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quarta-feira, 15 de maio de 2013

À sombra do abacateiro...

À sombra do abacateiro em 11 de setembro de 1982 falando sobre a lição do jugo leve, Chico Xavier contou o seguinte diálogo entre um pastor de ovelhas e um aprendiz, lição que vale a pena recordar sempre:

"-Se uma ovelha cair na fossa, o que você fará?
O pastor respondeu: - Eu a tiro e carrego.
- Mas e se a ovelha se machucar, se estiver ferida? - tornou o aprendiz.
- Eu a curo e, mesmo se estiver sangrando, eu a carrego - retrucou o pastor.
O aprendiz pensou demoradamente e indagou, por fim:
- Mas e se a ovelha fugir para muito longe, léguas e léguas?
O pastor, zeloso e experimentado, fitando o grande rebanho que pastava no vale, respondeu: - Eu não posso ir atrás, porque eu não posso deixar todo o rebanho por causa de uma rebelde... Eu mando o cão buscá-la..."
E Chico concluiu: "A mesma coisa faz o Cristo, diante de nós, quando nos afastamos do caminho certo, léguas e léguas. Ele não vai atrás, mas vai o cão, que é o sofrimento...!"

sábado, 11 de maio de 2013

Sempre Conosco

     "Quando te reconheças à bica do desespero ou do desânimo, ergue-te sobre os motivos de tristeza ou desalento e contempla os quadros da natureza em torno. Novos minutos se despencam do coração das horas, em teu benefício; dezenas e centenas de criaturas aparecem por todos os flancos, a te endereçarem sorrisos de esperança; tarefas múltiplas te pedem devotamento e os dias sempre renovados te apontamo céu, de horizonte a horizonte, como sendo imensa porta libertadora, através da qual, em cada manhã, a sabedoria do Senhor te convida sem palavras a recomeçar e progredir, trabalhar e viver." Emmanuel

     Todos passamos por momentos de dores, momentos em que perdemos o chão e parece que os problemas são maiores que as nossas forças. Nada mais natural que isso aconteça, estamos num planeta de provas e expiações resgatando a semeadura de nossos erros passados e presentes.

     Mas procuremos olhar ao redor, ao invés de nos fecharmos no casulo de nossa dor, levantemos os olhos e olhemos ao redor. Certamente encontraremos mãos amigas estendidas e prontas a nos socorrer, bastando que para isso estendamos também a nossa. Encontraremos sorrisos amigos e abraços acolhedores que compreenderão a nossa dor e nos auxiliarão a encontrar o caminho de volta.

     Coloquemos nossas mão na charrua do Mestre e voltemos nossos esforços em favor das dores alheias, perceberemos a infinidade delas muito maiores que as nossas, ocupemos nosso coração e nosso espírito em acalentar aqueles que necessitam mais do que nós e desta forma encontraremos sempre o apoio e a proteção de amigos espirituais que se preocuparão conosco, que zelarão por nós.

     Estas atitudes impedirão a dor de nos visitar eventualmente? Certamente não! Mas nos tornarão mais lúcidos perante ela, nos tornarão mais fortes e nos darão a certeza de que jamais estamos sós em nossa dor. sempre a nosso lado encontraremos mãos amigas encarnadas e desencarnadas que tornarão nosso caminho mais suave, nossa dor mais amena. 

     Basta confiar e trabalhar, e o Metre, com sua doçura e compreensão infinita, sempre zelará por nós através de seus seareiros. A cada novo amanhecer ele nos demonstra que tudo recomeça, que para tudo haverá uma nova chance, um novo caminho, desde que estejamos dispostos a caminhar, a progredir...

     Sigamos adiante, toquemos em frente, nunca estamos sós... por mais que a escuridão pareça grande, que noite escura se alongue, o sol irá brilhar amanhã!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Amparo à Criança

   "Se nos propomos a edificar o futuro com o Cristo de Deus é necessário auxiliar a criança.
Se desejamos solucionar os problemas do mundo, de maneira definitiva, é indispensável ajudar a criança.
   Se buscamos sustentar a dignidade humana, abolindo a perturbação e imunizando o povo contra as calamidades da delinquência, é preciso proteger a criança.
   Se anelamos a construção da Era Nova, na qual as criaturas entrelacem as mãos na verdadeira fraternidade, em bases de serviço e sublimação espiritual, é imprescindível socorrer a criança.
   Entretanto convenhamos que os grande malfeitores da terra, os fazedores de guerra e os verdugos das nações, via de regra foram crianças primorosamente resguardadas contra quaisquer privações na infância.
   E ainda hoje os jovens transviados habitualmente procedem de climas domésticos em que a abastança material não lhes proporcionou ensejo a qualquer disciplina, pelo conforto excessivo.
   Urge, pois, não só amparar a criança, mas educar a criança e induzi-la ao esforço de construção do mundo melhor." Batuíra

sábado, 4 de maio de 2013

Metade



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sabemos Viver?

"Nós bebemos demais, gastamos sem critério. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos às nossas vidas e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito..." George Carlin

sábado, 27 de abril de 2013

De Bem Consigo

     "Existe um engano de perspectiva, um equivoco generalizado. As pessoas estão esperando que o casamento dê certo para que sejam felizes, quando é imperioso serem felizes para que o casamento dê certo." Richard Simonetti

     Não apenas na relação matrimonial, mas em todas as nossas relações nós temos por hábito esperar que os outros nos façam felizes. Colocamos a nossa felicidade na expectativa que fazemos do outro. O resultado disso certamente será a desilusão.

     O outro, seja ele nosso esposa (a), pai, mão, irmão, amigo... tem suas próprias características, virtudes, defeitos e atitudes que certamente nunca serão totalmente iguais as nossas. Por maior que seja a nossa afinidade com determinada pessoa, em algum momento de nossas vidas (ou em vários) discordaremos. O outro irá tomar atitudes que não seriam aquelas que julgávamos as mais acertadas. 

     E não há nada de errado nisso, muito pelo contrário, é nas diferenças que aprendemos e crescemos juntos. Se todos concordassem o tempo todo, além da monotonia em que se tornariam as nossas relações, não cresceríamos, não aprenderíamos, não haveria progresso, ficaríamos todos estacionários concordando um com o outro.

     Conviver é aprender a lidar com as nossas diferenças, através do diálogo saudável, da compreensão, do exercício da paciência e da arte de domar nosso orgulho.

     Além do mais, precisamos aprender a sermos responsáveis pela nossa própria felicidade, tomarmos as rédeas de nossas vidas. É preciso estar bem consigo mesmo, independente do outro, porque quando estamos bem conosco mesmo, estaremos bem com o outro é um ciclo natural.

     Ainda cultivamos a ilusão da alma gêmea separada no momento da criação... mera ilusão. Somos seres criados completos, necessitamos sim da convivência com o outro para que possamos crescer e evoluir, para formarmos a grande família espiritual que é toda a humanidade, mas somos completos. Não temos a necessidade do apego do desespero de ter alguém que seja aquela única criatura que nos completará para toda a eternidade.

     Amar é dar asas para que o outro voe, cresça, evolua, e isso não os levará para longe de nós, pelo contrário os trará para perto, porque gostam ali estar a nosso lado, porque isso traz bem-estar. Cultivemos nossas relações, mas não aprisionemos nossos seres amados. Sejamos felizes juntos, mas antes disso sejamos felizes conosco mesmo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Bem Aventurados

   Esse texto me lembrou meu avô e suas histórias de Portugal... como era bom ouvi-lo contá-las... e cantar com ele as musiquinhas que nos ensinava... quanta saudade daqueles olhos, marejados e saudosos, que nos miravam com tanta ternura!

  "Bem aventurados aqueles que compreendem meus passos vacilantes e minhas mãos trêmulas.
   Bem aventurados aqueles que levam em conta que meus ouvidos têm de se esforçar para captarem o que dizem.
   Bem aventurados os que percebem que meus olhos já estão nublados, e minhas reações, lentas.
   Bem aventurados os que desviam o olhar, simulando não ver o café que, por vezes, entorno sobre a mesa.
   Bem aventurados os que, com afável sorriso, contentam-me, concedendo-me alguns momentos para me falar de coisas sem importância.
   Bem aventurados os que nunca me dizem:'já me contou isso muitas vezes!'.
   Bem aventurados os que sabem dirigir a conversa e as recordações para as coisas dos tempos passados.
   Bem aventurados os que me fazem sentir que sou amado, e que não estou abandonado.
   Bem aventurados os que compreendem quanto me custou encontrar forças para carregar a minha cruz.
   Bem aventurados os que me facilitam a passagem para o mundo espiritual com amabilidade e boas maneiras." Izaias Claro - Viva Mais