos a cabeça gritamos, xingamos, esbravejamos?

   Jesus foi perseguido, xingado, incompreendido, precisou viver mudando-se de local constantemente e no entanto ninguém viveu mais em paz, nenhuma consciência foi mais tranquila que a sua. Mas podemos argumentar que Jesus era um espírito altamente evoluído, o mais evoluído que já passou por este planeta. Mas Jesus precisou evoluir também, ele passou por diversas etapas de evolução antes de chegar ao ponto em que chegou e Jesus sabia parar. Parar e pensar antes de revidar uma agressão, antes de qualquer resposta àqueles que procuravam testá-lo. Jesus, frente às dificuldades sabia que era necessário parar e retirar-se a um lugar tranquilo, orar e sintonizar-se com o Pai.

   No Livro da Esperança nos diz Emmanuel: “Se desatinos dessa ou daquela procedência te visitam a alma, entra em ti mesmo e acende a luz da prece, reexaminando atitudes e reconsiderando problemas, entendendo que a renovação somente será verdadeira renovação para o bem, não à custa de compressões exteriores, mas se projetarmos ao tear da vida o fio do próprio pensamento, intimamente reajustado e emendado por nós”

   Nos mostra Emmanuel que a nossa paz não depende do ambiente exterior, mas de como os problemas são tratados dentro de nós, como reagimos a eles, como são os nossos pensamentos frente às dificuldades, serão eles negativos ou positivos na certeza da superação e da chegada de dias melhores.

   Nos aponta também a importância da prece, que nos acalma, nos tranquiliza, nos dá serenidade, parar, fazer uma prece e pensar, que a melhor solução nos chegará. Jesus nos aconselhava o Orai e Vigiai, orar para nos sintonizar com a espiritualidade maior que nos auxilia na evolução e vigiar nossos atos e pensamentos para que eles estejam em sintonia com este esforço de melhoria que precisamos fazer.

   Não devemos ver os problemas como um fim, mas um momento passageiro. Quando chove e logo vem uma tempestade forte, sabemos que logo, logo a tempestade vai passar, poderá fazer muito barulho, alguns estragos, mas a seguir o sol volta a brilhar e nos reconstruímos, nos recuperamos do prejuízo e a vida segue seu curso.

    De nada adianta a nossa ansiedade, ela não resolverá o problema, certamente até o agravará.

   No Livro Calma Emmanuel nos explica que “Ninguém possui uma serenidade que não construiu. Daí o impositivo da vigilância em nós próprios.”

   Portanto, se ainda não conseguimos manter a serenidade não nos culpemos, não fiquemos nos cobrando por isso. A serenidade frente os momentos difíceis é exercício diário que só vamos adquirir com a prática, com o erro e o acerto, até que se transforme em hábito. Todo dia enfrentaremos momentos, por menores que sejam, que nos suscitarão o aprendizado da serenidade, do parar e pensar antes de agir, para que a nossa ação seja em prol do bem para nós e para o próximo.

   Necessário aprendermos a silenciar a nossa mente para que possamos ouvir os conselhos daqueles amigos espirituais que nos inspiram e nos querem bem. Façamos silêncio ao nosso redor e principalmente dentro de nós, calemos por alguns instantes por dia, façamos pequenas pausas durante o nosso dia, mesmo que seja de alguns minutos, nos recolhamos a um lugar mais calmo e procuremos fazer um prece e pedir auxilio para que a serenidade em nós faça morada e que os nossos atos revelem essa paz que aos poucos iremos construindo em nós.

   Parar e pensar nos auxiliará não somente nos momentos difíceis, mas também nos dará uma visão mais positiva da vida, nos auxiliará a perceber e aproveitar  o que realmente é importante em nossas vidas: o sorriso dos nossos filhos, a conversa fraterna dentro do nosso lar, a companhia dos amigos, abraço apertado quando precisamos, o sorriso amigo de compreensão.

   Para encerrarmos trouxemos uma prece, que é verdadeiramente uma poesia, uma conversa com Deus e que este seja um pedido sincero nosso para que o Pai amoroso nos auxilie:



ACALMA MEU PASSO, SENHOR


Acalma  meu passo, Senhor!
Desacelera as batidas do meu coração,
acalmando minha mente.
Diminua meu ritmo apressado
com uma visão da eternidade do tempo.
Em meio às confusões do dia a dia,
dê-me a tranqüilidade das montanhas.
Retira a tensão dos meus músculos e nervos
com a música tranqüilizante dos rios de águas constantes
que vivem em minhas lembranças.
Ajuda-me a conhecer
o poder mágico e reparador do sono.
Ensina-me a arte de tirar pequenas férias:
reduzir o meu ritmo para contemplar uma flor,
papear com um amigo,
 afagar uma criança,
 ler um poema,
ouvir uma música preferida.
Acalma meu passo, Senhor,
para que eu possa perceber
no meio do incessante labor cotidiano
 dos ruídos, lutas, alegrias,
 cansaços ou desalentos,
 a Tua presença constante no meu coração.
 Acalma meu passo, Senhor,
para que eu possa entoar
 o cântico da esperança,
 sorrir para o meu próximo
 e calar-me para escutar a Tua voz.
Acalma meu passo, Senhor,
e inspira-me a enterrar minhas raízes
no solo dos valores duradouros da vida,
para que eu possa crescer
até as estrelas do meu destino maior.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Guia

"Se você estiver num país desconhecido e não souber a língua que ali se fala, tampouco se locomover para os locais desejados, precisará de um guia que lhe oriente qual direção tomar. E você seguirá todas as suas orientações, ainda que o caminho lhe pareça estranho ou difícil. Uma vez que você confia na indicação do guia, você o segue. Com Jesus se dá o mesmo. estamos vivendo na Terra, um local de muitos perigos, para o nosso Espírito ainda frágil e inseguro. Somos almas imperfeitas e facilmente tomamos atalhos perigosos para a nossa real felicidade. Mas Jesus é o guia que nos levará a uma viagem tranquila e feliz. Não será uma viagem fácil, mas, sem dúvida alguma, chegaremos ao destina da felicidade que tanto queremos. Mas, para que isso aconteça, precisamos confiar no Guia e segui-lo. Estamos dispostos?" Alguém Me Tocou - José Carlos de Lucca

sábado, 24 de agosto de 2013

Quando entrar Setembro...

   "O perdão não é um evento, é um processo. Em outras palavras, poderíamos dizer que perdoar não é um ato que se realiza de um minuto para o outro, mas uma atitude que gradualmente impregna o ser e ocorre no tempo certo, próprio de cada um." Suely Schubert - Transtornos Mentais.

   Abordarmos o tema perdão é tão difícil quanto a prática do mesmo, mas a frase citada de Suely Schubert no traz a reflexão sobre a diferença entre perdoarmos e desculparmos.

   Muitas são as vezes em que agimos mal com o nosso próximo, principalmente dentro do nosso lar e solicitamos desculpas sinceras, reconhecendo o nosso erro e a recíproca é verdadeira, tantas vezes o outro reconhecendo o erro nos solicita sinceras desculpas.

   Desculpamos, procuramos deixar pra lá o acontecido, porém no primeira discussão surgida entre as partes vem logo a tona o fato passado que nos magoou e nos feriu e o atiramos ao rosto do nosso afeto naquele momento de raiva, de destempero.

   Desculpamos, mas não perdoamos. Somos peritos na arte de desculpar de deixar pra lá o ocorrido e tocar em frente, mas não resolvemos aquela situação em nosso íntimo. Muitas vezes desculpamos o outro para que o clima entre nós volte à 'normalidade', porque já estamos cansados de ficar de cara feia, mas não dialogamos a respeito do ocorrido. Por algum motivo, seja para não criar mais atrito ou por qualquer outra razão, deixamos de expor ao outro quais os nossos sentimentos frente aquele ato que nos machucou.

   E então desculpamos, mas não perdoamos, porque aquela dor, aquela ferida ainda está aberta em nosso peito, ainda sangra e por vezes nos pegamos a cutucá-la remoendo o acontecido, quando o outro até mesmo já o esqueceu. Mas nós não esquecemos.

   Aquela palavra mal empregada em momento inadequado, aquela atitude imprópria, aquele grito num momento de raiva ainda ecoa em nossa mente, não perdoamos. 

   Não perdoamos exatamente porque como nos diz Schubert, o perdão não é um evento é um processo. Ele não ocorre simplesmente porque queremos perdoar, porque queremos passar uma borracha no assunto e tocar em frente. Ele é um processo, e como qualquer processo requer tempo, requer que nos demos um tempo para digerir a situação, para compreender as razões do outro. E neste momento quão importante seria o diálogo, o poder expor ao outro o nosso sentimento, com tranquilidade, procurando nos fazer compreendido, mas muitas vezes o outro não está aberto a isso. E então o processo se torna mais lento.

   Mas é um processo necessário, ao qual precisamos estar dispostos e abertos porque as mágoas causam profundos abalos em nós quando acumuladas por longo período de tempo. São as causadoras de inúmeras doenças graves e que por vezes nos tiram a vida antes do tempo. 

   Não cultivemos dores, não reguemos nossas mágoas, não alimentemos nossos ressentimentos, procuremos trabalhar essas dores dentro de nós através da compreensão de que todos somos imperfeitos, todos temos nosso tempo, todos cometemos sérios erros. Estamos a caminho da evolução, mas ainda muito distantes do objetivo final...

   O outro tem o sem tempo, eu tenho o meu e você tem o seu... procuremos compreender isso e o processo tornar-se-á mais fácil e menos doloroso. Fácil? Ninguém disse que seria... Mas se como Chico e tantos outros espíritos iluminados que passaram por nosso Planeta, já soubéssemos exercitar o amor, não necessitaríamos pedir perdão ou perdoar, porque aquele que verdadeiramente ama jamais se sente agredido ou magoado.

   "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão onde a gente plantou..." 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Quando meu Corpo Dança...

"Eu danço aquele dia. Danço aquilo que fiz. Danço aquilo que pensei. Danço aquilo que senti.
Danço aquela conquista, quando me achei a mulher mais feliz do mundo. No mover dos meus braços está aquela felicidade. Estão em meu rosto todos os sorrisos...
Danço aquela lembrança, aquele passado nunca esquecido. Nas minhas pernas está esse caminhar longínquo enquanto danço...
Danço aquele alguém. Danço o amor. Está em meus olhos enquanto me movo...
Danço aquele beijo. Meu corpo desenha aquela noite... o sentir da pele, do outro corpo... o nós dois nos momentos em que fomos um...
Danço aquela discussão que tivemos. E aquela que não. A raiva que senti está em meu rosto, enquanto meu corpo faz aquele movimento... sai pelos meus poros junto ao suor...
Danço aquela dor. Meu corpo diz... Diz sobre meus medos e minhas angústias enquanto danço...
Danço aquilo que gostaria de falar e não falei. Digo com o meu corpo enquanto danço. Quando travei meus dentes com força para prender as palavras que queriam sair... não saíram naquele momento, mas saem naquele giro...
Danço aquela mágoa, deixando passar o momento. Era sofrimento. Torna-se perdão naquele salto...
Danço aquele choro. Meu corpo desenha as lágrimas e diminui o tamanho daquela dor enquanto danço...
Danço os meus segredos. Os mais íntimos e indizíveis. Meu corpo escreve essas palavras não ditas enquanto danço. Até os meus dedos movimentam essas sensações...
Danço os meus sonhos, minhas fantasias... estão em cada passo. Meu corpo paira sobre nuvens... são os meus sonhos esquecidos... perdidos... estão ali enquanto danço...
Danço a minha vida. Os movimentos, ao mesmo tempo que refletem, revivem... vivem... resolvem... tocam... terminam... começam...
Mostram e me tornam aquilo que sou...
Danço tudo de mim.
Danço a mim mesma...
E, ao fim, ofegante... respiro a minha história."

Tati Guidio

sábado, 17 de agosto de 2013

Ao Longo da Estrada...

   "Toda alma tem, pois, a sua vibração particular e diferente. O seu movimento próprio, o seu ritmo, é a representação exata do seu poder dinâmico, do seu valor intelectual, da sua elevação moral... As almas que vibram uníssonas reconhecem-se e chamam-se através do espaço. Daí as atrações, as simpatias, a amizade, o amor." León Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor.

   Somos seres individuais, únicos, cada um de nós percorreu um determinado caminho que é só seu, utilizou de seu livre-arbítrio, tomou decisões que foram somente suas. E mesmo aqueles que não tomaram uma decisão, decidiram desta forma.

   E através destas escolhas fomos e vamos construindo nosso destino que altera-se a todo momento conforme as sementes que atiramos ao longo da estrada. Cada um de nós tem sua própria história e seu próprio ritmo no caminhar, alguns seguem mais apressados, esbaforidos, aceleram a viagem e não aproveitam a paisagem. Outros seguem caminho mais lento observando o que ocorre ao seu redor, procurando compreender e estudar cada palmo do caminho. Outros ainda arrastam-se pelo caminho, negam-se a dar um passo adiante a marcam passo na existência entregues ao ócio e à preguiça.

   E por tudo isso cada um de nós vibra em sua própria sintonia, construída por suas experiências, seus pensamentos, sua própria energia. E durante a jornada vamos encontrando aqueles que nos machucaram ou cuja sintonia oposta à nossa nos causa animosidade, e precisamos aprender a conviver com eles, trocar, aprender, reajustar, porque cada ser que cruza nosso caminho tem algo a aprender conosco e algo a nos ensinar...

   Mas a Misericórdia Divina jamais nos desampara e coloca em nossa caminho, igualmente, aquelas almas queridas, aquelas que já cruzaram anteriormente a nossa jornada e com as quais já construímos laços de amor, de ternura, de carinho. São almas que vibram na mesma sintonia, as almas que como citou León Denis, vibram juntas, reconhecem-se e chamam-se através do espaço. E mesmo que não possam estar sempre presentes fisicamente velam por nós de qualquer lugar do espaço onde se encontrem, e suas energias amorosas nos alcançam, nos dando forças para vencer as dificuldades e seguir em frente em nossa  jornada evolutiva.

   Por mais difícil que pareça o momento em que vivemos... jamais estaremos sós, sempre teremos amigos velando, torcendo, vibrando por nós.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Eu sei, mas não devia

Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, 10 de agosto de 2013

Felicidade

"Para ser feliz não precisas de grandes fortunas, de beleza estonteante, de estética perfeita, de saúde e vigor, do emprego afortunado e nem mesmo do amor dos outros, pois o amor dos outros por ti é conquista deles e não tua.
Para que sejas feliz, basta o necessário, basta o trabalho que te fala bem, que te garanta o sustento, basta a vontade de agir e de viver, que faz superar qualquer dificuldade existente com o corpo físico, basta uma mente ativa e um coração que te deixe viver para amar e amar muito." Mancini - Conforto nas Dores da Alma.

Vivendo em um mundo ainda muito materialista, nosso conceito de felicidade é ainda bastante distorcido. Somos espíritos habitando um corpo material, mas nos apegamos demasiadamente ao corpo material e aos bens materiais que a vida na Terra nos proporciona ou pode proporcionar.

Estabelecemos diversas metas, as quais atribuímos a nossa felicidade. Eu serei feliz quando adquirir meu carro, serei feliz quando tiver minha casa, serei feliz quando encontrar alguém que me ame... e assim por diante.

Colocamos a felicidade sempre no alcançar algo, no externo, no que está longe de nós. E quando esses objetivos são atingidos como nos sentimos? A primeira sensação é da euforia, ficamos momentaneamente extremamente felizes com a conquista, mas decorrido algum tempo retornamos ao nosso estado anterior de felicidade ou infelicidade.

A felicidade é uma conquista interior, é uma decisão íntima que cada um de nós deve tomar e que deve ser independente do que vem de fora. A felicidade deve estar na busca das nossas metas e não apenas na conquista em si. Nos dizia Gandi que não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o próprio caminho.

Não devemos procurar a felicidade no amor que venha do outro seja ele um pai, mãe, filho ou cônjuge. A felicidade não encontra-se em nos sentirmos amados, mas em doarmos o nosso amor ao outro. Ser amado é algo que não depende de nós, depende da capacidade do outro. Nesse fato, o de colocarmos a nossa felicidade na espera do amor do outro, é que encontra-se a causa do fracassos de muitos relacionamentos e da maioria de nossas desilusões, porque cada um de nós possui uma capacidade de amar que é individual e que depende da evolução, das experiências de cada um, de como cada um aprendeu a amar.

Esperamos que o outro nos ame da forma como julgamos que deveria amar, mas o outro nos amará ou não da forma como sabe, como aprendeu e isso não significa que ame menos ou mais. Portanto, a felicidade deve estar em amar, em aprender a amar o outro como ele é, aceitando-o e aprendendo com suas virtudes e imperfeições, perdoando as falhas alheias como necessitamos de perdão e aceitação com as nossas imperfeições e falhas.

Paremos de nos torturar atrás de uma felicidade externa e que não depende de nós, ela não está lá. Ela está no nosso sentimento de gratidão a Deus por cada dia, por cada oportunidade de nos melhorarmos, de aprendermos, ela está nos pequenos momentos que dividimos com aqueles que amamos e nos amor que a eles dedicamos sem nada esperar em troca, ela está no trabalho de auxílio ao semelhante e na luz que se acende em nossa alma quando estendemos a mão a quem necessita.

A felicidade está na nossa capacidade de esquecermos mágoas, rancores, ódios e nos livrarmos de todos os sentimentos maus que ainda nos habitam, está em sequer permitir que estes façam morada em nossos corações.