"Cada espírito vive sua experiência pessoal única e intransferível em sua trajetória rumo à evolução, e a ele, somente a ele compete levar a cruz dos encargos que atraiu para si mesmo em suas andanças e, por essa razão, sempre responderá por seus atos no exercício do livre arbítrio. Entretanto, como nos recomenda o Evangelho, a nós compete a mobilização dos recursos, a boa vontade e a mão estendida, aliviando sempre de alguma forma o sofrimento do próximo, estimulando, com palavras encorajadoras, sem ferir nem humilhar o irmão caído." (O Sétimo Selo)
sábado, 19 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
NOSSO CLIMA
Quando pensamos na palavra clima o que nos vem primeiramente à mente? Normalmente fazemos a ligação com o tempo, com a temperatura, com meteorologia. E podemos utilizar essa análise para o nosso assunto, quanto ao tempo, temos algumas opções de como poderá ser o nosso dia, basicamente, três: chuvoso, nublado ou ensolarado.
Comparando conosco, com o nosso clima, concluímos, que existem dias em que estamos chuvosos, trovejando, irados. Em outros estamos nublados, tristes, abatidos, desanimados, como se nuvenzinhas cinzas estivessem sobre as nossas cabeças. Já em outros dias estamos ensolarados, radiantes, alegres, cheios de bons pensamentos.
Precisamos atentar para que este último estado seja mais constante que os demais, que o nosso clima seja na maior parte do tempo cheio de bons pensamentos, boas energias, boas vibrações.
Para isso precisamos verificar como andam os nossos pensamentos. O pensamento define tanto o nível evolutivo de espírito que somos quanto as companhias que atrairemos para nós. É a lei de sintonia, atraímos para perto de nós aqueles que estão na mesma faixa vibratória que nós.
Se tivermos bons pensamentos, focados no bem, no perdão, na alegria, na esperança, na fé atrairemos para nós boas companhias.
Mas se alimentarmos pensamentos negativos, de tristeza, de mágoa, de ressentimento, atrairemos para perto de nós aqueles que também estão tristes, magoados, ressentidos.
E mais ainda, se tivermos maus pensamentos, de raiva de ódio, de vingança atrairemos para perto de nós aqueles que também sentem raiva, ódio, desejo de vingança e isso irá aumentar os nossos sentimentos negativos e nos trazer muitos males.
Esta lei de sintonia não funciona apenas entre nós encarnados, mas também com os nossos irmãos desencarnados. Conforme a nossa sintonia atraímos as companhias espirituais que sintonizam com as energias que estamos emitindo.
No LE questão 459 Kardec pergunta: “Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações? Neste sentido a sua influencia é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem”.
A Terra sendo um planeta de provas e expiações, estamos rodeados muito mais pelo mal do que pelo bem, em virtude de nossas imperfeições temos muito mais facilidade de sintonizar com espíritos de baixo teor vibratório do que com os benfeitores espirituais.
Apesar de estarmos mais suscetíveis as más influencias, somos os únicos responsáveis pelas companhias que atraímos, temos o nosso livre arbítrio, a capacidade escolhermos que tipo de pensamentos queremos alimentar e consequentemente que tipo de energia, de vibração queremos emitir e atrair.
Os Benfeitores espirituais somente conseguem nos auxiliar se conseguirmos sintonizar com eles através dos bons pensamentos e das ações no bem. Muitos afirmam que somos como telefones fora do gancho, sempre dando sinal de ocupado. Estamos envoltos em nossas preocupações, nossos problemas e nessa correria deixamos de vigiar e orar como nos aconselhou o Mestre Jesus. Deixando de orar e de vigiar nossos pensamentos e atos, acabamos perdendo a sintonia com os benfeitores, nos tornamos realmente telefones ocupados e eles não conseguem nos atender por que não cooperamos.
Nós também somos os primeiros a sermos atingidos pelas energias que emitimos, tudo o que sai de nós passa primeiro por nós mesmos. O mal que sai de nós é nosso assim como o bem. Assim, podemos nos beneficiar ou nos prejudicarmos. Podemos nos envenenar de pensamentos negativos, tristes e enfermiços e acabarmos por adoecer o nosso corpo físico ou podemos nos inundar de boas vibrações e dessa forma manter o equilíbrio de nossa saúde espiritual e física.
Hammed no livro Renovando Atitudes nos diz “As causas das doenças somos nós sobre nós mesmos, e, para que tenhamos equilíbrio fisiológico, é preciso cuidar de nossas atitudes íntimas, conservando a harmonia na alma.”
Da mesma forma o nosso ambiente também fica saturado da energia que emitimos, seja o nosso ambiente de trabalho, mas principalmente o nosso lar. Quantas vezes ao adentrar determinados locais sentimos como se o ar estivesse pesado, sentimos um mal-estar, certamente o ambiente está saturado de energias de baixo teor vibratório e os responsáveis por isso são aqueles que habitam o local, então, se queremos manter o nosso lar em harmonia precisamos estar em harmonia, para que o nosso lar esteja inundado de boas vibrações precisamos emitir essas vibrações.
De que forma podemos fazer isso? Como sintonizar com os Benfeitores Espirituais? Seguindo um conselho que Jesus nos deu há muito tempo: ”orai e vigiai”. Orar quando sentirmos que os nossos pensamentos e sentimentos estão negativos, para nos desvencilharmos dessas sintonias e nos ligarmos com os nossos amigos espirituais. Praticar o evangelho no lar, protegendo o nosso lar e sintonizando-o com a espiritualidade superior.
Pensar o bem, fazer o bem, exercitar a paciência, o perdão, enfim buscarmos a nossa reforma íntima. Sabemos que trazemos uma bagagem espiritual herança de nossas vidas passadas e do que estamos fazendo de nossa atual encarnação, precisamos periodicamente fazermos uma análise do que estamos carregando nessa bagagem, pois é ela quem determina as vibrações que estamos emitindo e nossa mensagem final pode nos dar uma idéia de como exercitar essa reforma em nossa bagagem:
A BAGAGEM
Quando sua vida começa,
você tem apenas uma mala pequenina de mão.
Há medida em que os anos vão passando,
a bagagem vai aumentando
porque existem muitas coisas
que você recolhe pelo caminho,
porque pensa que são importantes .
A um determinado ponto do caminho
começa a ficar insuportável
carregar tantas coisas, pesa demais,
então você pode escolher :
Ficar sentado a beira do caminho,
esperando que alguém o ajude, o que é difícil,
pois todos que passarem por ali
já terão sua própria bagagem.
Você pode ficar a vida inteira esperando.
Ou você pode aliviar o peso,
esvaziar a mala.
Mas, o que tirar ?
Você começa tirando tudo para fora.
Veja o que tem dentro:
Amor, Amizade ... nossa!
Tem bastante, curioso, não pesa nada...
Tem algo pesado ... você faz força para tirar...
Era a Raiva - como ela pesa!
Aí você começa a tirar, tirar
E nesse momento, o Desânimo
quase te puxa pra dentro da mala.
Mas você puxa-o para fora com toda a força,
e no fundo da mala aparece um Sorriso,
que estava sufocado no fundo da sua bagagem.
Pula para fora outro sorriso e mais outro,
e aí sai a Felicidade!
Aí você coloca as mãos
dentro da mala de novo e
tira pra fora a Tristeza.
Agora, você vai ter que procurar
a Paciência dentro da mala,
pois vai precisar bastante.
Procure então o resto, a Força,
Esperança, Coragem,
e o Bom e Velho Humor.
Tire a Preocupação também.
Deixe de lado, depois
você pensa o que fazer com ela.
Bem, sua bagagem está pronta
para ser arrumada de novo.
Mas, pense bem o que vai
colocar lá dentro!
Agora é contigo.
E não esqueça de fazer isso mais vezes,
pois o caminho é MUITO, MUITO LONGO ...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Desconfiemos de Nós
Kelvin hoje nos convida a conversarmos sobre um hábito que todos temos e que parece muito ingênuo, mas que pode causar muitos males, tanto para nós quanto para o nosso próximo.
O nosso cérebro é capaz de expedir dezenas de julgamentos, mesmo inconscientes, durante um único dia. Temos as fórmulas perfeitas, as soluções imediatas para todos os problemas da Terra e saímos a julgar todos que encontramos, seja nos noticiário, seja nossos companheiros da vida diária.
Passamos a maior parte do nosso tempo valorizando o mal, destacando as atitudes negativas dos outros, enxergando dificuldades e vícios e escondendo as virtudes, as conquistas individuais. Esquecemos que o foco no mal, amplia o mal.
E não apenas julgamos e guardamos esse julgamento para nós, temos o triste hábito de tecer comentários com os outros a respeito das imperfeições do nosso próximo. Esse ato tem o nome de maledicência, mas para amenizá-lo o chamamos de “pequeno comentário”, uma “fofoquinha” sem maldade alguma.
Richard Simonetti sobre a maledicência nos diz que “é mais terrível que uma agressão física. Muito mais do que o corpo, fere a dignidade humana, conspurca reputações, destrói existências.”
Temos o nosso livre-arbítrio, mas colhemos sempre os frutos daquilo que semeamos, enquanto não emitimos as palavras somos senhores delas, mas, quando a pronunciamos, passamos a ser escravos dela.
No texto de nossa exposição Kelvin nos diz: “A maior percentagem do mal que existe no mundo, vive e se derrama de nós mesmos.”
Isso nos lembra uma pequena historinha:
Conta-se que certa senhora todo dia olhava pela janela as roupas da vizinha e dizia:
- Nossa, como essa mulher lava mal essas roupas, estão todas sujas! Alguém precisa ensiná-la como fazer!
E assim passaram-se os dias, até que numa manhã ao olhar pela janela, admirou-se. Como estavam limpas as roupas no varal da vizinha, finalmente aprendeu a limpá-las! Comentou a mulher.
Foi quando o marido que estava a ler o jornal na sala retrucou:
- Não é nada disso, eu que limpei as vidraças essa manhã.
Precisamos estar atentos, pois quando nos incomodamos muito com determinadas atitudes do próximo, pode significar que esta mesma atitude encontre-se também nos nossos atos, no nosso modo de agir.
Não temos o direito de condenar ou julgar, pois falta-nos competência e autoridade para tanto, pois que somos também necessitados de indulgência, de perdão para os nossos erros, pois também os cometemos. Justiça absoluta, somente a Divina.
Condenamos toda espécie de roubo sem, ao menos, questionarmos as dificuldades daquele que delinqüiu. No entanto, estamos lidando de forma totalmente íntegra com os nossos impostos? Adquirimos sempre de forma legal CDs, DVDs e produtos eletrônicos?
Criticamos toda a forma de burlar a lei, sem verificarmos a situação individual de cada caso. No entanto, como lidamos com alguns de nossos atos diários como uma pequena contramão, o atender rapidinho o celular enquanto dirigimos, um jeitinho para escapar das multas?
Banimos toda a forma de violência, sem poupar críticas ao agressor, vendo-o como a pior criatura da sociedade. No entanto como lidamos com a violência silenciosa dentro de nossas casas ou no trabalho? Já conseguimos controlar o tom de voz para que o grito não intimide aqueles que amamos.
É claro que não estamos dizendo que devemos ser cúmplices dos erros alheios, acobertá-los, mas analisá-los para nós, analisarmos o erro e não o próximo, procurando aprender com o erro alheio evitando repeti-lo em nossos procedimentos.
Em alguns casos, é preciso avaliar a ação do nosso próximo para auxiliá-lo na correção dos seus desvios de conduta. Assim faz o pai em relação ao seu filho, o professor com o seu aluno, um amigo em relação ao outro. Mas lembremos que há imensa diferença entre avaliar para ajudar e julgar para condenar.
Joanna de Angelis no livro Lampadário Espírita nos diz que “Não há desejo de ajudar quando se censura. Ninguém ajuda condenando. Não há socorro se, a pretexto de auxílio, se exibem as feridas alheias à indiferença de quem escuta.”
Derrapamos num dos mais conhecidos ensinamentos do Cristo contido no ESE Cap X item 11: “Não julgueis, a fim de que não sejais julgados; porque vós sereis julgados segundo houverdes julgado os outros.”
Quando procuramos realizar a nossa reforma íntima, passamos a combater os nossos próprios defeitos e para isso procuramos exercitar a virtude que se opõe a este defeito. No caso da maledicência o hábito a ser adquirido é o de bendizer, o da indulgência, exaltando o lado bom do próximo.
No ESE Cap. X item 16 nos dizem os espíritos amigos; “A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que não se tornem conhecidos senão dela unicamente e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles.”
Elevar o pensamento, no momento em que pensarmos em comentar sobre o nosso próximo, refletir se desejamos para nós o que estamos prestes a falarmos do outro. Além de cuidarmos com o que falamos, é igualmente importante nos preocuparmos com aquilo que ouvimos.
Precisamos nos policiarmos e nos corrigirmos. Como? Vigiando os nossos pensamentos, ocupando nossas mentes com trabalho útil e pensamentos elevados. Não tocando em assuntos que não nos dizem respeito e não dar continuidade a conversações maledicentes. Não precisamos ser desagradáveis com quem tece o comentário, apenas com jeitinho sugerirmos a mudança de assunto.
Nosso olhar julgador deve estar em cima do nosso próprio comportamento de como estamos conduzindo nossa vida e não como os nossos semelhantes conduzem a deles.
Irmão X pela psicografia de Chico Xavier narra-nos uma pequena história chamada “Os três Crivos”:
Certa vez, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave a dizer-te, em particular...
- Espera!... – juntou o sábio prudente. – Já passastes o que vais me dizer pelos três crivos?
- Três crivos? – perguntou o visitante espantado.
- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se a tua confidência passou por eles. O primeiro crivo é o da verdade. Guardas absoluta certeza quanto aquilo que pretendes comunicar?
- Bem... – ponderou o homem – assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer...
- Exato. Decerto peneirastes o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
Hesitando, o homem replicou:
-Isso não... Muito pelo contrário...
-Ah! – tornou o sábio – Então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
- Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado. – Útil não é...
- Bem – rematou o filósofo num sorriso -, se o que tens a dizer não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele.
Procuremos cada um de nós utilizarmos nas nossas conversações os três crivos de Sócrates, e se em algum momento nos ocorrer um mau pensamento e a vontade de tecermos um comentário sobre o nosso próximo, paremos antes de emitirmos qualquer som e lembremos do último ensinamento que nos transmite Kelvin nesta noite:
“Se temos algo a desconfiar, desconfiemos de nós.”
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Tire Férias de Você
Baseado no livro Técnicas de Viver pelo espírito Kelvin Van Dine e psicografia de Waldo Vieira.
Todos nós necessitamos, em determinados períodos das nossas vidas, tirarmos férias, seja do trabalho, da escola, da faculdade. Fazemos aquela pausa em que nos dedicamos ao nosso descanso, a refazer as nossas energias e retornamos renovados às nossas atividades.
Kelvin nos faz um pedido diferente... Que tiremos férias de nós mesmos. Mas como assim? Como tirar férias de nós mesmos? E por quê?
No início do texto Kelvin nos faz a seguinte colocação: “Em tudo, nossa tendência instintiva é ver a nós mesmos. Somente nós. Sempre nós.”
Estamos no nosso dia-a-dia, sempre assoberbados com o nosso trabalho, o sustento de nossa família, nossos afazeres, nossas preocupações, nossas dores, nosso eu nos toma praticamente todo o nosso tempo, as vinte e quatro horas de nosso dia.
As conquistas materiais são necessárias, precisamos delas para vivermos nesse mundo, para aproveitarmos esta encarnação. Precisamos trabalhar, construir nossa família, mantê-la, precisamos viver com conforto e proporcioná-lo a nossa família, não há erro nisso. O erro está em focarmos nossas vidas apenas nisso e esquecermos que existe o próximo ao nosso redor.
No LE questão 913 Kardec pergunta aos espíritos: “Entre os vícios, qual se pode considerar o pior? É o egoísmo. Dele deriva todo o mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe o egoísmo.”
Mais adiante na questão 917 ele pergunta: “Qual o meio de destruir o egoísmo? De todas as imperfeições humanas, a mais difícil de extinguir é o egoísmo, porque se liga à influência da matéria da qual o homem, ainda muito próximo de sua origem, não se pode libertar. O egoísmo enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a material.
Precisamos entender que somos seres espirituais vivendo uma experiência material. Por isso Jesus nos aconselhava a “vivermos no mundo sem sermos do mundo”.
Mais Adiante no texto Kelvin nos diz “Façamos a convergência e a parada de nosso carro nas estações de outras criaturas.
Tire férias de você de quando em quando. Pense nos outros. Olhe, fale, pergunte, sonde crises e dificuldades adentrando o calvário do próximo com o objetivo de auxiliar.”
Costumamos nos utilizar de muitas justificativas sem lógica para não praticarmos a caridade, para não auxiliarmos o próximo, tais como: “não possuo recursos, não tenho tempo, minha saúde está precária” e por aí vai...
No ESE cap. XIII item 10 nos dizem os espíritos amigos: “A caridade se faz de muitas maneiras, podeis fazer a caridade em pensamentos, em palavras e em ações.”
Em pensamento: fazendo uma prece por aqueles que sofrem mais do que nós.
Em palavras: orientando aqueles que nos pedem um bom conselho. Palavras de incentivo, de esperança, ajudam-nos a ter forças para continuar.
Em ações: fazendo chegar o alimento, o agasalho e ao carinho àqueles que necessitam.
Quando praticamos a caridade material, damos do que temos. Quando praticamos a caridade moral, damos do que somos.
No LE questão 886 kardec pergunta: “Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade como entendia Jesus?Benevolência com todos, indulgência com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.
Passamos a vida a olhar os nossos próprios passos sem percebermos que, ao nosso lado, em silêncio, alguém aguarda uma mão amiga para ajudá-lo na existência e por diversas vezes, esse alguém está conosco, dentro das nossas casas, e não percebemos que necessitam de ajuda.
O nosso familiar consangüíneo também é o nosso próximo. E mais, se estamos juntos na presente encarnação não é por obra do acaso, existe para isso uma finalidade. Deus sempre coloca os necessitados em nossos caminhos, perto de cada um de nós, para que possamos ajudá-los, e dessa forma nos ajudarmos também.
Como já dissemos, o nosso dia-a-dia corrido, a preocupação com o trabalho e com os nossos próprios problemas, nos impede de observar com um pouco mais de atenção até mesmo aqueles que conosco dividem o lar.
Mergulhados em nossas próprias preocupações não percebemos o filho que passa por problemas e que por isso não vai bem na escola necessitando do nosso diálogo, do aconselhamento seguro papel fundamental que temos como pais, não notamos o abatimento e a mágoa que causamos na esposa ou no esposo pela nossa indiferença, cansado demais do trabalho para uma conversa amiga, um gesto de carinho e por aí vai...
Vamos criando situações que mais tarde gerarão conflitos e nos perguntaremos, porque o filho tão revoltado se nada lhe falta? Talvez nada faltou-lhe materialmente, mas faltou o dialogo, a orientação. Por que o fim do relacionamento, se fomos fieis ao cumprimento de nossas obrigações com o lar? Mas faltou o carinho, a conversa fraterna, o entendimento...
Aqueles que conosco dividem o lar são, talvez, os mais necessitados da nossa caridade, como entendia Jesus, porque são espíritos com os quais certamente trazemos compromissos anteriores e que conosco compartilham a existência para que aprendamos juntos a nos amarmos e nos respeitarmos.
Outra questão importante que Kelvin nos coloca “Organize o contentamento alheio sem cogitar de aparecer.”
No livro Os Prazeres da Alma o espírito Hammed nos diz: “Muitos de nós nos doamos porque esperamos receber em troca atenção e respeito de outras pessoas. Isso não é ajuda real nem mesmo está unido ao amor; mais se assemelha a uma forma de barganha, seguida de eternas cobranças.”
Quando fazemos o bem a alguém devemos fazê-lo não para ficar bem aos olhos dos outros, ou para nos desincumbir de uma obrigação; deveríamos fazer o bem porque nos faz bem.
Isso nos lembra uma pequena história que conta que um homem morava num bairro do qual todos os dias saía pela manhã com uma sacola cheio de moedas e voltava ao final do dia com a mesma sacola cheia de moedas. Não era querido pela comunidade, e todos o enxergavam como avaro, mesquinho e egoísta, exibindo dinheiro por onde passava e sem distribuir nada a ninguém. Até que esse homem morreu, e no seu enterro foram centenas de pessoas, muitos mendigos para surpresa geral. Ao indagarem o motivo de tanto deferimento, os mendigos explicaram que ele sempre levava moedas para lhes ajudar. Saia de casa mais cedo, distribuía aos necessitados e na volta do trabalho passava no banco e retirava mais moedas para o dia seguinte. A vizinhança o julgava e ninguém sabia disso, mas para ele não era importante que alguém soubesse, pois ele e Deus sabiam.
Caridade é aprender a ser benevolente em todas as situações, é ajudar sem perguntar e nem impor condições, é perdoar e não guardar mágoas, amando a Deus acima dos interesses materiais, vivendo humilde e ternamente relações enriquecedoras a partir do nosso próprio lar.
Kelvin finaliza nos aconselhando “Excursione nas províncias em que se entrechocam as esperanças e as provas dos outros e experimente. Você voltará ao distrito das próprias lutas de ânimo mais saudável e de espírito sempre melhor.”
Temos memória curta, nos esquecemos da alegria que nos invade quando ajudamos o outro, motivados por bons sentimentos e até a vibração de amor que toma conta de nós quando fazemos uma prece pelos outros. Quando emitimos vibrações de amor pelo outro estamos nos imantando de fluídos emanados por nós mesmos e somos os primeiros beneficiados por eles.
Além disso, nunca sabemos se estamos ajudando alguém querido de uma outra vida e que agora em outra roupagem física não reconhecemos. Nessa interrogação que fica muitas vezes em nossas mentes, vamos construindo novos laços de amor e amizade entre nós.
Assim respondemos às perguntas que nos fizemos lá no início: Como tirarmos férias de nós mesmos? Olhando para o lado, para as necessidades do nosso próximo, auxiliando, estendendo a mão àqueles que necessitam mais do que nós e muitas vezes estão ao nosso lado e não enxergamos por estarmos tão focados em nós mesmos, na nossa vida diária e nas nossas próprias dores, que talvez nem chegue aos pés da dor daqueles que nos cercam.
Por quê? Porque através do próximo é que evoluímos, auxiliando o próximo desinteressadamente estamos auxiliando a nós mesmos, à nossa evolução e revigorados pelas energias da prática do bem voltaremos aos nossos problemas, lidaremos com as nossas dores, mais fortalecidos enxergando-as muito menores do que pareciam ser.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Simpatizar-se com o Cristo
Quando recebemos o tema, nos ocorreu as seguintes questões. O que é simpatizar-se? No dicionário simpatizar-se significa experimentar agrado ou estima por alguém, gostar aprovar.
Quando gostamos ou aprovamos alguém é porque concordamos com seus pensamentos, idéias, atitudes.
Mas o que seria simpatizar-se com o Cristo? Concordar com suas idéias, pensamentos e atitudes. Num primeiro momento nos ocorreu que precisaríamos primeiramente conhecê-lo. Como? Através dos seus ensinamentos, do evangelho e das obras básicas.
No ESE cap. XVIII nos dizem os benfeitores no item 10: “O servidor que soube a vontade de seu senhor e que, todavia, não estiver preparado e não tiver feito o que esperava dele, será batido rudemente, mas aquele que não soube sua vontade e que tiver feito coisas dignas de castigo, será menos punido. Muito se pedirá àquele a que se tiver muito dado; e se fará prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas.”
E mais adiante no item 12: “Todo aquele que conhece os preceitos do Cristo é culpável, seguramente, de não os praticar.”
Analisando essas passagens percebemos que para simpatizarmos com o Cristo não basta que conheçamos seus ensinamentos e gostemos e os aprovemos, é essencial que os coloquemos em prática.
No LE questão 642 Kardec pergunta aos espíritos: “Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”
Simpatizar-se com o Cristo é mais do que lermos o evangelho, orarmos e acreditarmos que ele está sempre ao nosso lado, é tê-lo dentro de nós. O conhecimento da doutrina espírita nos traz responsabilidade, como nos disse o evangelho, muito será pedido a quem muito tiver sido dado, quem possui o conhecimento possui a responsabilidade que esse conhecimento nos traz.
Mesmo assim, quando encarnados ainda costumamos fugir da nossa responsabilidade e sobre os nossos atos e procuramos colocá-las sobre outros ombros, culpamos a nossa sorte, porque não tivemos oportunidades, culpamos o próximo pelas mágoas e rancores que nós mesmos cultivamos porque não sabemos perdoar e muitas vezes culpamos Deus acreditando que somos injustiçados. Mas somos os únicos responsáveis por nossos atos.
Quando a dor nos atinge a pergunta a ser feita não é onde estava Deus? Mas sim onde estamos nós que nos colocamos a tamanha distância Dele, ao ponto de esquecermos o amor ao próximo.
Sabemos que todos fomos criados simples e ignorantes e que as escolhas que vamos fazendo ao longo de nossas existências irão guiando a nossa evolução. Temos o conhecimento de que nossa meta final é a perfeição, portanto, nos cabe buscar essa perfeição.
Temos o hábito de julgarmos e querermos que os outros mudem, que tenham atitudes que julgamos serem corretas, mas quando conhecemos os ensinamentos e simpatizamos com o Cristo percebemos que o seu convite é de façamos um mergulho dentro de nós mesmos, que apontemos e julguemos as nossas próprias falhas.os caminhos da evolução são diferentes para cada um, cabe a cada um de nós buscar sua própria evolução, sua reforma íntima.
Para nossa evolução recebemos sempre o auxílio de benfeitores espirituais, mas estes respeitam as nossas decisões, o nosso livre arbítrio. Eles nos dão sinais de qual o caminho certo a seguir, mas respeitam as nossas decisões se optarmos por caminhos mais difíceis e mais longos, pois sabem que mais tarde seremos despertados pela nossa mestra nesse mundo a dor e que através dele retornaremos ao caminho da simpatia com o Cristo.
A dor não resgata os nossos erros do passado, ela apenas nos alerta, nos desperta para eles, o resgate só é possível através da ação no bem, no ser útil ao próximo. Pedro 4:8 nos disse: “Sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão dos pecados.”
Jesus nos disse: “Sede perfeitos.” E também nos deu a fórmula para chegarmos à esse objetivo; “Amar ao próximo como a si mesmo”.
Quando pensamos no amor ao próximo logo nos ocorre o conceito que temos de caridade, com certeza o conforto material que possamos proporcionar ao nosso próximo através do alimento, do agasalho da ajuda financeira são atos louváveis desde que realizadas sem interesse e sem ferir a dignidade daquele que o recebe.
Mas os nossos pequenos atos diários também podem revelar atitudes de amor ao próximo, o mundo em que vivemos tem fome de amor, se olharmos ao nosso redor, se olharmos para o lado com um pouco mais de atenção, se nos propormos a isso, o que muitas vezes não fazemos, por nos dizermos ocupados demais. Mas, se observarmos ao nosso redor iremos perceber o filho que necessita de atenção e de algumas palavras, o relacionamento conjugal que necessita de diálogo e cuidados, o amigo que há algum tempo não vemos e que precisa daquele conselho, daquela visita, daquela palavra amiga num momento difícil, o colega de trabalho que nada nos pede a não ser o respeito e a compreensão com as suas próprias dificuldades.
Encerramos com esse pequeno desenho cuja resposta do Cristo é que devemos procurá-lo no lugar certo, devemos orar pedindo a ajuda e a proteção dos nossos amigos espirituais, devemos realizar o evangelho no lar, fazer leituras edificantes, buscar o estudo e o conhecimento espírita, mas precisamos principalmente colocar em prática os seus ensinamentos, colocar em prática o amor ao próximo.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Tua Tranquilidade
Se procurarmos a palavra tranqüilidade no dicionário, encontraremos como resultado: sossego, quietação, paz, serenidade.
Mas diante do conceito de tranqüilidade temos uma visão muito distorcida de que tranqüilidade é um estado de inércia, de ausência de lutas e conflitos, ausência de problemas.
E quem de nós não têm problemas? Todos temos. Sem eles não cresceríamos. A falta de problemas, de dificuldades geraria desestímulo às nossas vidas. È vencendo-os, solucionando-os que crescemos, ganhamos experiência e evoluímos.
Jesus nos ensinou que poderíamos escolher entre a porta larga e a porta estreita. A porta larga é a da fuga dos problemas ou a porta estreita do trabalho e do crescimento. Todos sabemos como proceder e qual porta devemos escolher. Se optarmos pela porta larga, estaremos plantando tempestades para o nosso futuro. Ao contrário, se optarmos pela porta estreita dos compromissos com a vida, com a família, com a sociedade, aí sim viveremos tranqüilos, pois a nossa consciência, apesar dos problemas do dia-a-dia, estará tranqüila.
Vivemos num planeta de provas e expiações e o simples fato de nele necessitarmos reencarnar, nos expõe à problemas, contratempos, dificuldades característicos desse planeta. Mas nos momentos de maior angústia e dificuldades precisamos nos manter serenos, tranqüilos, pois só assim visualizaremos, ouviremos aquela voz interior, o nosso guia, nosso amigo, nosso anjo, nos apontando o caminho, a solução, o conforto na dor.
Precisamos entender que a tranqüilidade independe de paisagens, de circunstâncias ou ocasiões. Ela é interior, é o resultado de uma consciência tranqüila.
O cansaço, a dor, embora nos aflijam, nunca serão capazes de romper a tranqüilidade real. Quando existe harmonia interior os ruídos de fora não nos perturbam, desde que não condicionemos nossa tranqüilidade a lugares, pessoas ou fatores externos. Ela depende exclusivamente de nós mesmos.
Mas na correria do dia-a-dia, raramente agimos impulsionados pela tranqüilidade. A alta carga de informações nos faz agir precipitadamente, sem pensar direito.
Joanna de Angelis no livro Intercâmbio Mediúnico nos aconselha: “Cuidemos, preservando a nossa vida interior, a fim de que o turbilhão, que agita por fora, não consiga perturbar a paz que cada um deve manter por dentro.”
Devemos assumir conosco mesmo o compromisso de evitar a exasperação. Qualquer ato de nervosismo, de bater a porta de casa ou sair cantando os pneus, conduz energias pesadas que nos envolvem em maior carga de problemas, pois sabemos que atraímos para nós exatamente aquelas energias que emitimos.
É muito importante mantermos a tranqüilidade dentro das nossas casas, no trato com aqueles que conosco dividem o lar, assim mantemos a convivência mais harmônica. O nosso lar deve ser o nosso refúgio, o porto seguro para onde vamos após o nosso dia de trabalho. Além disso, devemos pensar que o tempo todo somos exemplo para aqueles que estão ali conosco, principalmente os nossos filhos. Nos vendo irados, desesperados, agitados é assim que eles aprenderão a reagir aos problemas, mas se ao contrário nos virem tranqüilos, serenos, mantendo a calma e o raciocínio, mesmo nos momentos difíceis, aprenderão que está é a forma mais correta de reagir às dificuldades.
Ayrtes nos diz que: “Não podes dar sinal, na tua casa, de agitação, de desespero, para que teus filhos não façam o mesmo; se queres filhos tranqüilos, planta a mansuetude”.
Nossos gestos e nossas palavras são capazes de movimentar energias poderosas desequilibrantes ou tranqüilizadoras, de paz ou de guerras. Por isso Jesus nos recomendou tanto o orai e vigiai, por isso sempre lembramos a necessidade do Evangelho no Lar que nos sintoniza com as esferas espirituais mais elevadas e nos auxilia a vigiar nossos pensamentos, palavras e atos.
Costumamos, muitas vezes nos desculpar dizendo: “Eu bem que me esforcei, mas me roubaram a tranqüilidade!”. Que enganos o nosso, só podem nos tirar o que realmente não temos. Quando cultivamos a verdadeira tranqüilidade, aquela que vem do nosso intimo, ninguém nem nada pode nos abalar.
Emmanuel no livro Ceifa de Luz nos dá algumas dicas de como conquistar e manter a nossa tranqüilidade interior:
- Corrigir em nós as deficiências passiveis de conserto a aceitar as falhas que ainda fogem ao nosso controle.
Nos conhecermos, sabermos das nossas dificuldades, procurar melhorá-las, mas sem ficarmos nos culpando e nos cobrando o tempo todo.
- Tolerar obstáculos necessários ao nosso aperfeiçoamento e entender que os outros também carregam os deles.
Lidarmos com naturalidade com as dificuldades que nos aparecem, elas são necessárias ao nosso crescimento e procurarmos entender que o outro muitas vezes atribulados com os seus problemas, pode estar mau humorado, destemperado, angustiado e nos cabe compreender.
- Observar as ofensas como retrato dos ofensores, sem recorrer aos mesmos atos como revide.
Praticarmos o perdão, não revidar o mal com o mal, mas compreender que cada um está em seu nível de evolução e só pode dar do que possui.
- Abolir inquietações ao redor de calamidades anunciadas para o futuro, que provavelmente nunca ocorrerão.
Muitos de nós ouvindo os noticiários, previsões e o excesso de informações com que somos diariamente bombardeados, nos alardeamos, nos preocupamos com coisas desnecessárias, cabe-nos evitar esse tipo de informação e se acaso a recebermos, orar pelos envolvidos emitindo energias de paz e harmonia.
- Nada pedir sem dar de nós mesmos.
Quantas vezes exigimos do nosso próximo aquilo de que ele ainda não é capaz de nos dar e mais ainda aquilo de que ainda nós mesmos não somos capazes de doar.
- Respeitar os pontos de vista alheios, mesmo que contrários aos nossos, entendendo que pontos de vista são maneiras, crenças e opiniões peculiares a cada um.
Há pouco tempo atrás falamos sobre a importância do respeito em nossas relações, e principalmente para a harmonia do nosso lar, pois cada um de nós é diferente, estamos em estágios evolutivos diferentes, precisamos respeitar as experiências e idéias do outro.
Com essas dicas podemos perceber que a nossa tranqüilidade depende exclusivamente de nós, do nosso esforço em nos melhorarmos, da nossa reforma íntima que deve ser um trabalho diário, lento, gradual, mas constante. A paz do mundo deve começar dentro das nossas casas e antes disso, dentro de cada um de nós.
Para finalizarmos a nossa conversa de hoje trouxemos uma pequena mensagem de Joanna de Angelis do livro Otimismo, psicografia de Divaldo Franco:
“Em favor da expansão da paz, não esperes o que te possam doar os outros.
Se uma palavra pode facultar o desencadeamento dos valores que pacificam, sê tu quem a expresse;
Se o pensamento de equilíbrio faz-se elemento de sustentação da harmonia, projeta-o sem aguardar em outrem;
Se uma atitude pode influenciar o clima de tranqüilidade das pessoas, esforça-te por produzi-la.
Fala e realiza tudo quanto leva à paz, mantendo-te em serenidade;
Emite a voz com vibração de amor, opinando ou esclarecendo;
Age sem precipitação, porque a ação acelerada desarmoniza e inquieta;
Não aumentes o volume daqueles que tudo vêem mal, esmiúçam o erro e comentam a agressividade.
Tranqüilo, fomentarás o otimismo e manterás a alegria em ti mesmo em volta dos teus passos”.
Espiritismo nos Dias Atuais
Esta semana vamos falar sobre a última parte da história do Espiritismo que viemos falando ao longo de todo este mês em homenagem aos 10 anos do nosso Recanto de Luz e que é o Espiritismo nos Dias Atuais.
Para que a Doutrina Espírita se disseminasse ela foi codificada como vimos na semana passada por Kardec na França, pois a França na época era o centro cultural do mundo.
Nos conta Humberto de Campos no Livro Brasil – Coração do Mundo Pátria do Evangelho que em meados do século 14º Jesus observando os progressos de sua doutrina e de seus exemplo no coração humano e em face dos comprometimentos do continente europeu com o materialismo, ele teria transplantado a árvore do Evangelho para as Américas, em especial para o Brasil.
O Brasil, então, passa a ter por missão difundir o Evangelho através de seu empenho em criar condições para a vivência do Evangelho. Aproveitando, assim a tendência maior do povo brasileiro para a fraternidade, em vista da maior diversidade do povo e da convivência mais pacífica de raças, nacionalidades e credos.
Falemos um pouco sobre o espiritismo no Brasil.
Os primeiros experimentadores da mediunidade no Brasil saíram dos cultores da homeopatia, os médicos Bento Mure de origem francesa e João Vocente Martins, português, aqui chegados em 1840, que aplicavam passes em seus pacientes e falavam de Deus, Cristo e caridade.
José Bonifácio foi também um dos experimentadores do fenômeno espírita.
Em 1844, o Marquês de Maricá publicou um livro com os primeiros ensinamentos de fundo espírita.
Em 1863 o Espiritismo já era comentado com seriedade e o Jornal do Comércio maior órgão de imprensa da Capital do Império publicava em 23 de setembro artigo favorável à Doutrina.
Os primeiros centros espíritas, nos moldes preconizados por Kardec, surgem na Bahia e no Rio de Janeiro a partir de 1865.
Em 2 de janeiro de 1884 é fundada a Federação Espírita Brasileira, por iniciativa de Augusto Elias da Silva.
O fato de maior significação foi a adesão do eminente político e médico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti que se declarou espírita perante um platéia de pessoas importantes.
Após a Proclamação da República em 1889, surge o novo Código Penal no qual o Espiritismo era enquandrado como “transgressão à lei”.
Em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição Republicana, constituiu o Estado Leigo, ou seja, sem nenhum tipo de ligação com a Igreja. Como conseqüência o espiritismo e todas as religiões praticadas no Brasil, foram favorecidas.
Bezerra de Menezes assume a presidência da FEB em 3 de agosto de 1895 vindo a falecer em 11 de abril de 1900, após quatro anos e meio de intenso trabalho, deixando a FEBconsolidada.
O período de 1905 a 1930 é de grande expansão do Movimento Espírita. A partir de 1939 a FEB começa a montagem de uma oficina gráfica própria para a edição das obras espíritas.
Em 1932 Chico Xavier psicografa sua primeira obra, lançada pela FEB – “Parnaso de Além-Túmulo”.
As obras espíritas e os fenômenos da psicografia de diversos médiuns, mas, principalmente, o trabalho e os exemplos de fé, amor e caridade do nosso querido Chico Xavier são fundamentais para a divulgação e disseminação do espiritismo, deixando atrás de si um rastro luminoso a mostrar através de seus exemplos como vivenciar o evangelho, como cumprir com a missão que nos foi designada.
Mas esta missão não é um decreto divino, é uma proposta do mundo espiritual, a sua concretização depende de cada um de nós, muitas outras missões já foram atribuídas a outros povos e fracassaram.
A Doutrina Espírita nos dá uma noção clara das nossas responsabilidades apontando a honestidade, fraternidade, amor ao próximo não como um favor que fazemos aos outros, mas como as diretrizes mínimas e necessárias à nossa felicidade. Ela nos dá uma visão do mundo espiritual e das conseqüências futuras de nossas ações.
Como espíritas precisamos fazer ao próximo tudo aquilo que gostaríamos que nos fosse feito. Sobre isso nos conta Richard Simonnetti no livro Amor, sempre Amor! A seguinte historinha:
A sós em seu escritório Onofre lia o ESE XI:
“Amar o próximo como a si mesmo; fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós” é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo.
Onofre pôs-se a imaginar como a humanidade seria feliz se a lei do amor fosse observada.
Decidiu enfrentar o desafio de amar o próximo como a si mesmo e fazer por ele o que gostaria de receber.
No quarto, beijou, carinhoso, a esposa já acomodada no leito, dizendo que a amava e desejando-lhe um sono tranqüila.
Joana, a esposa, desconfiada pensou o que teria aprontado o marido, aquela manifestação inusitada de carinho cheirava a consciência pesada, mas tranquila aconchegou-se a ele e dormiu feliz.
Pela manhã ofereceu-se Onofre para ir à padaria buscar os pães a mulher verificou se o marido estava febril, pois não estava habituada à colaboração do marido nos trabalhos domésticos.
Na rua Onofre foi abordado por um homem, mas demonstrando pressa despediu-o rapidamente. Arrependido pensando na resolução que tomara na véspera retornou para conversar com o homem.
Este explicou-lhe que estava desempregado, a esposa doente e os filhos passavam necessidade. Onofre pediu que o acompanhasse à padaria comprando-lhe pães, leite e outros alimentos. O homem, agradecido, confessou-lhe que acabara de salvar sua vida, pois cansado de pedir e ouvir desprezo pensava em tirar a própria vida, diante disso Onofre deu-lhe o endereço do centro espírita que freqüentava aconselhando-o a buscar ajuda lá, se não para o físico, para o espiritual.
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