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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Desconfiemos de Nós

Baseado no livro Técnicas de Viver pelo espírito Kelvin Van Dine e psicografia de Waldo Vieira.

Kelvin hoje nos convida a conversarmos sobre um hábito que todos temos e que parece muito ingênuo, mas que pode causar muitos males, tanto para nós quanto para o nosso próximo.

O nosso cérebro é capaz de expedir dezenas de julgamentos, mesmo inconscientes, durante um único dia. Temos as fórmulas perfeitas, as soluções imediatas para todos os problemas da Terra e saímos a julgar todos que encontramos, seja nos noticiário, seja nossos companheiros da vida diária.

Passamos a maior parte do nosso tempo valorizando o mal, destacando as atitudes negativas dos outros, enxergando dificuldades e vícios e escondendo as virtudes, as conquistas individuais. Esquecemos que o foco no mal, amplia o mal.

E não apenas julgamos e guardamos esse julgamento para nós, temos o triste hábito de tecer comentários com os outros a respeito das imperfeições do nosso próximo. Esse ato tem o nome de maledicência, mas para amenizá-lo o chamamos de “pequeno comentário”, uma “fofoquinha” sem maldade alguma.

Richard Simonetti sobre a maledicência nos diz que “é mais terrível que uma agressão física. Muito mais do que o corpo, fere a dignidade humana, conspurca reputações, destrói existências.”

Temos o nosso livre-arbítrio, mas colhemos sempre os frutos daquilo que semeamos, enquanto não emitimos as palavras somos senhores delas, mas, quando a pronunciamos, passamos a ser escravos dela.

No texto de nossa exposição Kelvin nos diz: “A maior percentagem do mal que existe no mundo, vive e se derrama de nós mesmos.”

Isso nos lembra uma pequena historinha:

Conta-se que certa senhora todo dia olhava pela janela as roupas da vizinha e dizia:

- Nossa, como essa mulher lava mal essas roupas, estão todas sujas! Alguém precisa ensiná-la como fazer!

E assim passaram-se os dias, até que numa manhã ao olhar pela janela, admirou-se. Como estavam limpas as roupas no varal da vizinha, finalmente aprendeu a limpá-las! Comentou a mulher.

Foi quando o marido que estava a ler o jornal na sala retrucou:

- Não é nada disso, eu que limpei as vidraças essa manhã.

Precisamos estar atentos, pois quando nos incomodamos muito com determinadas atitudes do próximo, pode significar que esta mesma atitude encontre-se também nos nossos atos, no nosso modo de agir.

Não temos o direito de condenar ou julgar, pois falta-nos competência e autoridade para tanto, pois que somos também necessitados de indulgência, de perdão para os nossos erros, pois também os cometemos. Justiça absoluta, somente a Divina.

Condenamos toda espécie de roubo sem, ao menos, questionarmos as dificuldades daquele que delinqüiu. No entanto, estamos lidando de forma totalmente íntegra com os nossos impostos? Adquirimos sempre de forma legal CDs, DVDs e produtos eletrônicos?

Criticamos toda a forma de burlar a lei, sem verificarmos a situação individual de cada caso. No entanto, como lidamos com alguns de nossos atos diários como uma pequena contramão, o atender rapidinho o celular enquanto dirigimos, um jeitinho para escapar das multas?

Banimos toda a forma de violência, sem poupar críticas ao agressor, vendo-o como a pior criatura da sociedade. No entanto como lidamos com a violência silenciosa dentro de nossas casas ou no trabalho? Já conseguimos controlar o tom de voz para que o grito não intimide aqueles que amamos.

É claro que não estamos dizendo que devemos ser cúmplices dos erros alheios, acobertá-los, mas analisá-los para nós, analisarmos o erro e não o próximo, procurando aprender com o erro alheio evitando repeti-lo em nossos procedimentos.

Em alguns casos, é preciso avaliar a ação do nosso próximo para auxiliá-lo na correção dos seus desvios de conduta. Assim faz o pai em relação ao seu filho, o professor com o seu aluno, um amigo em relação ao outro. Mas lembremos que há imensa diferença entre avaliar para ajudar e julgar para condenar.

Joanna de Angelis no livro Lampadário Espírita nos diz que “Não há desejo de ajudar quando se censura. Ninguém ajuda condenando. Não há socorro se, a pretexto de auxílio, se exibem as feridas alheias à indiferença de quem escuta.”

Derrapamos num dos mais conhecidos ensinamentos do Cristo contido no ESE Cap X item 11: “Não julgueis, a fim de que não sejais julgados; porque vós sereis julgados segundo houverdes julgado os outros.”

Quando procuramos realizar a nossa reforma íntima, passamos a combater os nossos próprios defeitos e para isso procuramos exercitar a virtude que se opõe a este defeito. No caso da maledicência o hábito a ser adquirido é o de bendizer, o da indulgência, exaltando o lado bom do próximo.

No ESE Cap. X item 16 nos dizem os espíritos amigos; “A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que não se tornem conhecidos senão dela unicamente e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles.”

Elevar o pensamento, no momento em que pensarmos em comentar sobre o nosso próximo, refletir se desejamos para nós o que estamos prestes a falarmos do outro. Além de cuidarmos com o que falamos, é igualmente importante nos preocuparmos com aquilo que ouvimos.

Precisamos nos policiarmos e nos corrigirmos. Como? Vigiando os nossos pensamentos, ocupando nossas mentes com trabalho útil e pensamentos elevados. Não tocando em assuntos que não nos dizem respeito e não dar continuidade a conversações maledicentes. Não precisamos ser desagradáveis com quem tece o comentário, apenas com jeitinho sugerirmos a mudança de assunto.

Nosso olhar julgador deve estar em cima do nosso próprio comportamento de como estamos conduzindo nossa vida e não como os nossos semelhantes conduzem a deles.

Irmão X pela psicografia de Chico Xavier narra-nos uma pequena história chamada “Os três Crivos”:

Certa vez, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:

- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave a dizer-te, em particular...

- Espera!... – juntou o sábio prudente. – Já passastes o que vais me dizer pelos três crivos?

- Três crivos? – perguntou o visitante espantado.

- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se a tua confidência passou por eles. O primeiro crivo é o da verdade. Guardas absoluta certeza quanto aquilo que pretendes comunicar?

- Bem... – ponderou o homem – assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer...

- Exato. Decerto peneirastes o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

-Isso não... Muito pelo contrário...

-Ah! – tornou o sábio – Então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

- Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado. – Útil não é...

- Bem – rematou o filósofo num sorriso -, se o que tens a dizer não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele.

Procuremos cada um de nós utilizarmos nas nossas conversações os três crivos de Sócrates, e se em algum momento nos ocorrer um mau pensamento e a vontade de tecermos um comentário sobre o nosso próximo, paremos antes de emitirmos qualquer som e lembremos do último ensinamento que nos transmite Kelvin nesta noite:

“Se temos algo a desconfiar, desconfiemos de nós.”

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tire Férias de Você

Baseado no livro Técnicas de Viver pelo espírito Kelvin Van Dine e psicografia de Waldo Vieira.

Todos nós necessitamos, em determinados períodos das nossas vidas, tirarmos férias, seja do trabalho, da escola, da faculdade. Fazemos aquela pausa em que nos dedicamos ao nosso descanso, a refazer as nossas energias e retornamos renovados às nossas atividades.

Kelvin nos faz um pedido diferente... Que tiremos férias de nós mesmos. Mas como assim? Como tirar férias de nós mesmos? E por quê?



No início do texto Kelvin nos faz a seguinte colocação: “Em tudo, nossa tendência instintiva é ver a nós mesmos. Somente nós. Sempre nós.”



Estamos no nosso dia-a-dia, sempre assoberbados com o nosso trabalho, o sustento de nossa família, nossos afazeres, nossas preocupações, nossas dores, nosso eu nos toma praticamente todo o nosso tempo, as vinte e quatro horas de nosso dia.



As conquistas materiais são necessárias, precisamos delas para vivermos nesse mundo, para aproveitarmos esta encarnação. Precisamos trabalhar, construir nossa família, mantê-la, precisamos viver com conforto e proporcioná-lo a nossa família, não há erro nisso. O erro está em focarmos nossas vidas apenas nisso e esquecermos que existe o próximo ao nosso redor.



No LE questão 913 Kardec pergunta aos espíritos: “Entre os vícios, qual se pode considerar o pior? É o egoísmo. Dele deriva todo o mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe o egoísmo.”



Mais adiante na questão 917 ele pergunta: “Qual o meio de destruir o egoísmo? De todas as imperfeições humanas, a mais difícil de extinguir é o egoísmo, porque se liga à influência da matéria da qual o homem, ainda muito próximo de sua origem, não se pode libertar. O egoísmo enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a material.



Precisamos entender que somos seres espirituais vivendo uma experiência material. Por isso Jesus nos aconselhava a “vivermos no mundo sem sermos do mundo”.



Mais Adiante no texto Kelvin nos diz “Façamos a convergência e a parada de nosso carro nas estações de outras criaturas.
Tire férias de você de quando em quando. Pense nos outros. Olhe, fale, pergunte, sonde crises e dificuldades adentrando o calvário do próximo com o objetivo de auxiliar.”



Costumamos nos utilizar de muitas justificativas sem lógica para não praticarmos a caridade, para não auxiliarmos o próximo, tais como: “não possuo recursos, não tenho tempo, minha saúde está precária” e por aí vai...



No ESE cap. XIII item 10 nos dizem os espíritos amigos: “A caridade se faz de muitas maneiras, podeis fazer a caridade em pensamentos, em palavras e em ações.”

Em pensamento: fazendo uma prece por aqueles que sofrem mais do que nós.

Em palavras: orientando aqueles que nos pedem um bom conselho. Palavras de incentivo, de esperança, ajudam-nos a ter forças para continuar.

Em ações: fazendo chegar o alimento, o agasalho e ao carinho àqueles que necessitam.


Quando praticamos a caridade material, damos do que temos. Quando praticamos a caridade moral, damos do que somos.



No LE questão 886 kardec pergunta: “Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade como entendia Jesus?Benevolência com todos, indulgência com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.



Passamos a vida a olhar os nossos próprios passos sem percebermos que, ao nosso lado, em silêncio, alguém aguarda uma mão amiga para ajudá-lo na existência e por diversas vezes, esse alguém está conosco, dentro das nossas casas, e não percebemos que necessitam de ajuda.



O nosso familiar consangüíneo também é o nosso próximo. E mais, se estamos juntos na presente encarnação não é por obra do acaso, existe para isso uma finalidade. Deus sempre coloca os necessitados em nossos caminhos, perto de cada um de nós, para que possamos ajudá-los, e dessa forma nos ajudarmos também.



Como já dissemos, o nosso dia-a-dia corrido, a preocupação com o trabalho e com os nossos próprios problemas, nos impede de observar com um pouco mais de atenção até mesmo aqueles que conosco dividem o lar.



Mergulhados em nossas próprias preocupações não percebemos o filho que passa por problemas e que por isso não vai bem na escola necessitando do nosso diálogo, do aconselhamento seguro papel fundamental que temos como pais, não notamos o abatimento e a mágoa que causamos na esposa ou no esposo pela nossa indiferença, cansado demais do trabalho para uma conversa amiga, um gesto de carinho e por aí vai...



Vamos criando situações que mais tarde gerarão conflitos e nos perguntaremos, porque o filho tão revoltado se nada lhe falta? Talvez nada faltou-lhe materialmente, mas faltou o dialogo, a orientação. Por que o fim do relacionamento, se fomos fieis ao cumprimento de nossas obrigações com o lar? Mas faltou o carinho, a conversa fraterna, o entendimento...



Aqueles que conosco dividem o lar são, talvez, os mais necessitados da nossa caridade, como entendia Jesus, porque são espíritos com os quais certamente trazemos compromissos anteriores e que conosco compartilham a existência para que aprendamos juntos a nos amarmos e nos respeitarmos.



Outra questão importante que Kelvin nos coloca “Organize o contentamento alheio sem cogitar de aparecer.”



No livro Os Prazeres da Alma o espírito Hammed nos diz: “Muitos de nós nos doamos porque esperamos receber em troca atenção e respeito de outras pessoas. Isso não é ajuda real nem mesmo está unido ao amor; mais se assemelha a uma forma de barganha, seguida de eternas cobranças.”



Quando fazemos o bem a alguém devemos fazê-lo não para ficar bem aos olhos dos outros, ou para nos desincumbir de uma obrigação; deveríamos fazer o bem porque nos faz bem.



Isso nos lembra uma pequena história que conta que um homem morava num bairro do qual todos os dias saía pela manhã com uma sacola cheio de moedas e voltava ao final do dia com a mesma sacola cheia de moedas. Não era querido pela comunidade, e todos o enxergavam como avaro, mesquinho e egoísta, exibindo dinheiro por onde passava e sem distribuir nada a ninguém. Até que esse homem morreu, e no seu enterro foram centenas de pessoas, muitos mendigos para surpresa geral. Ao indagarem o motivo de tanto deferimento, os mendigos explicaram que ele sempre levava moedas para lhes ajudar. Saia de casa mais cedo, distribuía aos necessitados e na volta do trabalho passava no banco e retirava mais moedas para o dia seguinte. A vizinhança o julgava e ninguém sabia disso, mas para ele não era importante que alguém soubesse, pois ele e Deus sabiam.



Caridade é aprender a ser benevolente em todas as situações, é ajudar sem perguntar e nem impor condições, é perdoar e não guardar mágoas, amando a Deus acima dos interesses materiais, vivendo humilde e ternamente relações enriquecedoras a partir do nosso próprio lar.



Kelvin finaliza nos aconselhando “Excursione nas províncias em que se entrechocam as esperanças e as provas dos outros e experimente. Você voltará ao distrito das próprias lutas de ânimo mais saudável e de espírito sempre melhor.”



Temos memória curta, nos esquecemos da alegria que nos invade quando ajudamos o outro, motivados por bons sentimentos e até a vibração de amor que toma conta de nós quando fazemos uma prece pelos outros. Quando emitimos vibrações de amor pelo outro estamos nos imantando de fluídos emanados por nós mesmos e somos os primeiros beneficiados por eles.



Além disso, nunca sabemos se estamos ajudando alguém querido de uma outra vida e que agora em outra roupagem física não reconhecemos. Nessa interrogação que fica muitas vezes em nossas mentes, vamos construindo novos laços de amor e amizade entre nós.



Assim respondemos às perguntas que nos fizemos lá no início: Como tirarmos férias de nós mesmos? Olhando para o lado, para as necessidades do nosso próximo, auxiliando, estendendo a mão àqueles que necessitam mais do que nós e muitas vezes estão ao nosso lado e não enxergamos por estarmos tão focados em nós mesmos, na nossa vida diária e nas nossas próprias dores, que talvez nem chegue aos pés da dor daqueles que nos cercam.



Por quê? Porque através do próximo é que evoluímos, auxiliando o próximo desinteressadamente estamos auxiliando a nós mesmos, à nossa evolução e revigorados pelas energias da prática do bem voltaremos aos nossos problemas, lidaremos com as nossas dores, mais fortalecidos enxergando-as muito menores do que pareciam ser.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Simpatizar-se com o Cristo


Quando recebemos o tema, nos ocorreu as seguintes questões. O que é simpatizar-se? No dicionário simpatizar-se significa experimentar agrado ou estima por alguém, gostar aprovar.

Quando gostamos ou aprovamos alguém é porque concordamos com seus pensamentos, idéias, atitudes.

Mas o que seria simpatizar-se com o Cristo? Concordar com suas idéias, pensamentos e atitudes. Num primeiro momento nos ocorreu que precisaríamos primeiramente conhecê-lo. Como? Através dos seus ensinamentos, do evangelho e das obras básicas.

No ESE cap. XVIII nos dizem os benfeitores no item 10: “O servidor que soube a vontade de seu senhor e que, todavia, não estiver preparado e não tiver feito o que esperava dele, será batido rudemente, mas aquele que não soube sua vontade e que tiver feito coisas dignas de castigo, será menos punido. Muito se pedirá àquele a que se tiver muito dado; e se fará prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas.”

E mais adiante no item 12: “Todo aquele que conhece os preceitos do Cristo é culpável, seguramente, de não os praticar.”

Analisando essas passagens percebemos que para simpatizarmos com o Cristo não basta que conheçamos seus ensinamentos e gostemos e os aprovemos, é essencial que os coloquemos em prática.

No LE questão 642 Kardec pergunta aos espíritos: “Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”

Simpatizar-se com o Cristo é mais do que lermos o evangelho, orarmos e acreditarmos que ele está sempre ao nosso lado, é tê-lo dentro de nós. O conhecimento da doutrina espírita nos traz responsabilidade, como nos disse o evangelho, muito será pedido a quem muito tiver sido dado, quem possui o conhecimento possui a responsabilidade que esse conhecimento nos traz.

Mesmo assim, quando encarnados ainda costumamos fugir da nossa responsabilidade e sobre os nossos atos e procuramos colocá-las sobre outros ombros, culpamos a nossa sorte, porque não tivemos oportunidades, culpamos o próximo pelas mágoas e rancores que nós mesmos cultivamos porque não sabemos perdoar e muitas vezes culpamos Deus acreditando que somos injustiçados. Mas somos os únicos responsáveis por nossos atos.

Quando a dor nos atinge a pergunta a ser feita não é onde estava Deus? Mas sim onde estamos nós que nos colocamos a tamanha distância Dele, ao ponto de esquecermos o amor ao próximo.

Sabemos que todos fomos criados simples e ignorantes e que as escolhas que vamos fazendo ao longo de nossas existências irão guiando a nossa evolução. Temos o conhecimento de que nossa meta final é a perfeição, portanto, nos cabe buscar essa perfeição.

Temos o hábito de julgarmos e querermos que os outros mudem, que tenham atitudes que julgamos serem corretas, mas quando conhecemos os ensinamentos e simpatizamos com o Cristo percebemos que o seu convite é de façamos um mergulho dentro de nós mesmos, que apontemos e julguemos as nossas próprias falhas.os caminhos da evolução são diferentes para cada um, cabe a cada um de nós buscar sua própria evolução, sua reforma íntima.

Para nossa evolução recebemos sempre o auxílio de benfeitores espirituais, mas estes respeitam as nossas decisões, o nosso livre arbítrio. Eles nos dão sinais de qual o caminho certo a seguir, mas respeitam as nossas decisões se optarmos por caminhos mais difíceis e mais longos, pois sabem que mais tarde seremos despertados pela nossa mestra nesse mundo a dor e que através dele retornaremos ao caminho da simpatia com o Cristo.

A dor não resgata os nossos erros do passado, ela apenas nos alerta, nos desperta para eles, o resgate só é possível através da ação no bem, no ser útil ao próximo. Pedro 4:8 nos disse: “Sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão dos pecados.”

Jesus nos disse: “Sede perfeitos.” E também nos deu a fórmula para chegarmos à esse objetivo; “Amar ao próximo como a si mesmo”.

Quando pensamos no amor ao próximo logo nos ocorre o conceito que temos de caridade, com certeza o conforto material que possamos proporcionar ao nosso próximo através do alimento, do agasalho da ajuda financeira são atos louváveis desde que realizadas sem interesse e sem ferir a dignidade daquele que o recebe.

Mas os nossos pequenos atos diários também podem revelar atitudes de amor ao próximo, o mundo em que vivemos tem fome de amor, se olharmos ao nosso redor, se olharmos para o lado com um pouco mais de atenção, se nos propormos a isso, o que muitas vezes não fazemos, por nos dizermos ocupados demais. Mas, se observarmos ao nosso redor iremos perceber o filho que necessita de atenção e de algumas palavras, o relacionamento conjugal que necessita de diálogo e cuidados, o amigo que há algum tempo não vemos e que precisa daquele conselho, daquela visita, daquela palavra amiga num momento difícil, o colega de trabalho que nada nos pede a não ser o respeito e a compreensão com as suas próprias dificuldades.

Encerramos com esse pequeno desenho cuja resposta do Cristo é que devemos procurá-lo no lugar certo, devemos orar pedindo a ajuda e a proteção dos nossos amigos espirituais, devemos realizar o evangelho no lar, fazer leituras edificantes, buscar o estudo e o conhecimento espírita, mas precisamos principalmente colocar em prática os seus ensinamentos, colocar em prática o amor ao próximo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tua Tranquilidade

Se procurarmos a palavra tranqüilidade no dicionário, encontraremos como resultado: sossego, quietação, paz, serenidade.



Mas diante do conceito de tranqüilidade temos uma visão muito distorcida de que tranqüilidade é um estado de inércia, de ausência de lutas e conflitos, ausência de problemas.



E quem de nós não têm problemas? Todos temos. Sem eles não cresceríamos. A falta de problemas, de dificuldades geraria desestímulo às nossas vidas. È vencendo-os, solucionando-os que crescemos, ganhamos experiência e evoluímos.



Jesus nos ensinou que poderíamos escolher entre a porta larga e a porta estreita. A porta larga é a da fuga dos problemas ou a porta estreita do trabalho e do crescimento. Todos sabemos como proceder e qual porta devemos escolher. Se optarmos pela porta larga, estaremos plantando tempestades para o nosso futuro. Ao contrário, se optarmos pela porta estreita dos compromissos com a vida, com a família, com a sociedade, aí sim viveremos tranqüilos, pois a nossa consciência, apesar dos problemas do dia-a-dia, estará tranqüila.



Vivemos num planeta de provas e expiações e o simples fato de nele necessitarmos reencarnar, nos expõe à problemas, contratempos, dificuldades característicos desse planeta. Mas nos momentos de maior angústia e dificuldades precisamos nos manter serenos, tranqüilos, pois só assim visualizaremos, ouviremos aquela voz interior, o nosso guia, nosso amigo, nosso anjo, nos apontando o caminho, a solução, o conforto na dor.



Precisamos entender que a tranqüilidade independe de paisagens, de circunstâncias ou ocasiões. Ela é interior, é o resultado de uma consciência tranqüila.



O cansaço, a dor, embora nos aflijam, nunca serão capazes de romper a tranqüilidade real. Quando existe harmonia interior os ruídos de fora não nos perturbam, desde que não condicionemos nossa tranqüilidade a lugares, pessoas ou fatores externos. Ela depende exclusivamente de nós mesmos.



Mas na correria do dia-a-dia, raramente agimos impulsionados pela tranqüilidade. A alta carga de informações nos faz agir precipitadamente, sem pensar direito.



Joanna de Angelis no livro Intercâmbio Mediúnico nos aconselha: “Cuidemos, preservando a nossa vida interior, a fim de que o turbilhão, que agita por fora, não consiga perturbar a paz que cada um deve manter por dentro.”



Devemos assumir conosco mesmo o compromisso de evitar a exasperação. Qualquer ato de nervosismo, de bater a porta de casa ou sair cantando os pneus, conduz energias pesadas que nos envolvem em maior carga de problemas, pois sabemos que atraímos para nós exatamente aquelas energias que emitimos.



É muito importante mantermos a tranqüilidade dentro das nossas casas, no trato com aqueles que conosco dividem o lar, assim mantemos a convivência mais harmônica. O nosso lar deve ser o nosso refúgio, o porto seguro para onde vamos após o nosso dia de trabalho. Além disso, devemos pensar que o tempo todo somos exemplo para aqueles que estão ali conosco, principalmente os nossos filhos. Nos vendo irados, desesperados, agitados é assim que eles aprenderão a reagir aos problemas, mas se ao contrário nos virem tranqüilos, serenos, mantendo a calma e o raciocínio, mesmo nos momentos difíceis, aprenderão que está é a forma mais correta de reagir às dificuldades.



Ayrtes nos diz que: “Não podes dar sinal, na tua casa, de agitação, de desespero, para que teus filhos não façam o mesmo; se queres filhos tranqüilos, planta a mansuetude”.



Nossos gestos e nossas palavras são capazes de movimentar energias poderosas desequilibrantes ou tranqüilizadoras, de paz ou de guerras. Por isso Jesus nos recomendou tanto o orai e vigiai, por isso sempre lembramos a necessidade do Evangelho no Lar que nos sintoniza com as esferas espirituais mais elevadas e nos auxilia a vigiar nossos pensamentos, palavras e atos.



Costumamos, muitas vezes nos desculpar dizendo: “Eu bem que me esforcei, mas me roubaram a tranqüilidade!”. Que enganos o nosso, só podem nos tirar o que realmente não temos. Quando cultivamos a verdadeira tranqüilidade, aquela que vem do nosso intimo, ninguém nem nada pode nos abalar.



Emmanuel no livro Ceifa de Luz nos dá algumas dicas de como conquistar e manter a nossa tranqüilidade interior:



- Corrigir em nós as deficiências passiveis de conserto a aceitar as falhas que ainda fogem ao nosso controle.

Nos conhecermos, sabermos das nossas dificuldades, procurar melhorá-las, mas sem ficarmos nos culpando e nos cobrando o tempo todo.



- Tolerar obstáculos necessários ao nosso aperfeiçoamento e entender que os outros também carregam os deles.

Lidarmos com naturalidade com as dificuldades que nos aparecem, elas são necessárias ao nosso crescimento e procurarmos entender que o outro muitas vezes atribulados com os seus problemas, pode estar mau humorado, destemperado, angustiado e nos cabe compreender.



- Observar as ofensas como retrato dos ofensores, sem recorrer aos mesmos atos como revide.

Praticarmos o perdão, não revidar o mal com o mal, mas compreender que cada um está em seu nível de evolução e só pode dar do que possui.



- Abolir inquietações ao redor de calamidades anunciadas para o futuro, que provavelmente nunca ocorrerão.

Muitos de nós ouvindo os noticiários, previsões e o excesso de informações com que somos diariamente bombardeados, nos alardeamos, nos preocupamos com coisas desnecessárias, cabe-nos evitar esse tipo de informação e se acaso a recebermos, orar pelos envolvidos emitindo energias de paz e harmonia.



- Nada pedir sem dar de nós mesmos.

Quantas vezes exigimos do nosso próximo aquilo de que ele ainda não é capaz de nos dar e mais ainda aquilo de que ainda nós mesmos não somos capazes de doar.



- Respeitar os pontos de vista alheios, mesmo que contrários aos nossos, entendendo que pontos de vista são maneiras, crenças e opiniões peculiares a cada um.

Há pouco tempo atrás falamos sobre a importância do respeito em nossas relações, e principalmente para a harmonia do nosso lar, pois cada um de nós é diferente, estamos em estágios evolutivos diferentes, precisamos respeitar as experiências e idéias do outro.



Com essas dicas podemos perceber que a nossa tranqüilidade depende exclusivamente de nós, do nosso esforço em nos melhorarmos, da nossa reforma íntima que deve ser um trabalho diário, lento, gradual, mas constante. A paz do mundo deve começar dentro das nossas casas e antes disso, dentro de cada um de nós.



Para finalizarmos a nossa conversa de hoje trouxemos uma pequena mensagem de Joanna de Angelis do livro Otimismo, psicografia de Divaldo Franco:

“Em favor da expansão da paz, não esperes o que te possam doar os outros.

Se uma palavra pode facultar o desencadeamento dos valores que pacificam, sê tu quem a expresse;

Se o pensamento de equilíbrio faz-se elemento de sustentação da harmonia, projeta-o sem aguardar em outrem;

Se uma atitude pode influenciar o clima de tranqüilidade das pessoas, esforça-te por produzi-la.

Fala e realiza tudo quanto leva à paz, mantendo-te em serenidade;

Emite a voz com vibração de amor, opinando ou esclarecendo;

Age sem precipitação, porque a ação acelerada desarmoniza e inquieta;

Não aumentes o volume daqueles que tudo vêem mal, esmiúçam o erro e comentam a agressividade.

Tranqüilo, fomentarás o otimismo e manterás a alegria em ti mesmo em volta dos teus passos”.

Espiritismo nos Dias Atuais

 
Esta semana vamos falar sobre a última parte da história do Espiritismo que viemos falando ao longo de todo este mês em homenagem aos 10 anos do nosso Recanto de Luz e que é o Espiritismo nos Dias Atuais.

Para que a Doutrina Espírita se disseminasse ela foi codificada como vimos na semana passada por Kardec na França, pois a França na época era o centro cultural do mundo.

Nos conta Humberto de Campos no Livro Brasil – Coração do Mundo Pátria do Evangelho que em meados do século 14º Jesus observando os progressos de sua doutrina e de seus exemplo no coração humano e em face dos comprometimentos do continente europeu com o materialismo, ele teria transplantado a árvore do Evangelho para as Américas, em especial para o Brasil.

O Brasil, então, passa a ter por missão difundir o Evangelho através de seu empenho em criar condições para a vivência do Evangelho. Aproveitando, assim a tendência maior do povo brasileiro para a fraternidade, em vista da maior diversidade do povo e da convivência mais pacífica de raças, nacionalidades e credos.

Falemos um pouco sobre o espiritismo no Brasil.

Os primeiros experimentadores da mediunidade no Brasil saíram dos cultores da homeopatia, os médicos Bento Mure de origem francesa e João Vocente Martins, português, aqui chegados em 1840, que aplicavam passes em seus pacientes e falavam de Deus, Cristo e caridade.

José Bonifácio foi também um dos experimentadores do fenômeno espírita.

Em 1844, o Marquês de Maricá publicou um livro com os primeiros ensinamentos de fundo espírita.

Em 1863 o Espiritismo já era comentado com seriedade e o Jornal do Comércio maior órgão de imprensa da Capital do Império publicava em 23 de setembro artigo favorável à Doutrina.

Os primeiros centros espíritas, nos moldes preconizados por Kardec, surgem na Bahia e no Rio de Janeiro a partir de 1865.

Em 2 de janeiro de 1884 é fundada a Federação Espírita Brasileira, por iniciativa de Augusto Elias da Silva.

O fato de maior significação foi a adesão do eminente político e médico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti que se declarou espírita perante um platéia de pessoas importantes.

Após a Proclamação da República em 1889, surge o novo Código Penal no qual o Espiritismo era enquandrado como “transgressão à lei”.

Em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição Republicana, constituiu o Estado Leigo, ou seja, sem nenhum tipo de ligação com a Igreja. Como conseqüência o espiritismo e todas as religiões praticadas no Brasil, foram favorecidas.

Bezerra de Menezes assume a presidência da FEB em 3 de agosto de 1895 vindo a falecer em 11 de abril de 1900, após quatro anos e meio de intenso trabalho, deixando a FEBconsolidada.

O período de 1905 a 1930 é de grande expansão do Movimento Espírita. A partir de 1939 a FEB começa a montagem de uma oficina gráfica própria para a edição das obras espíritas.

Em 1932 Chico Xavier psicografa sua primeira obra, lançada pela FEB – “Parnaso de Além-Túmulo”.

As obras espíritas e os fenômenos da psicografia de diversos médiuns, mas, principalmente, o trabalho e os exemplos de fé, amor e caridade do nosso querido Chico Xavier são fundamentais para a divulgação e disseminação do espiritismo, deixando atrás de si um rastro luminoso a mostrar através de seus exemplos como vivenciar o evangelho, como cumprir com a missão que nos foi designada.

Mas esta missão não é um decreto divino, é uma proposta do mundo espiritual, a sua concretização depende de cada um de nós, muitas outras missões já foram atribuídas a outros povos e fracassaram.

A Doutrina Espírita nos dá uma noção clara das nossas responsabilidades apontando a honestidade, fraternidade, amor ao próximo não como um favor que fazemos aos outros, mas como as diretrizes mínimas e necessárias à nossa felicidade. Ela nos dá uma visão do mundo espiritual e das conseqüências futuras de nossas ações.

Como espíritas precisamos fazer ao próximo tudo aquilo que gostaríamos que nos fosse feito. Sobre isso nos conta Richard Simonnetti no livro Amor, sempre Amor! A seguinte historinha:

A sós em seu escritório Onofre lia o ESE XI:

“Amar o próximo como a si mesmo; fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós” é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo.

Onofre pôs-se a imaginar como a humanidade seria feliz se a lei do amor fosse observada.

Decidiu enfrentar o desafio de amar o próximo como a si mesmo e fazer por ele o que gostaria de receber.

No quarto, beijou, carinhoso, a esposa já acomodada no leito, dizendo que a amava e desejando-lhe um sono tranqüila.

Joana, a esposa, desconfiada pensou o que teria aprontado o marido, aquela manifestação inusitada de carinho cheirava a consciência pesada, mas tranquila aconchegou-se a ele e dormiu feliz.

Pela manhã ofereceu-se Onofre para ir à padaria buscar os pães a mulher verificou se o marido estava febril, pois não estava habituada à colaboração do marido nos trabalhos domésticos.

Na rua Onofre foi abordado por um homem, mas demonstrando pressa despediu-o rapidamente. Arrependido pensando na resolução que tomara na véspera retornou para conversar com o homem.

Este explicou-lhe que estava desempregado, a esposa doente e os filhos passavam necessidade. Onofre pediu que o acompanhasse à padaria comprando-lhe pães, leite e outros alimentos. O homem, agradecido, confessou-lhe que acabara de salvar sua vida, pois cansado de pedir e ouvir desprezo pensava em tirar a própria vida, diante disso Onofre deu-lhe o endereço do centro espírita que freqüentava aconselhando-o a buscar ajuda lá, se não para o físico, para o espiritual.

Teu Plantio

Com o tema de hoje Ayrtes procura nos levar a refletir que cada um de nós é herdeiro de si mesmo. O que estamos colhendo hoje é fruto de um passado, e o que colheremos amanhã, será fruto do que estamos fazendo agora.



No ESE cap V item 4 os espíritos nos dizem o seguinte: “A quem, pois culpar de todas as suas aflições senão a si mesmo? O homem é, assim, num grande número de casos, o artífice de seus próprios infortúnios.



Estamos na Terra em processo de aperfeiçoamento e o maior instrumento para atingirmos esse objetivo é o próximo. É a vida de relação que nos permite realizar trocas, aprender, ensinar e trabalhar para ajudarmos os que necessitam, assim como nós, também necessitamos ser ajudados, tantas vezes.



Não podemos crescer sozinhos porque é no contato com o semelhante que temos oportunidade de testar se já adquirimos virtudes que nos auxiliarão na evolução. Como saber se somos pacientes sem que haja alguém testando a nossa paciência? Como saber se suportamos a ingratidão se não convivermos com o mal agradecido?



Ayrtes nos chama ainda mais a atenção para como está essa vida de relação dentro da nossa casa. Todos sabemos que o lar é a primeira escola do ser, onde ele tem o primeiro contato com aqueles que são diferentes dele, uns com mais afinidades, outros com menos afinidades e talvez até algumas diferenças trazidas do passado e que precisam ser resolvidas através da convivência fraterna.



Qual plantio estamos fazendo para o futuro junto a esses espíritos?



Sabemos que todos estamos inseridos no meio mais adequado ao nosso progresso espiritual, já que programamos nossa existência visando trabalhar em nós determinadas tendências que precisam ser melhoradas, modificadas.



Portanto precisamos buscar uma boa convivência dentro da nossa casa e para isso é imprescindível que respeitemos o tempo de cada um. Temos o hábito de querer mudar o outro, querer que ele haja como acreditamos que seria correto, que seja como gostaríamos que fosse, mas cada um está em seu próprio nível de evolução, cada um tem o seu tempo.



Respeitar o tempo de cada um significa praticarmos três comportamentos distintos em relação ao próximo seja ele o cônjuge, o filho, os pais: o primeiro é orientar no que pudermos; o segundo é apoiar os esforços e iniciativas tomados pelo companheiro de jornada mesmo que não coincidam com a nossa visão do que seria ideal para ele; e o último é festejar junto a ele cada uma de suas vitórias, e solidarizar-se com ele nas derrotas.



A orientação deve ser feita baseada no exemplo que dá credibilidade às nossas palavras.



Quanto ao apoio, certamente é sempre difícil para pais, irmãos ou familiares dar apoio a alguém que esteja tomando decisões e caminhos que se afastem do que idealizamos ou que acreditamos que trará sofrimento e lutas, principalmente para os pais, pois estes costumam sonhar com o futuro para os filhos e nem sempre eles seguem por esse caminho, pois cada um possui seus próprios dons e vocações, seu livre arbítrio.



Devemos ter em mente que mais sábia do que qualquer um de nós é a Providência Divina. Deus nos permite fazer escolhas nem sempre as mais acertadas para que aprendamos com elas. E por que, então, não dar o devido apoio às escolhas do próximo para que ele cresça com elas? Nem sempre aquilo que imaginamos ser o melhor para alguém, realmente é o que aquele espirito necessita. Cada um precisa de suas próprias experiências para crescer, amadurecer e evoluir.



O nosso maior erro quando buscamos orientar alguém é aguardar a primeira de suas quedas para atirar em seu rosto o terrível “eu te disse que não ia dar certo”. É uma grande mostra de falta de fraternidade. Quando o outro cai, precisamos estender a mão e mostrar que estamos ali, ele não precisa que o humilhemos.



A maneira mais fraterna de convivermos com as pessoas é acreditando que elas se tornarão felizes a partir da religião que escolheram, com o companheiro ou companheira que escolheram, bem-sucedidas a partir da profissão que escolheram, e assim por diante.



Hammed no livro Renovando Atitudes nos diz que: “quem encontrou seu lugar, respeita invariavelmente o lugar dos outros, pois tem sob mira a própria fronteira e, consequentemente, não ultrapassa os limites dos outros, colocando na prática o amor ao próximo.”



Amar o próximo é aceita-lo como ele é e não como gostaríamos que fosse. A mente das pessoas é terra onde ninguém passeia. Desconhecemos o que há lá por dentro, suas dores e traumas, e, portanto, não devemos ser juízes de ninguém. Jesus nos disse certa vez que com a mesma medida que medirmos, seremos medidos.



É necessário que aceitemos as diferenças, aceitando a trajetória espiritual do outro. Cada um traz a sua bagagem espiritual, suas experiências e vivências que são diferentes das nossas. Precisamos respeitá-las. Agindo assim estaremos aprendendo a trilhar um caminho para o diálogo.



No LE questão 804 os espíritos explicam que “Deus criou todos os espíritos iguais, mas cada um deles tem maior ou menor vivência e, por conseguinte, maior ou menor experiência.”



Na vida física não temos a perfeita dimensão do que nos liga uns aos outros. Temos a certeza de que não estamos num determinado grupo por acaso. Então pensemos bem quais relações queremos construir? Queremos compromissos ou uniões felizes no futuro?



É imprescindível estarmos atentos às nossas atitudes sejam elas expressas em pensamento, atos ou palavras. Não importa onde estejamos, estaremos sempre produzindo e influenciando aqueles que estão ao nosso redor e no futuro será esta influencia e este produto que colheremos. Nada acontece por acaso. Todas as dificuldades, problemas e aborrecimentos têm uma razão de ser.



Hoje choramos as lágrimas e sorrimos o sorriso que um dia produzimos em nossos companheiros de jornada.



Para finalizarmos deixamos para reflexão uma mensagem psicografada por Chico Xavier:



Nasceste no lar que precisavas,

Vestiste o corpo físico que merecias,

Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiamento,

Possuis os recursos financeiros coerentes com tuas necessidades,

Nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas,

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização,

Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitude...

São as fontes de atração e repulsão na tua jornada.

Não reclames nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,

qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim

Teu Exemplo

Uma bela manhã sai a caminhar, há alguns passos de casa vejo um casal de rolinhas arrulhando: exemplo de amor. Surge mais adiante uma criatura esquálida e maltrapilha: exemplo de abandono.

Mais adiante uma idosa tem dificuldades em alcançar uma campainha de uma residência, alguém prestativo resolve o problema: exemplo de solidariedade.

Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os “bons tempos” e sorriem felizes: exemplo de amizade.

Não longe, um rapaz empurra um carrinho abarrotado de tijolos: exemplo de trabalho.

Caminhando cambaleante segue um infeliz dominado pela bebida: exemplo de vício.

Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor me atende solícito com carinho e atenção: exemplo de gentileza.

De volta à rua uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversa fraterna: exemplo de caridade.



Esta pequena historinha é apenas para mostrar que onde quer que estejamos e a todo momento somos exemplo para os outros e para refletirmos que tipo de exemplo estamos sendo...



No LE questão 625 Kardec pergunta aos espíritos: “Qual é o exemplo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo? – Jesus.”



O Mestre falava, ensinava, contava parábolas e transmitia a Boa Nova com sabedoria e bondade, mas a sua força no cumprimento de sua missão estava nos exemplos que dava de amor, fé humildade, caridade e perdão.



Disse-nos Jesus: “Vos dei o exemplo, para que como eu fiz, façais também vós”.



Como espíritas, e espírita é aquele que sempre procura se melhorar a todos momento, reconhecendo suas fraquezas e combatendo-as, devemos nos preocupar com o exemplo que estamos sendo. O bom exemplo deve ser nossa característica marcante seja no Centro Espírita, na sociedade, no trabalho, e principalmente na família.



Os nossos exemplos valem muito mais do que as palavras que dizemos e os conselhos que damos aos que nos cercam. O exemplo nos traz credibilidade, faz com que os que nos cercam acreditem naquilo que estamos dizendo caso contrário serão apenas palavras vazias.



Mas Ayrtes nos alerta, principalmente, para o exemplo que estamos sendo dentro da nossas casa. Quando constituímos uma família e Deus nos concede os filhos, filhos estes que são espíritos, filhos de Deus, que nos são confiados para que os guiemos, os auxiliemos em seu processo de evolução nessa encarnação. Aí é maior a nossa responsabilidade. Somos responsáveis pelos exemplos que daremos às nossas crianças.



Fénelon nos coloca que “Em todas as idades, o exemplo, pode muitíssimo: na infância, então, é onipotente.”



As crianças são espíritos antigos que reencarnados trazem consigo uma bagagem espiritual das experiências de outras encarnações. Mas seu aparelho cerebral é novo e por isso mais predisposto a ser moldado pelos hábitos e costumes do ambiente em que vive. Por isso na fase infantil o exemplo ser tão importante, é quando o espírito está mais receptivo aos exemplos e às correções de conduta.



As crianças aprendem através da sua curiosidade, elas observam com atenção e passam a imitar o comportamento dos adultos, é desta forma que aprendem a caminhar, a falar, absorvendo o exemplo que é dado pelos adultos.



Bom ou mal, o exemplo é algo marcante, influencia mesmo àqueles espíritos que carregam conhecimentos passados positivos, pois mesmo não estando sujeitos à regressão, pois ninguém regride no progresso moral, nós apenas progredimos, elas sofrerão ao ver nos pais atitudes que reprovam.



Precisamos proporcionar aos nossos filhos as condições necessárias para uma educação baseada no respeito aos familiares e aos semelhantes em geral. O lar é a primeira escola do ser.



Precisamos estar muito atentos às reações e atitudes que tomamos na frente de nossos filhos, e que muitas vezes fazemos de forma inconsciente e de forma inconsciente estamos ensinando a eles que os que não fazem parte de nosso meio não são importantes e, portanto, não merecem o nosso respeito.



Quando somos deseducados com os outros motoristas na frente de nossos filhos, ou com a balconista que tem a obrigação de nos tratar bem, caso contrário reclamo para o chefe dela e ela será demitida. Quando passamos reto pelo porteiro de nosso prédio, o jardineiro, a nossa doméstica e sequer dizemos um bom dia, ou um obrigado. O que estamos ensinando aos nossos filhos? Que exemplos são estes?



Quando discutimos no nosso lar seja com o cônjuge ou com os próprios filhos e nos utilizamos de palavras rudes, duras, que na verdade nem queríamos dizer, mas que “saíram” num momento de raiva. Que exemplo estamos dando? Exemplo de agressão de que se pode resolver os problemas no grito?



Quando eles chegam à adolescência e nos causam transtornos porque são deseducados com as pessoas, com os colegas, com os professores, quando não causam problemas maiores relacionados à violência, normalmente nos perguntamos: onde erramos? Será que não foram essas pequenas atitudes que nos passaram despercebidas? Aquele muito obrigado que por falta de tempo não demos? Aquele sorriso amigo que estávamos apressados demais para dispensar?



Mesmo na adolescência os filhos precisam continuar sendo educados, não com palavras carentes de exemplo, porque o jovem exige muito mais do que a criança a coerência entre o discurso e a ação, ele questiona: “Mas como me ensinas que devo agir assim se ages de outra forma?”. Este é o período em que o espírito demonstra seu caráter real e individual com toda a sua intensidade, e isso exige dos pais muito mais atenção, participação e acima de tudo amor.



O amor não tem hora nem tempo, não deixemos pra depois o abraço amigo, a palavra de carinho, a repreensão dada com respeito, para que ele aprenda que precisa respeitar e ser respeitado, sem agressões, sem gritos.



É o trabalho, a disciplina e o exemplo dos pais que moldam o caráter dos filhos e os preparam para uma vida útil e digna.

A prática do evangelho no lar, com todos os familiares que dividem a casa, é o exemplo da necessidade da fé e do estudo para irradiar e atrair o bem.



Vamos olhar os nossos filhos, netos, bisnetos nãos só como nossos herdeiros queridos dos bens materiais, mas também como alunos que precisam aprender e disciplinar-se para o mundo espiritual.



Se os exemplos e a atenção necessária não forem dadas no lar serão dados na rua pelos amigos, por aqueles que não são assim tão amigos, pelo traficante...

Se a educação moral não foi adquirida em casa, então, somente as provações, as aflições e os padecimentos poderão educar.





Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

- “Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho.

- “Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.”

Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.

Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos.

Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram ásperas e quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão. O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:

- “O que você está fazendo?”

O menino respondeu docemente:

- “Oh, estou fazendo uma tigela para você e a mamãe comerem, quando eu crescer.”

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito.

Dali para frente e até o final de seus dias o avô voltou a comer todas as refeições à mesa com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.



E para finalizarmos uma pequena mensagem de Joana de Angelis mentora de Divaldo Franco: “Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade.”