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sábado, 5 de janeiro de 2013

Verbo Nosso


            Exposição baseada no capítulo "Verbo Nosso" do Livro da Esperança psicografia de Chico Xavier pelo espírito Emmanuel.
            No ESE Cap. IX Bem aventurados os brandos e pacíficos nos dizem os benfeitores espirituais:
“Se ponderasse que a cólera nada soluciona, que lhe altera a saúde e compromete a sua própria vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, deveria contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não sentirá remorso por fazer sofrer as criaturas que mais ama? E que mágoa profunda não sentiria se, num acesso de arrebatamento, cometesse um ato de que teria de arrepender-se por toda a vida.”

            Com a correria do nosso dia-a-dia vivemos com os nervos a flor da pele, prontos a explodir a qualquer momento, andamos pelas ruas como verdadeiras bombas atômicas que por qualquer palavra que escutamos e que não nos agrada, ou por qualquer crítica que ouvimos no trabalho estouramos.

            E onde estouramos? Não podemos fazer isso no trabalho, pois corremos o risco de perder o emprego, nem na rua, pois não é de bom tom e poderá nos causar sérios problemas, logo, onde descarregamos? Naqueles que mais amamos, dentro do nosso lar, na nossa esposa ou esposo que tentam dividir conosco um momento difícil de seu dia e já perdemos a paciência. Ou então nos nossos pequeninos, que saudosos de nossa presença querem atenção, querem nos mostrar suas descobertas, querem nossa companhia para suas brincadeiras.

            Mas estamos cansados e com essa desculpa justificamos a palavra rude para a esposa, a intolerância com o pequenino e nesse momento o nosso verbo não é utilizado para o bem, o nosso verbo nesse momento é o verbo que magoa, que humilha, que entristece.

            Em muitos casos uma pequena diferença dentro do lar nesses momentos acaba gerando discussões desnecessárias onde falamos uns para os outros palavras ofensivas, palavras que magoam, que causam feridas que serão difíceis de cicatrizar.

            Precisamos estar atentos ao que falamos dentro do nosso lar, somos exemplos para os nossos filhos, aquilo que hoje falamos, o verbo nosso será o deles no futuro, nosso exemplo será o que eles seguirão como modo correto de agir no futuro, em suas vidas adultas. Nossa responsabilidade é de guiá-los no caminho do bem, ensinando o diálogo dentro do lar, tratando-os com palavras afetuosas, repreendendo sem ofender ou humilhar.

            No livro Calma Emmanuel nos diz assim: “Não te digas sofrendo esgotamento e fadiga parta poder lançar frases tempestuosas e ofensivas; aqueles que se encontram realmente cansados procuram repouso e silêncio.”

            O silêncio é fundamental em nossas vidas, assim como o verbo, se observarmos todos temos dois ouvidos e uma boca, o que nos ensina que devemos ouvir mais do que falar. Prestar atenção ao que vamos dizer, filtrar as palavras antes de as expressar. Observar primeiramente a situação e o estado emocional do nosso próximo antes de falar alguma coisa.

Procurar que as nossas palavras sejam de coragem, de alegria, de ensinamento e se em nada disso pudermos colaborar no momento, se a raiva, a cólera nos estiverem dominando, refugiemo-nos no silêncio. O silêncio que aguarda a tempestade passar, para somente depois analisar os fatos e buscar o diálogo.

Somos sempre os primeiros a sermos atingidos pela nossa própria cólera, quando revidamos uma agressão, estamos emitindo para o outro ondas negativas e essas ondas passam primeiro por nós mesmos. Somos os primeiros a ser prejudicados, nosso corpo físico sofre com a nossa cólera, daí derivam as úlceras, as dores estomacais, dores de cabeça, e tantas outras manifestações doentias mais sérias em nosso físico no futuro.

            Dizemos que no momento da raiva falamos sem pensar, mas nenhum de nós é capaz disso, tudo o que falamos passa primeiro pelo nosso pensamento, e se falamos algo ruim é porque aquilo em algum momento passou pelo nosso pensamento. São as nossas imperfeições vindo a tona.

            Lucas cap 6 vers. 45 nos disse que “a boca fala do que está cheio o coração”. Procuremos conhecer o nosso coração, limpar os nossos pensamentos, substituir nossos maus pensamentos por bons. Quando nos vier à mente o defeito, a imperfeição, o julgamento do próximo, procuremos imediatamente pensar nas suas virtudes, nos momentos bons que compartilhamos.

            Aquilo que falamos num momento de cólera pode levar muito, muito tempo para ser corrigido. Muitos de nós chegamos a casa espírita vítimas de ferrenhos obsessores, que nos fazem sofrer, que nos prejudicam, e muitas vezes essa obsessão que nos acompanha hoje e talvez venha nos acompanhando a séculos, pois somos espíritos eternos, tenha sido derivada de uma palavra mal colocada, de uma momento de cólera, de uma frase que magoou, que feriu, e esse perseguidor que julgamos nosso algoz, é na verdade, alguém ferido, magoado por nossas palavras, pelo verbo nosso.

            Podemos canalizar nossa agressividade, transformá-la, através de atividades que nos deem prazer, como atividades físicas, um trabalho artesanal que gostamos de fazer, uma leitura, um trabalho voluntário em uma instituição de auxílio ao próximo. Isso nos ajudará a manter a harmonia.

            E sempre que estivermos a ponto de perder a cabeça, quando percebermos que o verbo nosso será de dor e de agressividade busquemos a prece. Ela não irá modificar a situação, mas irá nos modificar diante da situação, nos trará paz, harmonia para mantermos a serenidade.

            No LE questão 660 Kardec pergunta aos benfeitores:
            “A prece torna o homem melhor? Sim, porque aquele que ora com fervor e confiança é mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia os bons espíritos para o assistir. É um socorro que não é jamais recusado, quando pedido com sinceridade.

“Havia um garoto que tinha um temperamento muito explosivo. O pai querendo ensinar-lhe a ser mais paciente deu-lhe um saco de pregos e uma tábua dizendo-lhe que toda vez que perdesse a paciência com alguém aos invés de explodir deveria pregar um prego na tábua.
No primeiro dia pregou 37 pregos na tábua. Mas os pregos eram grandes e a tábua dura, o menino pequeno precisava fazer grande esforço para colocar os pregos. Assim foi aprendendo que era mais fácil controlar sua raiva do que pregar a tábua.
Finalmente um dia ele conseguiu controlar sua raiva e não precisou mais colocar pregos na tábua. Ele falou com seu pai sobre como estava se sentindo melhor em não explodir com os outros e o pai sugeriu que ele retirasse todos os pregos da tábua e que a trouxesse para ele. 
O garoto então trouxe a placa de madeira, já sem os pregos e a entregou a seu pai. 
O pai disse ao menino: - “Você aprendeu uma grande lição meu filho sobre como controlar sua agressividade, mas dê uma olhada nos buracos que os pregos deixaram na tábua, percebe que ela nunca mais será como antes?”. Quando você diz coisas estando com raiva, suas palavras deixam marcas como essas. Não importa quantas vezes você peça desculpas, a cicatriz ainda continuará lá.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Deus te vê

"Deus te vê, alma querida,
Quando te pões na trilha escura,
Para ajudar aos filhos da amargura
Que tanta vez se vão 
Como sombras errantes no caminho
- Chagas pensantes ao relento -,
Entre as nuvens do pó e as pancadas do vento,
Com saudades do Pão...

Deus te vê a mensagem de bondade
Com que suprimes ou reduzes 
As provações, as lágrimas e as cruzes
Dos que vagam na rua sem ninguém,
E te agradece as posses que despendes,
No auxílio ao companheiro em desamparo,
Seja um tesouro inesperado e raro,
Seja um simples vintém!...

Deus te vê quando estendes braço amigo
Aos que carregam lenhos de tristeza,
Doando-lhes  o afeto, o abrigo, a mesa,
O remédio, a camisa, o cobertor...
E, por altos recursos sem que o saibas,
Manda que a Lei te aumente os dons divinos, 
Em mais belos destinos, 
Para a glória do amor.

Deus te vê na palavra com que ensinas
A senda clara e boa
Da verdade que alenta e que abençoa
Sem perturbar e sem ferir...
E determina aos homens que teu verbo
Seja apoiado, aceito
E ouvido com respeito,
Na construção excelsa do porvir.

Deus te vê quando acolhes sem revide 
O golpe da pedrada que te insulta, 
O braseiro da ofensa, a dor oculta
Em ferida mortal...
E te louva o perdão espontâneo e sincero
Com que ajudas o Céu no trabalho fecundo
De extinguir sem alarde, entre as sombras do mundo, 
A presença do mal!...

Deus te vê, através da caridade!...
Mas não só isso... Em paz calada e santa,
Pede alguém que te siga e  te garanta
Na jornada de luz!...
E, por isso, onde estás, rujam trevas em torno, 
Sofras humilhação, injúria, cativeiro,
Tens contigo um sublime companheiro:
- Nosso Amado Jesus!...

Maria Dolores - Chico Xavier - Poetas Redivivos

sábado, 29 de dezembro de 2012

Deixar Partir...

     "Quem ama, ama sempre, e de tal modo que, ainda mesmo quando os corações amados se distanciam, o coração que ama prossegue amando-os e abençoando-os, sabendo conscientemente que, pelas forças do espírito, jamais deles se afastará." Emmanuel - Calma

     Como é difícil o deixar partir, permitir que aqueles que amamos por algum motivo se afastem de nossos olhos físicos...

     Seja pela morte do corpo físico, pela partida de um ente querido que vai morar longe, ou que vai sair de casa, pior ainda quando tomam caminhos que em nosso ponto de vista lhes trarão dor e arrependimento é sempre difícil permitir que o outro, aquele que nos é caro ao coração siga o seu caminho sem a nossa mão  a segurar a sua.

     Filhos, irmãos, cônjuges, pais, amigos queridos dividem conosco parte de sua jornada. Por um determinado período de tempo caminham a nosso lado, é um período necessário a evolução de todos, necessitamos uns dos outros para nos auxiliarmos em nossa senda evolutiva, mas chega o momento de partir e de deixar partir...

     Chega um momento em que cada um deve seguir o seu caminho, pois necessários se fazem novos e diferentes aprendizados por caminhos diferentes...

     Aqueles que verdadeiramente se amam, mesmo que a distância física os separe e mesmo que um dos corações se perca pelos caminhos do erro, estarão sempre velando um pelo outro, sempre um dos corações estará em prece pedindo ao Mestre que como bom pastor resgate a ovelha que se perdeu de seu rebanho.

     Outras vezes apenas seguem para novas experiencias e seguem amando e cuidando uns dos outros a distância. 

     Por vezes nossa família espiritual nos acompanha na encarnação e ficamos determinado tempo juntos adquirindo experiências nesse hospital-escola chamado Terra, outras vezes voltamos ao mundo físico, mas aqueles que amamos velam por nós na espiritualidade.

     Difícil é a lição do desapego, do compreender que apesar de necessitarmos uns dos outros para a nossa evolução não temos o direito de algemar nossos bem amados, há que se partir e deixar partir... um dia todos nos reencontraremos, mais maduros, mais iluminados e todos os sentimentos que nos uniram um dia aquecerão ainda nossos corações e os elos de amor que um dia construímos estarão ainda mais fortes e mais presentes.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Música

"Você é uma bela canção composta por Deus.
Em sua alma, todas as notas musicais são executadas pelo seu coração.
A partitura pode ser mudada a cada dia. É a você que cabe esse canto, essa melodia.
Mesmo nos piores momentos de sua vida, não perca a alegria de viver.
Se você se torna triste, quem irá compor a nova canção dos seus sonhos?
Mesmo desafinado, não deixe de cantar o amor que lhe vai à alma. 
Em qualquer adversidade, não esqueça: foi Deus quem compôs você." Adeilson Salles - PSIU!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Eu Prometo...


Lendo uma mensagem postado por uma amiga blogueira, me emocionei com o texto que ela compartilhou e que dizia assim:
"Me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém"
Me fez lembrar minha infância, nos dias em que faltava energia elétrica, mas precisamente nas noites em que isso acontecia. Não havia mais a televisão, a novela e o telejornal para nos roubar os pais.
A atenção era para nós, a mãe contando histórias do tempo do vô e do biso, de quando se morava na chácara e se dormia e acordava com as galinhas, porque não havia energia elétrica.
O pai aproveitava a luz da vela e com as mãos criava bichos engraçados que se desenhavam na parede, e alguns monstros também. Lembro as risadas, as brincadeiras e as histórias até cairmos no sono.
Essas são umas das melhores lembranças da minha infância. Mas até isso nos tiraram hoje. Criaram notebooks, I pads, I pods, I sei lá o que mais com bateriais intermináveis....
Você pode não ter energia elétrica, mas continua conectado no mundo... no mundo lá fora, no mundo frio de máquinas e sentimentos postiços...
E quem está ao seu lado? Quanto tempo faz que não conversam? Quanto tempo faz que não riem juntos? Você se lembra a última vez que sentou pra brincar com o seu filho? A última vez que lhe contou uma história sentado ao seu lado na beira da cama?
Ah! Você anda sem tempo.... Seu filho pode ouvir as histórias no computador, afinal esta é a companhia mais presente na vida dele ultimamente...
Estamos próximos do mundo, da notícia, da informação, do que acontece na China, mas não sabemos por que o companheiro chora na sala ao lado... não percebemos nem que ele chora...
Não ouvimos quando muitas vezes ele fala por horas, e para que ele não pense que não estamos nem aí, a cada 20 ou 30 minutos respondemos um sonoro “aham” como se estivéssemos a ouvi-lo atentamente. Não estamos! Nossa atenção está no vídeo do you tube, no e-mail, no frívolo assunto do facebook...
Não acredito que até as quedas de energia me tiraram...
Eu ainda posso curtir em minha memória as lembranças das noites à luz bruxuleante daquela vela... e os meus filhos? Que lembranças eles terão?
Eu vou me esforçar para que não seja a de pais ausentes, eternamente conectados e desconectados de seus problemas. Eu vou sentar e brincar de bonecas com ela ou de carrinho com ele, vamos jogar futebol e eu vou sentar na beirada da sua cama para lhe contar histórias e vou lhe apresentar mundos encantados em livros de papel... Vou perguntar a ele como vai à escola e sentar com ele para fazer a lição de casa... Vou levá-lo na pracinha e ensinar a pular amarelinha... Vamos passear lado a lado olhando o mar e eu vou perguntar a ele sobre as meninas de sua escola e vou emprestar meu ombro a ele quando aquela menina bonita partir seu coração... Eu vou segurar a mão dele quando ele chorar e vou colocar um band-aid em seu machucado... mas os machucados que eu não puder curar com band-aid tentarei  fazê-lo com um abraço... eu prometo!!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Inaudita Mestra

"De cada vez que o anjo da dor me tocou com a sua asa, senti agitarem-se em mim potências desconhecidas, ouvi vozes interiores entoarem o cântico eterno da vida e da luz; agora, depois de ter compartilhado de todos os males de meus companheiros de viagem, bendigo o sofrimento. Foi ele que amoldou meu ser, que me fez obter um critério mais seguro, um sentimento mais exato das altas verdades eternas. Minha vida foi mais de uma vez sacudida pela desgraça, como o carvalho pela tempestade; mas nenhuma prova deixou de me ensinar a conhecer-me um pouco mais, a tomar maior posse de mim." León Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sobre o Natal...


     Natal  é uma época de consumismo desenfreado muitos o dizem e é impossível negar. Mas é também um período de paz, de reavivar as esperanças.
     Sempre penso nessa época como a imagem de um menino com uma pequena vela na mão que vem reacender nossas esperanças já tão bruxuleantes em meio ao desespero do dia a dia violento.
     Vejo as pessoas mais suaves, num clima mais ameno, mais tranquilo, reina uma paz momentânea no ar, com prazo de validade é certo. Mas se ainda estamos tão longe da paz verdadeira que deve começar dentro de cada um de nós, aproveitemos esse refrigério que esse menino nos concede, como a nos dizer que nada está perdido, que há muitas moradas na casa do pai e que nenhuma ovelha de seu rebanho se perderá.  Aproveitemos essa paz...