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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Perseverança, apesar de...

   "Há tanto tempo, andamos equivocados, que não podemos mesmo criar expectativas exageradas de aprovação às nossas atitudes do presente.
   Mudança de vida não implica em simples mudança de caminho.
   A fim de nos acompanharem os passos, os que nos observam exigirão maiores demonstrações de que, verdadeiramente, rompemos com o passado.
   Os que nos conhecem mais de perto costumam não perdoar em nós os traços de humanidade mesclados às virtudes que ainda não conquistamos integralmente." Inácio Ferreira - Jugo Leve

domingo, 28 de julho de 2013

No Leme do Barco

   "Enfrentemos todos os problemas e tribulações de nossa vida, na certeza de que Jesus, nosso Divino Amigo, vai à nossa frente, na escalada de qualquer montanha que tenhamos de percorrer." Cavalcanti - Sândalo

   Todos passamos por períodos difíceis em nossa jornada por este planeta de provas e expiações, nestes momentos nos sentimos sós e por vezes incompreendidos por familiares e amigos.

   São momentos de dor, de angústia, mas também de autoconhecimento, momentos em que a vida nos aponta que algo não vai bem, que nos desviamos da rota traçada ou em que a turbulência se faz necessária e nos elevará a um patamar mais adiantado em nossa evolução para o qual nos encontramos prontos, já é chegada a hora do aprendizado.

   Precisamos compreender que como espíritos eternos, individuais, individualidades, alguns aprendizados são somente nossos, precisamos passar aparentemente sós. Apesar do apoio de amigos e familiares queridos, há dores que são somente nossas, provações internas, sentimentos a serem trabalhados em nosso mundo íntimo por nós mesmos, por nosso próprio esforço de crescimento.

   Porém, a solidão nestes momentos é apenas aparente, nunca estamos sós. A Infinita Misericórdia de Deus nos agracia com a proteção de amigos espirituais que nos conhecem, conhecem o que vai no íntimo de nossos ser e nos guiam, nos inspiram, fazem todo o possível para amenizar nossas dores.

   Basta que acreditemos neste auxílio do Mais Alto e que sintonizemos com eles, através da mudança de sintonia de nossos pensamentos e ações, buscando pensar no bem e principalmente trabalhar no bem, auxiliando aqueles que também sofrem e choram. Secar nossas lágrimas no manto do amor ao próximo e no suor do trabalho digno em prol do bem.

   Certa feita um homem entrou em um avião cuja viagem seria demorada, o que lhe deixava um tanto receoso. Sentou no assento que lhe era destinado e percebeu que a seu lado havia um menino, de pouco mais de seis anos de idade, sozinho. Curioso com a tranquilidade do pequeno o homem perguntou-lhe se  não tinha medo de viajar assim sozinho. A resposta do menino é uma lição para todos nós: - Não tenho medo porque meu pai é o piloto.

   O Pai de Infinita Misericórdia é o piloto de nossa jornada e o Mestre Amoroso Jesus está no leme do barco desta nossa viagem, confiemos, jamais estamos sós.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Perigosa Ilusão

Cap. 31 do livro : O Jugo Leve pelo espírito Inácio Ferreira

   “Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava.” – (Lucas, Cap. 5 – v. 16)
   Após ter efetuado a cura de um leproso, Jesus lhe recomenda discrição, ordenando-lhe “que a ninguém  o dissesse”, exceto que, conforme prescrevia a lei, fosse mostrar-se ao sacerdote.
   No entanto os seus feitos extraordinários cada vez mais de difundiam e, segundo Lucas, “grandes multidões afluíam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades”.
   Por que será, contudo, que o Senhor sempre se retirava para lugares solitários , pondo-se em oração? 
   Qual seria o seu receio?
   Com certeza, o Mestre sabia o perigo que representa a idolatria para qualquer que se encontre sob o jugo da carne.
   Ele fugia ao incenso humano, infelizmente, tão a gosto dos que estimam ser grandemente elogiados por bagatelas.
   Notemos que Jesus, tendo vindo à Terra para divulgar, através da palavra e da ação, o Reino de Deus entre os homens, solicitava silêncio em torno de certas atitudes que o colocavam em destaque.
   E “se retirava para lugares solitários e orava”, com o evidente propósito de não cair na tentação da vaidade, que demonstrava temer.
   Ora, se tal acontecia ao Cristo, o que não pode suceder a nós, espíritos ainda tão vulneráveis a qualquer espécie de bajulação?
   Quantas vezes apreciamos ser aplaudidos, quando o que fizemos nada mais foi que cumprir com a nossa obrigação?
   Chico Xavier, não raro, sendo espontaneamente aplaudido em suas aparições públicas, costumava dizer: - “Vocês estão aplaudindo um cadáver...”.
   O curioso é que muita gente desavisada, não conhecendo o risco espiritual a que se expõe, costuma, inclusive, provocar elogios a si, iludindo-se perigosamente a respeito de seus próprios méritos. 

sábado, 20 de julho de 2013

Como estão teus olhos?

   "Todas as vezes que nos revoltamos contra a vida, lamentando inequivocamente, vamos pela pressão das emoções resultantes dessa postura aniquilando nossas defesas naturais, resultando, assim, nas doenças." Roosevelt - Terapia Anti-queixa

   Quão pequena é ainda nossa visão sobre a vida. Permanecemos ainda focados em nosso próprio eu, nossos problemas são sempre os maiores do mundo. Como é difícil olhar para o lado e perceber que há dores muito maiores que as nossas.

   E focados em nossas próprias mazelas lamentamos e praguejamos contra a vida, mergulhamos em queixas e em sentimentos de auto piedade. E dessa forma a vida nos responde exatamente com mais dores, mais lágrimas e mais dificuldades.

   Porque atraímos aquilo que emitimos. Se somos tristes atrairemos para perto de nós os que são tristes; se formos intolerantes, receberemos do outro a intolerância; se somos ciumentos e invejosos, dificilmente conseguiremos evoluir na vida, pois ao invés de nos preocuparmos com o nosso crescimento moral ou material estaremos focados no outro, na dor que nos causa a conquista, a alegria e o crescimento do outro.

   Ao contrário se formos alegres, otimistas, a vida nos responderá com alegria e esperança; se olharmos o outro com bons olhos e nos felicitarmos pela sua alegria, pelo seu crescimento atrairemos para nós as boas vibrações que nos impulsionarão igualmente em direção do progresso.

   A vida terá a cor com a qual a enxergarmos. Se os óculos que utilizamos, e que somos nós mesmos estiverem acinzentados de maus pensamentos, cinza será a nossa vida. Mas se nos utilizarmos da iluminação de bons olhos, de olhos que procuram o lado bom de cada um e de cada fato, a vida nos aparecerá cor-de-rosa, alegre e cheia de luz.

   "Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz" - Mt. cap.6 v. 22-23

   O hábito de ver o lado bom da vida nos trará também a saúde e a paz, bem como a forma de ver a vida pela suas mazelas, dificuldades, tristezas, nos levará a apatia, á acomodação e à revolta e desenvolverá em nós mais dores e até mesmo doenças no corpo físico.

   Somos os próprios artesões de nosso destino, a forma como nossa vida se desvendará aos nossos olhos e os caminhos se abrirão aos nossos passos depende unicamente de nós. Vejam aqueles que tenham os olhos de ver...

Richard Simonetti conta na palestra 'Uma Razão para Viver" que um velho sábio sentado à beira da estrada na entrada da cidade foi abordado por gentil viajante que educadamente pergunta-lhe:
- Bom dia meu bom velho! Por favor, pode me falar sobre o povo daqui? Estou me mudando para esta cidade e gostaria de saber como são os moradores.
O sábio velho respondeu-lhe com outra pergunta:
- Bom dia meu amigo, pois diga-me o senhor, primeiro, como eram os moradores da cidade de onde vens?
- Ah gente muito boa, pessoas honestas, gentis, amigos leais. Só estou me mudando por necessidades profissionais, pois adorava aquele povo.
- Fique tranquilo meu amigo, pois o povo aqui é exatamente igual! O senhor vai se dar muito bem em nossa cidade.
Mais tarde o velho é abordado por outro viajante, agora sujeito bruto, nervoso que mal o cumprimenta e pergunta:
- Velho, como é o povo daqui? Estou me mudando e preciso de informações.
- E como era o povo de onde o senhor vem?
- Gente da pior espécie, desonestos, desleais, ninguém é amigo de ninguém, são maledicentes e gananciosos, invejosos e maus.
- Ah meu amigo, não vai se dar bem por aqui, porque o povo aqui é exatamente igual.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Criança que fui...

Extraído do livro 'Escutando Sentimentos' de Ermance Dufaux:

   "A criança que fui chora na estrada.
   Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
   Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
   Quero ir buscar quem fui onde ficou. (Fernando Pessoa)
   Olá minha criança! Vim buscar quem fui onde ficou. Que bom te reencontrar; pois sei que um dia deixei-te na estrada para ser quem sou. Voltei agora para te buscar. Perdoe-me por te abandonar. Enquanto choravas, eu dormia o sono das conquistas passageiras. Agora estou desperto, vim te buscar.
   Não te assustes comigo. Eu não te deixei porque desejava. Não soube como fazer. Agora retorno a te buscar. Te aceito como és, incondicionalmente. Tu não és má porque tens imperfeições. Tu apenas tens imperfeições. Depois de tanto tempo, descobri que não sou capaz de viver sem teu poder.
   Quero brincar, pular e ser feliz. Vem ajuda com tua bondade. Ajuda-me com tua criatividade e espontaneidade.
   Ah! Minha criança de luz, como te amo! Como quero te amar! Que vontade de sentir a tua espontaneidade, tua riqueza."

sábado, 13 de julho de 2013

Dinheiro e Serviço

            Exposição baseada no Livros da Esperança, psicografia de Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel capítulo 'Dinheiro e Serviço'
           O nosso tema de hoje trata também sobre esse assunto e mais especificamente sobre a forma como empregamos essas riquezas e o grau de nosso apego aos bens matérias.

No ESE cap. XVI item 14 denominado Desprendimento dos Bens Terrenos nos fala o espírito lacordaire: “Vosso amor aos bens terrestres é um dos mais fortes entraves ao vosso adiantamento moral e espiritual; por esse apego à posse, suprimis as vossas faculdades afetivas em as transportando todas sobre as coisas materiais.”
           
            Como já temos dito é absolutamente justo que cada um trabalhe e receba o suficiente para prover sua família com o conforto necessário. É justo que aquele que trabalhe ganhe honestamente seu salário possa usufruir dele. É justo que tenhamos uma casa confortável, um carro, e bens que nos facilitem a vida e da nossa família. O que não se justifica é passarmos ao lado de quem sofre e nada fazermos para minorar suas necessidades.

            Muitas vezes em nome do conforto da família, das necessidades que precisam ser atendidas e algumas bem supérfluas, muitos de nós mergulhamos no trabalho, através de jornadas duplas e até triplas, buscando atender cada vez mais nossas ambições e deixamos de lado valores que realmente importam: o diálogo e a convivência com a família e com os filhos, o auxilio a um amigo necessitado, o investimento em valores espirituais, que serão os únicos que levaremos conosco, através de uma leitura edificante, de um trabalho voluntário, da prática do bem ao próximo. Nos voltamos apenas para o lado material.

            Nos justificamos dizendo que tudo isso fazemos para deixar os filhos amparados materialmente no futuro. Mas será que são estes os verdadeiros valores que precisamos deixar para os nossos filhos?

            No mesmo item 14 do cap. XVI do ESE Lacordaire nos diz: “Pais e mães, estais em grande erro se credes com isso aumentar a afeição de vossos filhos por vós; em lhes ensinando a ser egoístas para com os outros, os ensinais a sê-lo para convosco mesmo.”

            Afundados no trabalho buscamos suprir as necessidades afetivas dos nossos filhos com brinquedos, presentes. Será que estamos ensinando o que é realmente correto? Na verdade estamos ensinando o egoísmo, a indiferença. Se passássemos um pouco mais de tempo com eles, se conversássemos com nosso filho ensinando a importância de dividir com os irmãos e com o próximo, se demonstrássemos através da nossa afetividade e diálogo com a família como devemos nos portar, se ensinássemos através do exemplo a ajudar aqueles que necessitam, estaríamos plantando em seus corações boas sementes para o futuro.

            Hoje criamos seres, relegados ao computador e ao videogame, que são suas babás e os entretém para que não precisemos dedicar-lhes tanto tempo, seres solitários, individualistas e indiferentes. Lembremos que são estes os seres que irão cuidar de nós daqui a poucos anos quando a idade nos vergar, mas se só ensinamos a eles indiferença, egoísmo e individualismo, como esperamos ser tratados no futuro?

            Outro trecho do mesmo item 14 do Cap. XVI nos diz assim: “O desapego aos bens materiais consiste em apreciar a fortuna pelo seu justo valor, em saber servir-se dela para os outros e não só para si, a não sacrificar por ela os interesses da vida futura, a perdê-la sem murmurar se apraz a Deus vo-la retirar.”

            Esse trecho nos mostra que despego não é desvalorizar o que construímos com o suor de nosso trabalho, mas utilizar aquilo que possuímos para auxiliar aqueles que necessitam. É transformar o nosso carro em ambulância para um familiar, um amigo ou vizinho doente. É tornar a nossa mesa farta um pouco menos farta doando um quilo de alimento a quem necessita. É deixar de ganhar aquela comissão um mês por anos para tirar férias com a família, dar atenção ao cônjuge e aos filhos. É chegar mais cedo do trabalho pra buscar meu filho na escola e no caminho pra casa ensinar-lhe o quanto é importante respeitar os mais velhos, ser educado com todos, não participar do bulling aos coleguinhas, respeitar e amar o nosso próximo. É dedicar algumas horas do meu dia à saúde do corpo físico e do espírito, através de uma leitura, da participação em um grupo de estudo no centro espírita ou da reunião pública.

            No livro Depois da Morte Leon Denis nos diz que o dinheiro não é um mal por si só, mas ele torna-se bom ou mal conforme a utilidade que lhe damos, que é preciso que sejamos senhores do dinheiro e não escravos dele.

            No mesmo livro nos coloca León Denis: “A riqueza deve assistir aqueles que lutam contra as necessidades, que imploram trabalho e socorro. Consagrar esses recursos à satisfação exclusiva da vaidade e dos sentidos é perder uma existência, é criar para si mesmo penosos obstáculos.”

            O melhor emprego que podemos dar ao nosso dinheiro é transformá-lo em serviço de amparo ao próximo, na medida das nossas necessidades.

            Ainda no item 14 cap.16 do ESE encontramos a seguinte informação: “Tudo vem de Deus e retorna a Deus, nem mesmo o vosso pobre corpo: a morte dele vos despoja, como de todos os bens materiais; sois depositários e não proprietários.”

            Nada de material levamos conosco quando retornamos ao mundo espiritual, os únicos valores que conosco carregamos são os valores espirituais. A moeda corrente no plano espiritual é a caridade, o bem que fizemos ao nosso próximo. Quanto dessa moeda temos guardado? Os bens da Terra na Terra ficarão e os herdeiros (os egoístas e individualistas por nós ensinados) digladiar-se-ão pela herança.

            Nos diz Emmanuel no Livro da Esperança que: Dinheiro na estrutura social é comparável ao sangue no mundo orgânico: circulando garante a vida e, parado, acelera a morte.


            Portanto utilizemos o dinheiro a serviço do nosso bem estar e no do próximo, de nada adiantará acumularmos os valores que não levaremos conosco. Se for para acumular que sejam valores como: amor, caridade, solidariedade, fé, esperança e compaixão.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

La Esmeralda

     Ontem fui assistir apresentações de dança da escola de ballet que passei a frequentar há pouco tempo, quebrando a barreira do meu auto preconceito de que isso seria impossível de se começar aos 30 anos.
     Não sei explicar o que se passou comigo durante aqueles sessenta minutos em frente aquele palco...     
    Tudo era sentimento, um sentimento forte, profundo que emanava de algum recôndito de minh'alma. Nunca me senti tão próxima, tão mergulhada em mim mesma, tão exposta aos meus próprios sentimentos que descontroladamente transbordavam.
     Uma saudade inexplicável de algo que não sei definir o que é, um misto de angústia e alegria extrema. Uma alegria por estar ali (novamente?) e um angústia pela incerteza de poder vivenciar aquilo. (outra vez?)
     Quando a bailarina em seu vestido vermelho rodopiando em perfeita sintonia com o instrumento com que dançava adentrou o palco, alguma coisa gritou dentro de mim e as lágrimas rolaram por meus olhos já marejados.
     Existem sentimentos que não podemos definir, apenas sentimos, são únicos, intransferíveis, inexplicáveis...
     Só sei que algo vem despertando em mim lentamente nos últimos tempos, alguém que eu conhecia e que havia esquecido, alguém que eu gosto de ser, alguém que tem me proporcionado sentimentos bons, alguém que me permite sentir: autoconfiança, alegria, e uma paz imensa comigo mesma.
     Tento não pensar que deveria ter começado antes e nem imaginar como seria se isso tivesse acontecido antes, porque sei que tudo tem sua hora certa e o momento é este, é o hoje e o daqui pra frente.
     Afinal a vida segue sempre... em novas roupagens, novas paragens e o que aprendemos agora seguirá conosco e o que não realizarmos agora nos encontrará no futuro para que possamos concretizar em algum momento, em algum lugar...

"Nenhuma circunstância exterior substitui a experiência interna. E é só à luz dos acontecimentos internos que entendo a mim mesmo. São eles que constituem a singularidade de minha vida." Carl Gustav Jung