Nova postagem no blog próximo sábado

domingo, 7 de julho de 2013

Livrai-nos do Mal

   "A obsessão de hoje foi o amor de ontem. O amor que sofreu os golpes da traição, da má orientação, da dominação e do apego. Só existe obsessão onde existem laços." José Mário - Quem Perdoa Liberta

   A obsessão é sempre um assunto tabu e ao mesmo tempo recorrente na doutrina e no centro espírita. Todo aquele que procura o centro espírita, carregado de problemas, os fardos de cada um de nós, normalmente procura uma solução mágica: ele espera que ao ser atendido seja informado que seus problemas se devem a um determinado obsessor, e ele espera mais, espera que o centro espírita o livre desse ser que o está atrapalhando.

   Na maioria das vezes somos nós mesmos quem causamos nossos próprios problemas, somos os obsessores de nós mesmos. Mas, por vezes, somos encontrados na jornada pelos nossos desafetos do passado, que magoados, feridos, buscam vingança, revide.

   Vejamos que este ser, este espírito que nos busca por vingança, como já o dissemos, está magoado, ferido, e para que assim se encontre, em algum momento do passado nós fomos o algoz que gerou essa dor, essa mágoa.

   Aquele que sofre hoje, não sofre em vão, sofre as consequências de seus atos. Lembramos agora pequeno trecho do Livro o Pequeno Príncipe, um trecho bem famoso que fala assim: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Nos tornamos eternamente responsáveis por todos os sentimentos que cativamos no outro, sejam quais sentimentos forem...

   Não queremos aqui dizer que o obsessor tem razão em buscar a vingança, ele também está em erro, esqueceu-se do perdão e enreda-se em trama que lhe trará dores ainda maiores. Bem colocado pelo autor: 'só existe obsessão onde existem laços', laços que muitas vezes foram de amor, ou de um sentimento que hoje chamamos amor, mas que pouco se assemelha ao amor que nos ensinou Jesus.

   Vivemos o amor que aprisiona, o amor baseado no apego, o amor que se fere e se magoa, quando o amor deveria libertar, compreender e aceitar o outro. E por não sabermos ainda vivenciar este sentimento, muitas vezes nos vemos em meio a rancores, desilusões e mágoas que quando não são lavadas com o bálsamo do perdão transformam laços em nós apertados.

   E daí surgem as obsessões: são laços que em determinado momento, por ambas as partes, foram transformados em nós. A solução, portanto, não é o afastamento do algoz, que nada mais é que a vítima do passado, mas a transformação íntima, o estudo, a compreensão de nós mesmos, o perdão e o auto-perdão. Isso sim transformará a ambos, desfazendo os nós e deixando a esperança de transformar-se em laços de verdadeira afeição.

   Por isso, quando fizermos a oração que nos ensinou o Mestre e dizermos: 'Senhor livrai-nos do mal', peçamos de coração que o Senhor nos livre do mal que ainda existe dentro de nós mesmos!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Rótulos

"Muitos pode ser definidos como grifes humanas, perdidos no consumismo.
Ao lançamento de qualquer novo produto tecnológico, as filas são enormes e nascem nas madrugadas.
Alienadas as pessoas trocam mãos por mouse, uma conversa frente a frente por chat. 
Portam-se como personagens de ficção na vida real.
Pais falam com os filhos que moram na mesma casa, por telefone celular.
Triste sina do homem, que se torna um produto a venda na prateleira da solidão." Adeilson Salles - PSIU!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

C'est La Vie

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas 
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante.

sábado, 22 de junho de 2013

Chaga

     "O amor é para o ser humano o que a água é para as plantas. Em regiões desérticas, a falta de água faz com que os vegetais substituam as folhas por espinhos e se tornem volumosas para armazenar o pouco de água que conseguem extrair do solo árido. Assim também, as criaturas que preferem seguir pelos desertos da vida, tornam-se espinhosas e inchadas de egoísmo. Guardam avidamente para si o pouco que conseguem extrair do mundo." Mancini -Conforto nas Dores da Alma

     O egoísmo é, ainda, a grande chaga da humanidade. Todos estamos a caminho da evolução, é o nosso destino certo, nosso trajeto verdadeiro, evidente, determinado, mas não inadiável...

     Por quanto tempo andaremos nós percorrendo esse caminho evolutivo através dos desvios da porta larga, trazemos os pés cansados e as chagas abertas na alma por rancores, mágoas, ressentimentos e dores diversas.

     Todas essa dores causadas por nossa própria insanidade, porque a todo momento estamos fazendo a escolha errada, a todo momento optamos pela forma mais difícil de evolução: a dor.

     Podemos evoluir através do amor ou da dor. Quantos exemplos vivos presenciamos daqueles que optaram pela evolução através do amor: Madre Teresa, Chico Xavier, Bezerra de Menezes e tantos outros que como nós carregavam e sofriam as tormentas deste mundo de provas e expiações, mas mantinham o coração sintonizado com a espiritualidade superior.

     Eles já haviam descoberto o caminho do amor, da caridade, do amar ao próximos. Já eram capazes de estender a mão ao caído sem julgamento e sem censuras. Escolheram o melhor caminho e não carregavam em si as tormentas do egoísmo.

     A maioria de nós ainda traz o espirito atormentado porque não conseguimos abrir mãos de nosso orgulho, porque não sabemos cultivar o amor. Plantamos espinhos por onde andamos sem meditar que passaremos novamente pelos mesmos caminhos e colheremos aquilo que semeamos.

     Cabe refletir, repensar e olhar os passos que nos trouxeram até aqui pelo menos nesta encarnação, observar nossos erros, admiti-los e procurar corrigi-los, procurar semear o amor, o bem, a caridade. Todo o bem que fizermos nos será atenuante dos males que consciente ou inconscientemente provocamos.

     Pequenos gestos que podemos começar hoje, transformar-se-ão em grandes realizações futuras, muitos benfeitores passaram e passam anônimos, mas deixam atrás de si um rastro de infinita luz. 

     O oposto do egoísmo é o amor, cultivemos o amor, o olhar o outro com compaixão, fazer ao outro que gostaríamos que nos fosse feito.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Sobre os Protestos

     Gostaria de aproveitar o espaço de blog para  falar a respeito dos diversos protestos que vem ocorrendo em nosso país: sou totalmente favorável ao protesto sem violência, mas com barulho e voz. Chega do silêncio dos bons frente às atitudes absurdas dos maus.

     É preciso que vozes se levantem e que novas lideranças, novas idéias, novos ideais surjam e que transformem realmente esta nação na Pátria do Mundo, o coração do evangelho. 

     São lindas as imagens dos jovens protestando e gritando pacificamente por um país melhor e são tantos os motivos de protesto, com certeza não são apenas R$0,20:
- Corrupção;
- Saúde em frangalhos; 
- Educação abandonada;
- Povo recebendo esmola em lugar de trabalho;
- A comissão de direitos humanos presidida por um insano;
...
e muitos mais.

     Mas gostaria também de deixar uma reflexão: é preciso exigir sim, é preciso protestar sim, é preciso tomar a casa que é nossa e expulsar os vendilhões do templo sim!

     Porém é preciso fazermos também a nossa parte por um mundo melhor: 
- Abrir a nossa porta e o nosso coração a quem nos pede socorro;
- Colaborar com instituições necessitadas e que estejam ao nosso alcance;
- Oferecer a mão amiga, o ombro amigo, o abraço amigo...

     Espero que uma mudança leve a outra e que essa seja apenas a ponta do iceberg em busca de um mundo melhor, mais justo, mas principalmente mais humano, mais solidário e mais fraterno!

sábado, 15 de junho de 2013

Quem Sou Eu?

     "A sua dor e a sua alegria não são minhas, assim como as minhas não são suas. Podemos (e devemos) nos preocupar com os outros, ser solidários e ter compaixão sem perder os nossos limites." David Kundtz - A Essencial Arte de Parar

     É muito comum, quando vivemos e dividimos nossas vidas com alguém por muito tempo, que chegue um momento em que percebemos que perdemos o limite de onde termina o nosso eu e onde começa o outro.

     Na ânsia de agradar e se fazer presente na vida do outro, na ânsia de nos sentirmos amados e aceitos pelo outro, deixamos para traz grande parte de nós, alguns anseios, desejos e sonhos e passamos a realizar aqueles que a principio pareciam comuns... mas que ao longo do tempo percebemos que não eram.

     Conviver, compartilhar com o outro não significa absorvermos o eu do outro. Nunca nos sentiremos amados por completo dessa forma. É preciso recuperar o nosso eu, resgatar aquele ser que ficou trancado no sótão, seus desejos, seus sonhos, suas verdadeiras virtudes e seus defeitos encobertos por tanto tempo.

     É preciso deixar esse eu vir a tona, é preciso fazer coisas que se tenha vontade de fazer e que nos tragam um verdadeiro sentido, uma felicidade, uma alegria de viver. Mas e o outro? vai continuar a nos amar da mesma forma e talvez até nos descubra ainda mais belos, ainda mais virtuosos. O outro vai se sentir liberto das amarras que por tanto tempo o prendemos e poderá igualmente fazer suas escolhas...

     Conviver, compartilhar não é mergulhar no universo do outro, mas viver o meu universo permitindo que o outro faça parte dele ou apenas o contemple e permitir que o outro tenha seu próprio universo e escolhermos fazer parte dele ou apenas contemplá-lo.

     Podemos e devemos nos alegrar com as conquistas e alegrias do outro e afagá-lo, consolá-lo, abraçá-lo e compreendê-lo em suas dores e dificuldades, mas essas alegrias e essas dores não são nossas, pertencem ao outro. Assim como podemos partilhar com o outro nossas alegrias, chorar nossas dores, mas elas serão unicamente nossas, parte da nossa bagagem única e intransferível.

     Porque um dia seguiremos sós, nesta ou numa próxima dimensão, e o outro seguirá seu caminho. Como aceitar isso se fizermos do outro o nosso universo, a nossa bengala? Somos únicos, individuais, completos, necessitamos sim uns dos outros para a troca de aprendizado, para o amor e a evolução, mas precisamos sempre compreender a nossa individualidade. E isso não é egoísmo, é amor próprio. Jesus nos disse 'ama o teu próximo como a ti mesmo' e não mais do que a ti mesmo. Será que temos amado a nós mesmos?