"Tua obra mais bela é tu mesmo. Com teus esforços constantes podes fazer de tua inteligência, de tua consciência, uma obra admirável, de que gozarás indefinidamente. Cada uma de tuas vidas é um cadinho fecundo do qual deves sair apto para tarefas, para missões cada vez mais altas, apropriadas às tuas forças e cada uma das quais será tua recompensa e tua alegria." León Denis - O Problema do Ser do Destino e da Dor.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
Os Percalços de Cada Um
"A criatura generosa é alguém que aprendeu a auxiliar os outros sem se ver obrigada a tomar para si os infortúnios que não lhe pertencem". Hammed - Os Prazeres da Alma
Vivemos num mundo de provas e expiações, estamos todos nós sujeitos às intempéries desse mundo. E se cá estamos é por merecimento nosso, ou falta de merecimento de alçarmos mundos mais felizes. Logo, todos temos dores a colher, espinhos a resgatar, problemas a resolver, relacionamentos a transformar...
E isso é tarefa individual, cada um resgata aquilo que está em sua programação, aquilo que outrora plantou com suas iniquidades e sua irresponsabilidade. Porém aqui estamos, também, para auxiliarmos uns aos outros. Devemos por compromisso de caridade auxiliar a amenizar a dor do outro que sofre a nosso redor o máximos que pudermos.
Porém há que se ter muito cuidado em relação a esse máximo que pudermos. Principalmente em relação aos nossos entes queridos: filhos, pais, irmãos, cônjuges etc... aqueles que estão mais proximamente ligados ao nosso coração nos causam maior comoção a sua dor. Muitas vezes preferiríamos sofrer em seu lugar, tomar para nós seus fardos e carregá-los, subtrair suas dores e sofrer em seu lugar.
Mas isso não é possível, nem mesmo correto... É certo que estamos ao seu lado para ampará-los, socorre-los, amenizar suas dores com o nosso abraço amigo, sorriso franco, mão amiga e até mesmo materialmente, é dever nosso, dever que sequer nos pesa na maior parte das vezes, que fazemos com alegria.
Porém a dor de cada um é de cada um. Aquele que nos é tão chegado ao coração precisa também aprender a lidar com os próprios problemas, a andar com as próprias pernas, a amadurecer com os percalços que a vida lhe trará. Caso contrário, se a qualquer contrariedade estiverem acostumados a correr para os nossos braços, pois sempre lhes solucionamos todas as adversidades, seremos em suas vidas eternas muletas... e eles não aprenderão, quando não estivermos por perto, como lidarão com os próprios problemas? a nossa consciência como ficará depois vendo que por nosso causa aqueles que amamos não tem força para lutar por suas próprias vitórias, sempre esperando por nós para qualquer decisão, para seguir seu próprio caminho?
Pensemos sobre isso... auxiliemos na medida do possível, mas procuremos não tomar as rédeas que não nos pertencem, deixemos que aqueles que amamos tomem as rédeas do próprio destino!
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Do Átomo ao Arcanjo
"As reencarnações são os degraus da subida que todas as almas percorrem em sua ascensão; é a escada misteriosa que, das regiões obscuras, por todos os mundos da forma, nos leva ao reino da luz. Nossas existências desenrolam-se através dos séculos; passam, sucedem-se e renovam-se. Em cada uma delas largamos um pouco do mal que há em nó. Lentamente, avançamos, penetramos mais na via sagrada, até que tenhamos adquirido os méritos que nos hão de dar entrada nos círculos superiores donde eternamente irradiam a beleza, a sabedoria, a verdade, o amor!" León Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Pacificação
Exposição baseada no texto: "Pacificação" do Livro da Esperança de Emmanuel psicografia de Chico Xavier.
Ela estava muito cansada. Todo dia era a mesma coisa. Ela se via puxada para dez direções diferentes: filhos, roupas para lavar, compras no supermercado, prazos para cumprir, amigos pedindo conselhos, cartas necessitando respostas, o telefone que não parava de tocar.
Ela estava muito cansada. Todo dia era a mesma coisa. Ela se via puxada para dez direções diferentes: filhos, roupas para lavar, compras no supermercado, prazos para cumprir, amigos pedindo conselhos, cartas necessitando respostas, o telefone que não parava de tocar.
Ela se sentia abatida
e exausta além da conta. Ele estava irritado. O dia fora difícil, na lida com
homens e mulheres cujas vidas estavam desmoronando. Depois de uma hora preso no
trânsito, ele encontrou os filhos querendo sua atenção, uma lista de pacientes
para quem precisava telefonar e uma pilha de contas para pagar.
Nas primeiras
horas da noite, ambos se esforçaram para não gritar, tentando controlar os
nervos em frangalhos. De repente, alguma coisa insignificante acelerou o
processo de descontrole.
As vozes de
ambos se elevaram diante da intensidade da discussão. Sem querer, eles estavam
trocando palavras que não desejavam pronunciar. Assuntos que nem eram
relevantes foram trazidos à baila. Mágoas passadas foram revividas. Mágoas
guardadas e nunca perdoadas.
Uma simples
discussão se transformou num debate acalorado. Quando estavam aos gritos, a
porta do quarto foi entreaberta. Lentamente. Silenciosamente. Uma mãozinha se esgueirou
pela fresta e colocou alguma coisa na porta. Imediatamente, a mãozinha sumiu e
a porta foi fechada.
Curiosa, ela se
levantou para investigar. Preso na porta com fita adesiva havia um pequeno
coração de papel pintado de vermelho, com os seguintes dizeres: eu amo a mamãe
e o papai.
Anthony, o filho
de oito anos, estava fazendo sua parte em prol da paz na família. Lágrimas de
vergonha molharam o rosto da jovem mãe. Marido e mulher se entreolharam,
arrependidos por terem permitido que as suas emoções extrapolassem e prejudicassem
seu lar. De repente, nem lembravam mais sobre o que estavam discutindo, quando
o pequeno Anthony colocou um coração de papel na porta do quarto. Mas eles
resolveram deixá-lo colado ali como um lembrete para os dias futuros.
Uma pequena ação de paz, de conciliação,
de amor no momento da turbulência, dos ânimos exaltados, da tempestade de
sentimentos arvorados, pode restabelecer a serenidade, a harmonia, a paz e
evitar conflitos maiores.
Este o tema que hoje nos traz Emmanuel no
Livro da Esperança: Pacificação. Pacificação que significa ação de paz, ações
de paz. É um convite a nos tornarmos mais pacíficos , mais doce, mais brandos.
O ESE dedica um capítulo à paz, o
capítulo 9: Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos do qual
destacamos o item 6 – A afabilidade e a doçura, mensagem do espírito Lázaro:
6
– A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a
afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Entretanto, nem sempre se
deve fiar nas aparências, pois a educação e o traquejo do mundo podem dar o
verniz dessas qualidades. Quantos há, cuja fingida bonomia é apenas uma máscara
para uso externo, uma roupagem cujo corte bem calculado disfarça as
deformidades ocultas! O mundo está cheio de pessoas que trazem o sorriso nos
lábios e o veneno no coração; que são doces, contanto que ninguém as moleste,
mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, doirada quando falam face a
face, se transforma em dardo venenoso, quando falam por trás.
A
essa classe pertencem ainda esses homens que são benignos fora de casa, mas
tiranos domésticos, que fazem a família e os subordinados suportarem o peso do
seu orgulho e do seu despotismo, como para compensar o constrangimento a que se
submetem lá fora. Não ousando impor sua autoridade aos estranhos, que os
colocariam no seu lugar, querem pelo menos ser temidos pelos que não podem
resistir-lhes. Sua vaidade se satisfaz com o poderem dizer: “Aqui eu mando e
sou obedecido”, sem pensar que poderiam acrescentar, com mais razão: “E sou
detestado”.
Não
basta que os lábios destilem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso,
trata-se de hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas,
jamais se desmente. É o mesmo para o mundo ou na intimidade, e sabe que se
podem enganar os homens pelas aparências, não podem enganar a
Deus.
Muitas vezes em nossa vida social,
no nosso círculo de relações nos mostramos como pessoas serenas, tranquilas, de
fala doce, suave, mas entre aqueles que conosco convivem no reduto doméstico,
dentro de casa ou no ambiente de trabalho, não conseguimos disfarçar por muito
tempo nossas imperfeições e nos mostramos intolerantes, impacientes,
irritadiços, coléricos e muitas vezes verdadeiros tiranos: pais
incompreensivos, esposos indiferentes, chefes dominadores, exigentes ao
extremo.
Temos a aparência da paz mas, a
verdadeira paz não habita em nós, a perdemos por qualquer motivo banal, não
somos verdadeiramente os brandos e pacíficos bem aventurados por Jesus.
Emmanuel no Livro Ceifa de Luz nos
diz que:
“A paz verdadeira não surge,
espontânea, de vez que será fruto do esforço de cada um”
Todos almejamos, desejamos a paz
mundial, mas não conseguimos manter nossa paz doméstica. Pequenas ações podem
nos auxiliar, se cultivadas diariamente com boa vontade e perseverança, pois
muitas serão as vezes em que nos deixaremos dominar por nossas más tendências e
esqueceremos nosso propósito, mas é preciso perseverança para recomeçar sempre.
Compreender que estamos aqui para
conviver e aprendermos com o outro que com suas virtudes e dificuldades tem
muito a nos ensinar.
Adotarmos atitudes de concórdia,
termos a iniciativa do pedido de desculpas, mesmo que o outro esteja errado,
mas é preferível ficarmos com a paz do que com a razão.
Olharmos o erro alheio como forma de
aprendizagem e auxiliarmos a resolver o problema sem críticas destrutivas que
apenas prejudicam e agravam a situação e os ânimos.
Não nos aborrecermos com o nosso
trabalho que nos prove o sustento e da família e que nos é confiado pela vida
por ser necessário ao nosso aperfeiçoamento e progresso. Agradeçamos a benção
do trabalho que nos permite prover o necessário aos nossos e contribuir para o
progresso.
Outra importante ação de paz é
compreendermos que os nossos ouvidos podem ser extintores do mal. Se o mal a
eles chegar será nossa responsabilidade exterminá-lo naquele momento,
ignorando-o ou será nossa responsabilidade ter-lhe dado importância e passado a
diante.
Nesse momento em que a crítica ao outro,
a maledicência, a tragédia nos chega aos ouvidos saibamos exaltar as qualidades,
o lado bom daqueles envolvidos, pronunciar palavras de conforto, otimismo e
esperança ou simplesmente orar por eles, sem passarmos adiante o mal que nos
chega. Não divulguemos o mal.
Em todos os momentos procurarmos
compreendermo-nos uns aos outros, nenhum de nós é perfeito, caso o fossemos não
mais estaríamos encarnados em um planeta de provas e expiações. Todos temos
nossas imperfeições e estamos em diferentes graus evolutivos. Aquilo que nós já
compreendemos e que nos parece simples, o outro pode ainda não compreender, não
estar preparado. Não exijamos do outro atitudes para as quais ainda não está
pronto. Todos estamos aqui dando o melhor de nós. Tenhamos essa compreensão e
procuremos respeitar o próximo, vivendo em paz com as nossas diferenças.
É compreensível que em muitos momentos
devido às nossas imperfeições tropeçaremos nessas ações de pacificação e nos
veremos fazendo exatamente aquilo que não deveríamos. Cabe-nos identificar
quando isso acontece, aprender com o erro e recomeçar.
De Lucca no livro Cura e Libertação nos
diz que: “Sem atirá-las no próximo, o homem não sabe o que fazer com as pedras
que traz nas mãos.”
As pedras que trazemos nas mãos são
nossos problemas, nossas mágoas, nossas dores, nossas revoltas... e todos nós
as trazemos, mas temos por hábito, quando as mãos estão cheias e o fardo
pesado, de atirá-las no outro, culpando-os pelos nossos problemas, pelas nossas
dores que são decorrentes unicamente de nossas próprias escolhas...
Utilizemos as pedras em nossas mãos para
construir: construir uma escada de elevação moral para o nosso progresso,
construir pontes de afeto com o nosso próximo, construir o nosso futuro...
Atirá-las só causa mais destruição:
dores, mágoas, rancores, culpas e isso não nos ajuda a crescer, pelo contrário
nos faz retornar ao ponto inicial para resgatar aquele mal que foi causado.
A paz que desejamos ver no mundo deve
começar dentro de cada um de nós, irradiar-se dentro da nossa casa e dela para
fora. A pacificação é uma mudança interna, de dentro para fora. E é uma atitude
somente nossa, não depende de ninguém ou de circunstancia alguma para ocorrer,
somos nós e a nossa consciência que vamos nos burilando, nos aperfeiçoando a
cada dia um pouquinho mais.
Que tenhamos a humildade de encarar
nossas imperfeições e pedir ao Pai que nos auxilie assim como fez Francisco de
Assis, exemplo de pacificação, quando humildemente pediu ao Pai:
Senhor, fazei-me instrumento de vossa
Paz
onde houver ódio, que eu leve o Amor
onde houver ofensa, que eu leve o Perdão
onde houver discórdia, que eu leve a
União
onde houver dúvidas, que eu leve a Fé
onde houver erro, que eu leve a Verdade
onde houver desespero, que eu leve a
Esperança
onde houver tristeza, que eu leve a
Alegria
onde houver trevas, que eu leve a Luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado
compreender que ser compreendido
amar, que ser amado
pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a vida
eterna.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Evolução: Sublime Caminhar
"As almas humanas estão mais ou menos desenvolvidas segundo suas idades e, principalmente, segundo o emprego que fizeram do tempo que têm vivido; não fomos todos lançados no mesmo instante no turbilhão da vida; não temos caminhado todos a passo igual, não temos desfiado todos do mesmo modo o rosário de nossas existências. Percorremos uma estrada infinita. Daí procede a razão por que tão diferentes nos parecem as nossas situações e os nossos valores respectivos; mas para todos o alvo é o mesmo. Sob o açoite das provas, o aguilhão da dor, sobem todos, todos se elevam. A alma não é feita de uma vez só; a si mesma se faz, se constrói através dos tempos. Suas faculdades, suas qualidades, seus haveres intelectuais e morais, em vez de se perderem, capitalizam-se, aumentam, de século para século. Pela reencarnação cada qual vem para prosseguir nesse trabalho, para continuar a tarefa de ontem, a tarefa de aperfeiçoamento que a morte interrompeu. Daí a brilhante superioridade de certas almas que têm vivido muito, granjeado muito, trabalhado muito. Daí os seres extraordinários que aparecem aqui e ali na História e projetam vivos clarões no caminho que a humanidade percorre. Sua superioridade vem somente da experiência e dos labores acumulados." León Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor.
sábado, 24 de novembro de 2012
Silêncio
"Guardar o equilíbrio de nossas palavras é nosso dever. Não fale sem antes refletir. É sempre mais seguro ficar em silêncio, ouvindo e tentando compreender.
As palavras têm um efeito duradouro e muito poder, não é fácil esquecê-las." Cavalcanti - Sândalo
Quantas vezes em momentos de dor, de raiva falamos coisas sem pensar, dizemos aquilo que não vai em nosso coração, mas que a raiva nos impele a dizer. Dessa forma magoamos, ferimos, humilhamos aqueles que muitas vezes nos são caros ao coração. E quantas vezes nos arrependemos após a palavra mal empregada naquele momento infeliz?
Ah o silêncio!! Já dizia o provérbio chinês que 'a palavra é prata, mas o silêncio é ouro'. Quando não tivermos uma palavra amiga, uma palavra de incentivo, de estímulo, de carinho ou no momento da raiva, do descontrole, da mágoa o melhor remédio é o silêncio.
O silêncio apazígua, atenua, ele é sempre a melhor escolha em caso de dúvida. Quando não tivermos palavras em momentos trises ou felizes, o silêncio de um olhar amigo, o silêncio de uma mão estendida, o silêncio de um abraço compreensivo é sempre a melhor opção.
O silêncio que não revida, que não retruca a ofensa, mas que aguarda o momento de descontrole passar, para que num momento hábil as palavras certas levem ao diálogo, ao entendimento, à compreensão.
Nossas palavras ficam na memória daqueles a quem são dirigidas, essa memória fica gravada em nossos espíritos, levamos conosco por todos os caminhos que percorreremos ao longo de nossa evolução. Procuremos ser lembrados por nossas palavras de carinho, de compreensão, de afeto, de incentivo. Dessa forma estaremos plantando no coração daqueles que seguem ao nosso lado os laços da amizade e do amor.
Pensemos, pensemos sempre antes de falar...
"Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível!" Chico Xavier
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Turbilhão
"Quando aplicamos o ouvido ao que se passa no fundo do nosso ser, ouvimos como o turbilhão de águas ocultas e tumultuosas, o fluxo e o refluxo do mar agitado da personalidade que os vendavais da cólera, do egoísmo e do orgulho encapelam. São as vozes da matéria, os chamamentos das baixa regiões, que nos atraem e influenciam ainda as nossas ações; mas essas influências, podemos dominá-las com a vontade, podemos impor silêncio a essas vozes. Quando em nós se faz bonança, quando o murmúrio das paixões se aplaca, eleva-se então a voz potente do espírito infinito, o cântico da Vida Eterna, cuja harmonia enche a imensidade. E, quanto mais o espírito se eleva, purifica e ilustra, tanto mais o seu organismo fluídico se torna acessível às vibrações, às vozes, ao influxo do Alto." Léon Denis - O Problema do Ser, do Destino e da Dor
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