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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Guia

"Se você estiver num país desconhecido e não souber a língua que ali se fala, tampouco se locomover para os locais desejados, precisará de um guia que lhe oriente qual direção tomar. E você seguirá todas as suas orientações, ainda que o caminho lhe pareça estranho ou difícil. Uma vez que você confia na indicação do guia, você o segue. Com Jesus se dá o mesmo. estamos vivendo na Terra, um local de muitos perigos, para o nosso Espírito ainda frágil e inseguro. Somos almas imperfeitas e facilmente tomamos atalhos perigosos para a nossa real felicidade. Mas Jesus é o guia que nos levará a uma viagem tranquila e feliz. Não será uma viagem fácil, mas, sem dúvida alguma, chegaremos ao destina da felicidade que tanto queremos. Mas, para que isso aconteça, precisamos confiar no Guia e segui-lo. Estamos dispostos?" Alguém Me Tocou - José Carlos de Lucca

sábado, 24 de agosto de 2013

Quando entrar Setembro...

   "O perdão não é um evento, é um processo. Em outras palavras, poderíamos dizer que perdoar não é um ato que se realiza de um minuto para o outro, mas uma atitude que gradualmente impregna o ser e ocorre no tempo certo, próprio de cada um." Suely Schubert - Transtornos Mentais.

   Abordarmos o tema perdão é tão difícil quanto a prática do mesmo, mas a frase citada de Suely Schubert no traz a reflexão sobre a diferença entre perdoarmos e desculparmos.

   Muitas são as vezes em que agimos mal com o nosso próximo, principalmente dentro do nosso lar e solicitamos desculpas sinceras, reconhecendo o nosso erro e a recíproca é verdadeira, tantas vezes o outro reconhecendo o erro nos solicita sinceras desculpas.

   Desculpamos, procuramos deixar pra lá o acontecido, porém no primeira discussão surgida entre as partes vem logo a tona o fato passado que nos magoou e nos feriu e o atiramos ao rosto do nosso afeto naquele momento de raiva, de destempero.

   Desculpamos, mas não perdoamos. Somos peritos na arte de desculpar de deixar pra lá o ocorrido e tocar em frente, mas não resolvemos aquela situação em nosso íntimo. Muitas vezes desculpamos o outro para que o clima entre nós volte à 'normalidade', porque já estamos cansados de ficar de cara feia, mas não dialogamos a respeito do ocorrido. Por algum motivo, seja para não criar mais atrito ou por qualquer outra razão, deixamos de expor ao outro quais os nossos sentimentos frente aquele ato que nos machucou.

   E então desculpamos, mas não perdoamos, porque aquela dor, aquela ferida ainda está aberta em nosso peito, ainda sangra e por vezes nos pegamos a cutucá-la remoendo o acontecido, quando o outro até mesmo já o esqueceu. Mas nós não esquecemos.

   Aquela palavra mal empregada em momento inadequado, aquela atitude imprópria, aquele grito num momento de raiva ainda ecoa em nossa mente, não perdoamos. 

   Não perdoamos exatamente porque como nos diz Schubert, o perdão não é um evento é um processo. Ele não ocorre simplesmente porque queremos perdoar, porque queremos passar uma borracha no assunto e tocar em frente. Ele é um processo, e como qualquer processo requer tempo, requer que nos demos um tempo para digerir a situação, para compreender as razões do outro. E neste momento quão importante seria o diálogo, o poder expor ao outro o nosso sentimento, com tranquilidade, procurando nos fazer compreendido, mas muitas vezes o outro não está aberto a isso. E então o processo se torna mais lento.

   Mas é um processo necessário, ao qual precisamos estar dispostos e abertos porque as mágoas causam profundos abalos em nós quando acumuladas por longo período de tempo. São as causadoras de inúmeras doenças graves e que por vezes nos tiram a vida antes do tempo. 

   Não cultivemos dores, não reguemos nossas mágoas, não alimentemos nossos ressentimentos, procuremos trabalhar essas dores dentro de nós através da compreensão de que todos somos imperfeitos, todos temos nosso tempo, todos cometemos sérios erros. Estamos a caminho da evolução, mas ainda muito distantes do objetivo final...

   O outro tem o sem tempo, eu tenho o meu e você tem o seu... procuremos compreender isso e o processo tornar-se-á mais fácil e menos doloroso. Fácil? Ninguém disse que seria... Mas se como Chico e tantos outros espíritos iluminados que passaram por nosso Planeta, já soubéssemos exercitar o amor, não necessitaríamos pedir perdão ou perdoar, porque aquele que verdadeiramente ama jamais se sente agredido ou magoado.

   "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão onde a gente plantou..." 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Quando meu Corpo Dança...

"Eu danço aquele dia. Danço aquilo que fiz. Danço aquilo que pensei. Danço aquilo que senti.
Danço aquela conquista, quando me achei a mulher mais feliz do mundo. No mover dos meus braços está aquela felicidade. Estão em meu rosto todos os sorrisos...
Danço aquela lembrança, aquele passado nunca esquecido. Nas minhas pernas está esse caminhar longínquo enquanto danço...
Danço aquele alguém. Danço o amor. Está em meus olhos enquanto me movo...
Danço aquele beijo. Meu corpo desenha aquela noite... o sentir da pele, do outro corpo... o nós dois nos momentos em que fomos um...
Danço aquela discussão que tivemos. E aquela que não. A raiva que senti está em meu rosto, enquanto meu corpo faz aquele movimento... sai pelos meus poros junto ao suor...
Danço aquela dor. Meu corpo diz... Diz sobre meus medos e minhas angústias enquanto danço...
Danço aquilo que gostaria de falar e não falei. Digo com o meu corpo enquanto danço. Quando travei meus dentes com força para prender as palavras que queriam sair... não saíram naquele momento, mas saem naquele giro...
Danço aquela mágoa, deixando passar o momento. Era sofrimento. Torna-se perdão naquele salto...
Danço aquele choro. Meu corpo desenha as lágrimas e diminui o tamanho daquela dor enquanto danço...
Danço os meus segredos. Os mais íntimos e indizíveis. Meu corpo escreve essas palavras não ditas enquanto danço. Até os meus dedos movimentam essas sensações...
Danço os meus sonhos, minhas fantasias... estão em cada passo. Meu corpo paira sobre nuvens... são os meus sonhos esquecidos... perdidos... estão ali enquanto danço...
Danço a minha vida. Os movimentos, ao mesmo tempo que refletem, revivem... vivem... resolvem... tocam... terminam... começam...
Mostram e me tornam aquilo que sou...
Danço tudo de mim.
Danço a mim mesma...
E, ao fim, ofegante... respiro a minha história."

Tati Guidio

sábado, 17 de agosto de 2013

Ao Longo da Estrada...

   "Toda alma tem, pois, a sua vibração particular e diferente. O seu movimento próprio, o seu ritmo, é a representação exata do seu poder dinâmico, do seu valor intelectual, da sua elevação moral... As almas que vibram uníssonas reconhecem-se e chamam-se através do espaço. Daí as atrações, as simpatias, a amizade, o amor." León Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor.

   Somos seres individuais, únicos, cada um de nós percorreu um determinado caminho que é só seu, utilizou de seu livre-arbítrio, tomou decisões que foram somente suas. E mesmo aqueles que não tomaram uma decisão, decidiram desta forma.

   E através destas escolhas fomos e vamos construindo nosso destino que altera-se a todo momento conforme as sementes que atiramos ao longo da estrada. Cada um de nós tem sua própria história e seu próprio ritmo no caminhar, alguns seguem mais apressados, esbaforidos, aceleram a viagem e não aproveitam a paisagem. Outros seguem caminho mais lento observando o que ocorre ao seu redor, procurando compreender e estudar cada palmo do caminho. Outros ainda arrastam-se pelo caminho, negam-se a dar um passo adiante a marcam passo na existência entregues ao ócio e à preguiça.

   E por tudo isso cada um de nós vibra em sua própria sintonia, construída por suas experiências, seus pensamentos, sua própria energia. E durante a jornada vamos encontrando aqueles que nos machucaram ou cuja sintonia oposta à nossa nos causa animosidade, e precisamos aprender a conviver com eles, trocar, aprender, reajustar, porque cada ser que cruza nosso caminho tem algo a aprender conosco e algo a nos ensinar...

   Mas a Misericórdia Divina jamais nos desampara e coloca em nossa caminho, igualmente, aquelas almas queridas, aquelas que já cruzaram anteriormente a nossa jornada e com as quais já construímos laços de amor, de ternura, de carinho. São almas que vibram na mesma sintonia, as almas que como citou León Denis, vibram juntas, reconhecem-se e chamam-se através do espaço. E mesmo que não possam estar sempre presentes fisicamente velam por nós de qualquer lugar do espaço onde se encontrem, e suas energias amorosas nos alcançam, nos dando forças para vencer as dificuldades e seguir em frente em nossa  jornada evolutiva.

   Por mais difícil que pareça o momento em que vivemos... jamais estaremos sós, sempre teremos amigos velando, torcendo, vibrando por nós.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Eu sei, mas não devia

Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, 10 de agosto de 2013

Felicidade

"Para ser feliz não precisas de grandes fortunas, de beleza estonteante, de estética perfeita, de saúde e vigor, do emprego afortunado e nem mesmo do amor dos outros, pois o amor dos outros por ti é conquista deles e não tua.
Para que sejas feliz, basta o necessário, basta o trabalho que te fala bem, que te garanta o sustento, basta a vontade de agir e de viver, que faz superar qualquer dificuldade existente com o corpo físico, basta uma mente ativa e um coração que te deixe viver para amar e amar muito." Mancini - Conforto nas Dores da Alma.

Vivendo em um mundo ainda muito materialista, nosso conceito de felicidade é ainda bastante distorcido. Somos espíritos habitando um corpo material, mas nos apegamos demasiadamente ao corpo material e aos bens materiais que a vida na Terra nos proporciona ou pode proporcionar.

Estabelecemos diversas metas, as quais atribuímos a nossa felicidade. Eu serei feliz quando adquirir meu carro, serei feliz quando tiver minha casa, serei feliz quando encontrar alguém que me ame... e assim por diante.

Colocamos a felicidade sempre no alcançar algo, no externo, no que está longe de nós. E quando esses objetivos são atingidos como nos sentimos? A primeira sensação é da euforia, ficamos momentaneamente extremamente felizes com a conquista, mas decorrido algum tempo retornamos ao nosso estado anterior de felicidade ou infelicidade.

A felicidade é uma conquista interior, é uma decisão íntima que cada um de nós deve tomar e que deve ser independente do que vem de fora. A felicidade deve estar na busca das nossas metas e não apenas na conquista em si. Nos dizia Gandi que não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o próprio caminho.

Não devemos procurar a felicidade no amor que venha do outro seja ele um pai, mãe, filho ou cônjuge. A felicidade não encontra-se em nos sentirmos amados, mas em doarmos o nosso amor ao outro. Ser amado é algo que não depende de nós, depende da capacidade do outro. Nesse fato, o de colocarmos a nossa felicidade na espera do amor do outro, é que encontra-se a causa do fracassos de muitos relacionamentos e da maioria de nossas desilusões, porque cada um de nós possui uma capacidade de amar que é individual e que depende da evolução, das experiências de cada um, de como cada um aprendeu a amar.

Esperamos que o outro nos ame da forma como julgamos que deveria amar, mas o outro nos amará ou não da forma como sabe, como aprendeu e isso não significa que ame menos ou mais. Portanto, a felicidade deve estar em amar, em aprender a amar o outro como ele é, aceitando-o e aprendendo com suas virtudes e imperfeições, perdoando as falhas alheias como necessitamos de perdão e aceitação com as nossas imperfeições e falhas.

Paremos de nos torturar atrás de uma felicidade externa e que não depende de nós, ela não está lá. Ela está no nosso sentimento de gratidão a Deus por cada dia, por cada oportunidade de nos melhorarmos, de aprendermos, ela está nos pequenos momentos que dividimos com aqueles que amamos e nos amor que a eles dedicamos sem nada esperar em troca, ela está no trabalho de auxílio ao semelhante e na luz que se acende em nossa alma quando estendemos a mão a quem necessita.

A felicidade está na nossa capacidade de esquecermos mágoas, rancores, ódios e nos livrarmos de todos os sentimentos maus que ainda nos habitam, está em sequer permitir que estes façam morada em nossos corações. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tocar o Senhor

Cap. 37 do livro: O Jugo Leve pelo espírito Inácio Ferreira

   “Contudo Jesus insistiu: Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder.” – (Lucas, cap. 8 – v. 46)

   Extremamente significativo o episódio da pobre mulher enferma que, “havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia”...

   Em meio ao povo que o comprimia e, com certeza, disputava tocá-lo, o Mestre sentiu que alguém o tocara de maneira diferente.
Reparemos que, a fim de curá-la, nem sequer houve necessidade de que o Senhor o tocasse, como o fizera a tantos outros – bastou que, com a sua fé, ela estendesse a mão e o tocasse, de leve.

   Jesus afirma que, de imediato, percebeu que dele saíra poder, ou seja, energia psíquica, que se transferira com os seus efeitos terapêuticos para quem lograra de seu espírito tanta aproximação!

   Quantos, fisicamente rentes a ele e, no entanto, espiritualmente distantes?

   O cristão, que almeja algo se impregnar do poder do Cristo, com o intuito de se transformar , onde esteja, em parcela de sua Divina Presença, carece de estabelecer com ele indispensável sintonia.

   Aquela anônima senhora a que ninguém pudera curar do mal que padecia e que, segundo Lucas, “gastara com os médicos todos os seus haveres”, absorvendo diminuta fração do Infinito Poder do Senhor, além de sentir a própria cura, se transformaria em instrumento dela para centenas de doentes do corpo e da alma.

   Aquela mão que, no máximo, talvez, conseguira tocar a orla de seu manto, estabelecera singular contato espiritual para sempre, porque poucos foram os que conviveram com o Cristo que puderam, com tão pouco, tanto receber quanto ela recebeu.

   À medida que, espiritualmente, nos aproximamos do Senhor e aprendemos a tocá-lo, ansiando pela cura de nossos espíritos milenarmente enfermos, assimilamos algo de seu poder que passamos, então, a irradiar em torno de nós, atraindo as pessoas que, em nossa figura obscura, pressentem os reflexos da Luz da qual ele, e somente ele, é o Foco inextinguível.