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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tocar o Senhor

Cap. 37 do livro: O Jugo Leve pelo espírito Inácio Ferreira

   “Contudo Jesus insistiu: Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder.” – (Lucas, cap. 8 – v. 46)

   Extremamente significativo o episódio da pobre mulher enferma que, “havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia”...

   Em meio ao povo que o comprimia e, com certeza, disputava tocá-lo, o Mestre sentiu que alguém o tocara de maneira diferente.
Reparemos que, a fim de curá-la, nem sequer houve necessidade de que o Senhor o tocasse, como o fizera a tantos outros – bastou que, com a sua fé, ela estendesse a mão e o tocasse, de leve.

   Jesus afirma que, de imediato, percebeu que dele saíra poder, ou seja, energia psíquica, que se transferira com os seus efeitos terapêuticos para quem lograra de seu espírito tanta aproximação!

   Quantos, fisicamente rentes a ele e, no entanto, espiritualmente distantes?

   O cristão, que almeja algo se impregnar do poder do Cristo, com o intuito de se transformar , onde esteja, em parcela de sua Divina Presença, carece de estabelecer com ele indispensável sintonia.

   Aquela anônima senhora a que ninguém pudera curar do mal que padecia e que, segundo Lucas, “gastara com os médicos todos os seus haveres”, absorvendo diminuta fração do Infinito Poder do Senhor, além de sentir a própria cura, se transformaria em instrumento dela para centenas de doentes do corpo e da alma.

   Aquela mão que, no máximo, talvez, conseguira tocar a orla de seu manto, estabelecera singular contato espiritual para sempre, porque poucos foram os que conviveram com o Cristo que puderam, com tão pouco, tanto receber quanto ela recebeu.

   À medida que, espiritualmente, nos aproximamos do Senhor e aprendemos a tocá-lo, ansiando pela cura de nossos espíritos milenarmente enfermos, assimilamos algo de seu poder que passamos, então, a irradiar em torno de nós, atraindo as pessoas que, em nossa figura obscura, pressentem os reflexos da Luz da qual ele, e somente ele, é o Foco inextinguível.

sábado, 3 de agosto de 2013

Porque o meu Fardo é Leve...

   "O Pai visita os filhos necessitados através dos filhos que procuram compreendê-lo" André Luiz - Os Mensageiros.

   Toda oportunidade de auxiliar a quem necessita é um forma de ligação com a espiritualidade maior, é um oportunidade de estar em sintonia com o Pai e com o Mestre Jesus atendendo aos que ele chamou de os mais pequeninos.

   O Mestre ensinou através do exemplo, a todos acolhia e socorria sem jamais julgar, apenas aconselhava a todos a se manterem num caminho melhor quando recomendava: 'Vai e não peques mais'.

   No Cap. XV item 1 do Evangelho segundo o espiritismo, Jesus, ensinando através das suas parábolas presenteou-nos com o seguinte ensinamento: 
"Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes."

   Toda vez que estendemos as mãos aos que necessitam, toda vez que oramos pelos que sofrem, toda vez que estendemos não apenas o pão do corpo, mas também o da alma através da palavra amiga ou do abraço fraterno, toda vez que visitamos o enfermo solitário, que dedicamos alguns momentos, alguns minutos de nosso dia para ouvir aqueles que estão aflitos e temos para com eles uma palavra de ânimo e de carinho, estamos atendendo ao ensinamento do mestre e estamos sendo a mão dele a levantar os caídos.

   O bem que fazemos ao próximo sempre reverte em bem a nós mesmos, amenizando nossas próprias dores e nos dando a compreensão de que aqui estamos para evoluirmos juntos, auxiliando-nos uns aos outros.

   Da mesma forma, toda vez que desviamos do caminho do mal estamos igualmente dando um passo na senda do progresso abraçados à charrua divina, toda vez que desculpamos uma falta do próximo, ou que sequer permitimos nos sentir ofendidos por ela, toda vez que não damos guarita à mágoa, ao rancor, à raiva, paixões ainda tão presentes em nossa realidade espiritual, estamos aprendendo, estamos caminhando e estamos igualmente auxiliando ao próximo. Naquele momento em que fazendo uso do silêncio não entramos na sintonia e não agravamos as dores do outro estamos amando o próximo, estamos socorrendo, estamos através da compreensão da dificuldade do outro sendo a mão do Mestre a levantar os caídos.

   Amenizar a dor do próximo, não entrar na sintonia da raiva e do mal, é um bem ao próximo e a nós mesmos, é estar de mãos postas na seara do Cristo, é aceitarmos o seu jugo leve e seu fardo suave abandonando os fardos pesados da dor e do egoísmo que por tanto tempo estamos carregando.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Perseverança, apesar de...

   "Há tanto tempo, andamos equivocados, que não podemos mesmo criar expectativas exageradas de aprovação às nossas atitudes do presente.
   Mudança de vida não implica em simples mudança de caminho.
   A fim de nos acompanharem os passos, os que nos observam exigirão maiores demonstrações de que, verdadeiramente, rompemos com o passado.
   Os que nos conhecem mais de perto costumam não perdoar em nós os traços de humanidade mesclados às virtudes que ainda não conquistamos integralmente." Inácio Ferreira - Jugo Leve

domingo, 28 de julho de 2013

No Leme do Barco

   "Enfrentemos todos os problemas e tribulações de nossa vida, na certeza de que Jesus, nosso Divino Amigo, vai à nossa frente, na escalada de qualquer montanha que tenhamos de percorrer." Cavalcanti - Sândalo

   Todos passamos por períodos difíceis em nossa jornada por este planeta de provas e expiações, nestes momentos nos sentimos sós e por vezes incompreendidos por familiares e amigos.

   São momentos de dor, de angústia, mas também de autoconhecimento, momentos em que a vida nos aponta que algo não vai bem, que nos desviamos da rota traçada ou em que a turbulência se faz necessária e nos elevará a um patamar mais adiantado em nossa evolução para o qual nos encontramos prontos, já é chegada a hora do aprendizado.

   Precisamos compreender que como espíritos eternos, individuais, individualidades, alguns aprendizados são somente nossos, precisamos passar aparentemente sós. Apesar do apoio de amigos e familiares queridos, há dores que são somente nossas, provações internas, sentimentos a serem trabalhados em nosso mundo íntimo por nós mesmos, por nosso próprio esforço de crescimento.

   Porém, a solidão nestes momentos é apenas aparente, nunca estamos sós. A Infinita Misericórdia de Deus nos agracia com a proteção de amigos espirituais que nos conhecem, conhecem o que vai no íntimo de nossos ser e nos guiam, nos inspiram, fazem todo o possível para amenizar nossas dores.

   Basta que acreditemos neste auxílio do Mais Alto e que sintonizemos com eles, através da mudança de sintonia de nossos pensamentos e ações, buscando pensar no bem e principalmente trabalhar no bem, auxiliando aqueles que também sofrem e choram. Secar nossas lágrimas no manto do amor ao próximo e no suor do trabalho digno em prol do bem.

   Certa feita um homem entrou em um avião cuja viagem seria demorada, o que lhe deixava um tanto receoso. Sentou no assento que lhe era destinado e percebeu que a seu lado havia um menino, de pouco mais de seis anos de idade, sozinho. Curioso com a tranquilidade do pequeno o homem perguntou-lhe se  não tinha medo de viajar assim sozinho. A resposta do menino é uma lição para todos nós: - Não tenho medo porque meu pai é o piloto.

   O Pai de Infinita Misericórdia é o piloto de nossa jornada e o Mestre Amoroso Jesus está no leme do barco desta nossa viagem, confiemos, jamais estamos sós.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Perigosa Ilusão

Cap. 31 do livro : O Jugo Leve pelo espírito Inácio Ferreira

   “Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava.” – (Lucas, Cap. 5 – v. 16)
   Após ter efetuado a cura de um leproso, Jesus lhe recomenda discrição, ordenando-lhe “que a ninguém  o dissesse”, exceto que, conforme prescrevia a lei, fosse mostrar-se ao sacerdote.
   No entanto os seus feitos extraordinários cada vez mais de difundiam e, segundo Lucas, “grandes multidões afluíam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades”.
   Por que será, contudo, que o Senhor sempre se retirava para lugares solitários , pondo-se em oração? 
   Qual seria o seu receio?
   Com certeza, o Mestre sabia o perigo que representa a idolatria para qualquer que se encontre sob o jugo da carne.
   Ele fugia ao incenso humano, infelizmente, tão a gosto dos que estimam ser grandemente elogiados por bagatelas.
   Notemos que Jesus, tendo vindo à Terra para divulgar, através da palavra e da ação, o Reino de Deus entre os homens, solicitava silêncio em torno de certas atitudes que o colocavam em destaque.
   E “se retirava para lugares solitários e orava”, com o evidente propósito de não cair na tentação da vaidade, que demonstrava temer.
   Ora, se tal acontecia ao Cristo, o que não pode suceder a nós, espíritos ainda tão vulneráveis a qualquer espécie de bajulação?
   Quantas vezes apreciamos ser aplaudidos, quando o que fizemos nada mais foi que cumprir com a nossa obrigação?
   Chico Xavier, não raro, sendo espontaneamente aplaudido em suas aparições públicas, costumava dizer: - “Vocês estão aplaudindo um cadáver...”.
   O curioso é que muita gente desavisada, não conhecendo o risco espiritual a que se expõe, costuma, inclusive, provocar elogios a si, iludindo-se perigosamente a respeito de seus próprios méritos. 

sábado, 20 de julho de 2013

Como estão teus olhos?

   "Todas as vezes que nos revoltamos contra a vida, lamentando inequivocamente, vamos pela pressão das emoções resultantes dessa postura aniquilando nossas defesas naturais, resultando, assim, nas doenças." Roosevelt - Terapia Anti-queixa

   Quão pequena é ainda nossa visão sobre a vida. Permanecemos ainda focados em nosso próprio eu, nossos problemas são sempre os maiores do mundo. Como é difícil olhar para o lado e perceber que há dores muito maiores que as nossas.

   E focados em nossas próprias mazelas lamentamos e praguejamos contra a vida, mergulhamos em queixas e em sentimentos de auto piedade. E dessa forma a vida nos responde exatamente com mais dores, mais lágrimas e mais dificuldades.

   Porque atraímos aquilo que emitimos. Se somos tristes atrairemos para perto de nós os que são tristes; se formos intolerantes, receberemos do outro a intolerância; se somos ciumentos e invejosos, dificilmente conseguiremos evoluir na vida, pois ao invés de nos preocuparmos com o nosso crescimento moral ou material estaremos focados no outro, na dor que nos causa a conquista, a alegria e o crescimento do outro.

   Ao contrário se formos alegres, otimistas, a vida nos responderá com alegria e esperança; se olharmos o outro com bons olhos e nos felicitarmos pela sua alegria, pelo seu crescimento atrairemos para nós as boas vibrações que nos impulsionarão igualmente em direção do progresso.

   A vida terá a cor com a qual a enxergarmos. Se os óculos que utilizamos, e que somos nós mesmos estiverem acinzentados de maus pensamentos, cinza será a nossa vida. Mas se nos utilizarmos da iluminação de bons olhos, de olhos que procuram o lado bom de cada um e de cada fato, a vida nos aparecerá cor-de-rosa, alegre e cheia de luz.

   "Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz" - Mt. cap.6 v. 22-23

   O hábito de ver o lado bom da vida nos trará também a saúde e a paz, bem como a forma de ver a vida pela suas mazelas, dificuldades, tristezas, nos levará a apatia, á acomodação e à revolta e desenvolverá em nós mais dores e até mesmo doenças no corpo físico.

   Somos os próprios artesões de nosso destino, a forma como nossa vida se desvendará aos nossos olhos e os caminhos se abrirão aos nossos passos depende unicamente de nós. Vejam aqueles que tenham os olhos de ver...

Richard Simonetti conta na palestra 'Uma Razão para Viver" que um velho sábio sentado à beira da estrada na entrada da cidade foi abordado por gentil viajante que educadamente pergunta-lhe:
- Bom dia meu bom velho! Por favor, pode me falar sobre o povo daqui? Estou me mudando para esta cidade e gostaria de saber como são os moradores.
O sábio velho respondeu-lhe com outra pergunta:
- Bom dia meu amigo, pois diga-me o senhor, primeiro, como eram os moradores da cidade de onde vens?
- Ah gente muito boa, pessoas honestas, gentis, amigos leais. Só estou me mudando por necessidades profissionais, pois adorava aquele povo.
- Fique tranquilo meu amigo, pois o povo aqui é exatamente igual! O senhor vai se dar muito bem em nossa cidade.
Mais tarde o velho é abordado por outro viajante, agora sujeito bruto, nervoso que mal o cumprimenta e pergunta:
- Velho, como é o povo daqui? Estou me mudando e preciso de informações.
- E como era o povo de onde o senhor vem?
- Gente da pior espécie, desonestos, desleais, ninguém é amigo de ninguém, são maledicentes e gananciosos, invejosos e maus.
- Ah meu amigo, não vai se dar bem por aqui, porque o povo aqui é exatamente igual.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Criança que fui...

Extraído do livro 'Escutando Sentimentos' de Ermance Dufaux:

   "A criança que fui chora na estrada.
   Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
   Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
   Quero ir buscar quem fui onde ficou. (Fernando Pessoa)
   Olá minha criança! Vim buscar quem fui onde ficou. Que bom te reencontrar; pois sei que um dia deixei-te na estrada para ser quem sou. Voltei agora para te buscar. Perdoe-me por te abandonar. Enquanto choravas, eu dormia o sono das conquistas passageiras. Agora estou desperto, vim te buscar.
   Não te assustes comigo. Eu não te deixei porque desejava. Não soube como fazer. Agora retorno a te buscar. Te aceito como és, incondicionalmente. Tu não és má porque tens imperfeições. Tu apenas tens imperfeições. Depois de tanto tempo, descobri que não sou capaz de viver sem teu poder.
   Quero brincar, pular e ser feliz. Vem ajuda com tua bondade. Ajuda-me com tua criatividade e espontaneidade.
   Ah! Minha criança de luz, como te amo! Como quero te amar! Que vontade de sentir a tua espontaneidade, tua riqueza."