Nova postagem no blog próximo sábado

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Atleta de Quatro Patinhas

"Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem... Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida." - São Francisco de Assis

Hoje estávamos, o Kiko e eu, treinando na pista da FURG quando nos surpreendemos com um pequeno cãozinho vira latas que decidiu nos acompanhar no treino. 

Segundo o Kiko, ele fez uma volta inteira atrás de mim, a uma velocidade média de 13km/h, pace de 4:32, praticamente um atleta de quatro patinhas.

Lógico que depois de um tiro destes nosso amiguinho deitou-se para descansar na sombra, mas no fim do treino, quando estávamos troteando ao redor da pista, nosso amiguinho decidiu terminar também seu treino e nos acompanhou em duas voltas.

O Kiko me perguntou por que aqueles animaizinhos ficavam por ali, a resposta é simples, o pessoal os alimenta e muitas vezes os trata com bastante carinho e eles vão ficando, até que alguém se encante com eles e lhes deêm um lar.

Fiquei com pena de não ter nada comigo para dividir com o nosso amiguinho que nos fez companhia, tornando mais divertido nosso treinamento, mas na próxima semana se ele por lá estiver...

E como diz a frase de Francisco de Assis o Pai a nenhuma de suas criaturas desampara, quanto mais a esses pequeninos que alegram nossos dias!!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Corrente do Bem


"As pessoas são irracionais, inconsequentes e egoístas. Ame-as assim mesmo.
Se você fizer o bem será acusado de ter obscuros motivos mesquinhos. Faça o bem assim mesmo.
O bem que se faz hoje será esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo.
Aquilo que você demorou anos para construir pode ser destruído em uma noite. Construa assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor que você tem e baterão em você apesar disso. Dê ao mundo o melhor que você tem assim mesmo." Madre Teresa de Calcutá

   Fazer o bem é contagioso. Por que não tentar uma pequena ação por dia? Um simples gesto de gentileza ou de tolerância, compreensão, o resultado é mágico...
   O vídeo e a mensagem dizem tudo, fica a reflexão sobre a corrente do bem...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Qual a sua máscara?

   "Torna-se de alto significado, para um exitoso relacionamento social, que o indivíduo tenha a coragem de considerar a própria crueldade, os sentimentos ambíguos, os receios interiores, as inseguranças e a agressividade pessoal em uma análise honesta das dificuldades que lhe são peculiares, buscando superá-las a fim de que não haja transferência de responsabilidade para outrem, ou consciência de culpa quando qualquer insucesso se manifestar nos intercâmbios buscados.
   Quando se é capaz de vencer as imperfeições, sem as direcionar para os outros, tem-se condição para convívios saudáveis, harmônicos, o que não impede a ocorrência de desajustes e incompreensões que podem ser discutidos e diluídos, tendo-se em mira o objetivo de construir uma boa sociedade." Joanna de Angelis - O Despertar do Espírito

   Para vivermos em sociedade, buscamos a aceitação dos determinados grupos sociais onde queremos nos inserir, e para que busquemos a aceitação desse grupo procuramos de todas as formas mostrar as nossas qualidades e mascarar nossas imperfeições.

   Inicialmente a máscara, na maiorias das vezes, funciona e somos aceitos, porém o convívio diário ou constante nos impede de manter essa máscara o tempo todo, ela acaba por entortar-se, deslocar-se e até mesmo cair deixando à mostra as imperfeições que procurávamos disfarçar.

   É muito fácil para cada um de nós apontarmos os defeitos daqueles que estão ao nosso lado, como Jesus mesmo nos explicou temos o hábito de "apontar o cisco no olho do próximo, mas não vemos a trave no nosso." Nesse jogo das máscaras, acabamos por iludir a nós mesmos, e nos tornarmos desconhecidos para nós mesmos, quando alguém nos aponta um defeito, como é difícil aceitá-lo, a primeira atitude é a negação absoluta. "Não, eu não sou assim!", alguns de nós posteriormente até fazemos uma reflexão a respeito perguntando-nos se realmente somos assim, mas acabamos sempre encontrando desculpas para esse comportamento ou acreditando que houve certo exagero no julgamento do outro.

   Há pouco tempo, participando de um treinamento com um grupo de colegas com os quais não tenho muito contato, apenas em alguns cursos que fizemos, participamos de uma dinâmica na qual primeiramente escrevemos nosso nome em uma folha em branco e essa folha circulou entre os demais para que cada um escrevesse uma característica positiva da pessoa cujo nome estava escrito na folha, até aí tudo bem, é bom ver quais as qualidades que os outros vêem em você.

   Num segundo momento a mesma folha circulou para que fosse apontado um defeito do nome constante na mesma. Quando a folha com meu nome retornou trouxe uma desagradável surpresa, 90% dos comentários apontavam como defeito "personalidade forte".

   Parei para pensar em tudo que poderia implicar o termo "personalidade forte": agressividade, egoísmo, imperatividade dos opiniões, dificuldade de convivência.... Confesso, amigos leitores, que até o momento acredito que houve "certo exagero" e ainda estou procurando desculpas para mim mesma....

   Como é difícil o exercício deste conselho de Joanna, transcrito no início desta mensagem, o autoconhecimento requer muita coragem, coragem de olhar para si mesmo sem medo de ver o nosso próprio lado obscuro, de verificar que o mal ainda existe sim, e dentro de cada um de nós.

   E você amigo leitor, quais são as suas máscaras??

domingo, 1 de janeiro de 2012

Submundo - Subvida


   Havia um andarilho que vestia calças sujas e remendadas, camisa rasgada, barba por fazer, cabelos emaranhados e os pés descalços. O único objeto que possuía era uma mala mais surrada que as próprias vestes.
   Ele tinha seus momentos de reflexão quando dizia que se possuísse recursos para uma vida digna, não seria como os milionários que querem sempre mais. Estaria satisfeito com o mínimo para viver.
   Os dias se passavam e ele insistia na idéia. Um dia a fortuna aproximou-se dele e fez uma proposta: colocaria na mala velha quantas moedas de ouro ela suportasse. Existia um porém: aquilo que caísse no chão seria transformado em pó.
   Imediatamente ele abriu a mala jogando fora um pedaço de pão e um jornal velho que forrava os bancos para dormir. Seus olhos estavam maravilhados. Segurava com desespero o fundo da mala para que não se soltasse e para que suportasse cada vez mais e mais moedas.
   Em um dado momento, a fortuna interrompeu o fluxo das moedas alertando que a mala não suportaria mais peso, mas o andarilho retrucou que não, que colocasse mais moedas, pois ele suportaria com os próprios braços o que a mala não agüentasse. Foi feito conforme sua vontade. A mala rompeu-se transformando em pó todas as moedas de ouro.

   Quando iniciamos nossa vida física para reajustarmos a nossa consciência com a paz somos parecidos com o andarilho, fazemos inúmeras promessas de sermos melhores, de acertarmos nossos erros passados. Mas quando aqui chegamos nos maravilhamos com os bens e prazeres materiais, nos abraçamos à mala da existência física que vai sendo corroída pelo tempo, na tentativa de aproveitar cada segundo na Terra, estocamos valores que não nos acompanharão do outro lado da vida.

   Passamos a viver num mundo em que os valores morais são colocados em segundo plano pela necessidade exagerada de sucesso e bens materiais, onde o ter é mais importante que o ser, onde o dar vem depois do receber e quando vem, elegemos, primeiramente o eu ao invés do nós, perdemos a noção de solidariedade e esquecemos a máxima que Jesus nos ensinou do “amarmo-nos uns aos outros”.

   Vamos, por nosso próprio livre-arbítrio, ignorando o nosso semelhante e nos tornamos algumas vezes capazes de atos desleais e inferiores com o nosso próximo para conquistar os gozos materiais. Vivemos num submundo, uma subvida!

   Na questão 716 do LE nos ensinam os espíritos amigos que: “A natureza traçou o limite de nossas necessidades em nossa organização, mas o homem é insaciável e os vícios alteraram sua constituição e ele criou para si necessidades que não são reais”.

   No livro Caminho, verdade e vida, Emmanuel nos aconselha: “Se teus desejos repousam nas aquisições factícias, relativamente a situações passageiras ou a patrimônios fadados ao apodrecimento, renova, enquanto é tempo, a visão espiritual, porque de nada vale ganhar o mundo que te não pertence se perderes a ti mesmo, indefinidamente, para a vida imortal.”

   Não estamos aqui condenando o uso dos bens materiais conquistados com o esforço e o suor do trabalho digno, mas o abuso desses bens materiais, a preocupação excessiva com mais e mais conquistas deixando de lado valores, princípios essenciais, necessários a nossa evolução como espíritos.

    Algumas vezes chegamos a um determinado patamar de nossas vidas em que temos um emprego bom, uma salário digno e capaz de manter com certo conforto nossa família, mas ainda não estamos satisfeitos, queremos mais, queremos o carro do ano, a moto do ano, etc. E a sociedade consumista ao nosso redor também nos cobra que tenhamos mais.

   Precisamos entender que tudo o que possuímos nos é emprestado por Deus para que realizemos a nossa evolução, sejam os bens materiais que deixaremos ao retornar à Pátria Espiritual ou mesmo antes disso se não nos forem mais necessários; sejam as pessoas que conosco compartilham a existência, elas também não nos pertecem e um dia seguirão seus caminhos na evolução junto ou não a nós, o importante é estarmos unidos através dos elos estabelecidos pelo amor, o amor que liberta, que permite ao outro seguir o seu caminho; seja mesmo o nosso corpo físico que deixaremos no túmulo, e de tudo isso prestaremos conta do bom ou mau uso que fizemos.

   Libertemo-nos do apego excessivo aos bens e aos nossos entes queridos, abramos espaço ao cumprimento de nossos deveres e compromissos. A eterna luta por mais e mais conquistas nos aprisiona.

     Chegamos ao ponto de nos deixarmos aprisionar pelos bens materiais que nos tomam tempo essencial, o telefone celular que a um simples toque interrompemos a atividade que estávamos executando para atendê-lo, muitas vezes atividades de harmonia e paz como uma leitura ou o diálogo com a família; nos deixamos aprisionar pelo computador, pela internet que nos toma horas intermináveis que poderíamos utilizar no diálogo carinhoso e instrutivo com os filhos, com o cônjuge, etc.

   Quantas oportunidades de trabalho, de ajuda ao próximo perdemos, dentro mesmo da nossa casa, quando extremamente voltados às conquistas materiais não temos tempo para o diálogo fraterno em casa, para a educação dos nossos filhos, para o carinho e o afeto.

   Nosso maior tesouro não é material, é sutil. Família, amizade, amor, tempo, saúde, trabalho, conhecimento, moral.

   Jacob Melo no livro Pense sobre isso nos diz: “O maior tesouro é aquele que não fica preso no peito, na mente ou em qualquer estrutura egoística, mas o que vai aberto em benefício de todos."

   Como nos ensinou Jesus no Cap. XXV item 6 do ESE não acumulemos valores que as traças roem e os ladrões roubam, mas tesouros no céu, pois onde está o nosso tesouro aí estará o nosso coração.Valores como a paciência, a piedade, a compaixão, a misericórdia, a solidariedade, o perdão, resumidamente, a caridade e amor, elevam o nosso espírito e são somente estes os necessários à nossa evolução.

   Aproveitemos esse novo ano que se inicia e não percamos mais tempo, façamos um esforço sincero, a procura do melhor que Deus colocou dentro de cada um de nós, exercitemos as verdadeiras virtudes, procurando ser. Mas o que significa ser? Quando visitamos alguém necessitado, somos; quando utilizamos o diálogo e a compreensão dentro de casa, somos; quando praticamos o perdão, a compreensão, a tolerância, somos, somos filhos de Deus!  Procuremos viver nesse mundo com a consciência de que não somos desse mundo, mas de um mundo onde os verdadeiros valores são os espirituais.

   Encerramos essa conversa com um pequeno diálogo ocorrido entre um certo turista quando encontrou-se com um famoso mestre egípcio na Cidade do Cairo, surpreso ao ver que o ancião morava em um quarto singelo onde as únicas mobílias eram uma mesa, uma cama de palha e um banco.
   Perguntou-lhe o turista: - Onde estão seus móveis?
   O sábio respondeu com outra pergunta: - Onde estão os seus?
   O turista respondeu-lhe: - Eu estou aqui de passagem.
   E com toda sua sapiência o sábio concluiu: - Eu também!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Nenhuma Ovelha de meu rebanho se perderá


  "A Justiça Divina jamais embaraça ou impede o esforço daquele que deseja recuperar-se de quaisquer comprometimentos; antes oferece os recursos hábeis para que o desenvolvimento espiritual se expresse da melhor maneira possível, porque o amor viceja em todas as ocasiões e circunstâncias, facultando a realização dos magnos objetivos existenciais." Joanna de Angelis - O Despertar do Espírito

   O Pai, infinitamente justo e bom, espera de todos nós a perfeição, e para isso nos dá diversas oportunidades. A cada reencarnação uma nova chance de refazer o que ficou pelo caminho, desfazer nós e transformá-los em laços de afeto e de amor, aprender com os erros e transformá-los em acertos.

   E nos dá ainda mais, nos agracia com a presença constante dos amigos espirituais, que ficaram na retaguarda, no mundo espiritual, para nos auxiliar na jornada através dos conselhos, aquelas intuições, aquelas idéias que surgem de repente e nos momentos mais difíceis, são eles sopram aos nossos ouvidos, apontando o caminho a seguir. Basta ter os olhos de ver e os ouvidos de ouvir, a sintonia correta, como as ondas radiofônicas, nossas vibrações devem estar em sintonia com a deles, por isso a importância de alimentarmos pensamentos de otimismo em todos os momentos de nossas vidas.

   Eles também nos inspiraram algo fantástico, a idéia de dividir o tempo em fatias, em dias, meses e anos. Pois a cada novo ano é uma nova oportunidade, a oportunidade de olhar pra trás de voltar sobre os próprios passo e observar como foi a jornada. Os erros, os acertos, os momentos de angústia e os de alegria, e verificar que nunca estivemos sozinhos, em todos os momentos eles estavam lá, os anjos do caminhos, na forma do familiar disposto ao diálogo, dos amigos e companheiros que conosco dividem o momento de dor, mas que também comemoram nossas vitórias, de todos aqueles que nos estenderam a mão, o ombro amigo, a palavra reconfortante.

   É o momento também de olhar pra frente, de ver o quanto ainda temos por fazer, o quanto ainda podemos fazer por nós e por aqueles que nos cercam. O campo está aí, meus amigos, aguardando a semeadura que é livre, mas cuja colheita será obrigatória.... pensemos no que iremos plantar, mas na certeza de que o Pai estará sempre nos aguardando, nos auxiliando, nos guiando, pois nenhuma ovelha de seu rebanho se perderá....

"Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa as noventa e nove e vai aos montes procurar a que se extraviou? E se acontecer achá-la, em verdade vos digo que se regozija mais por causa desta, do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim não é da vontade do vosso Pai que está nos Céu que pereça nenhum desses pequeninos". (Mateus, XVIII, 12-14 - Lucas, XV, 3-7)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Despindo pré conceitos

   Ontem estava lendo o Clarim deste mês, onde encontrei uma belíssima mensagem a Allan Kardec a qual transcreverei abaixo na integra, pois merece ser lida. O texto intitulado "O Destino do Prof. Rivail" é de Paulo Henrique Bueno do centro espírita Allan Kardec de Carmo do Rio Claro - MG publicado em O Clarim dezembro/2011.

   "Era primavera em Paris. Naquela tarde, o renomado Prof. Rivail fazia uma breve retrospectiva de sua vida. Sentado na poltrona, de olhos fechados, em cadenciado solilóquio, revia suas tantas experiências no campo das ciências e das experimentações.
   Desde a longínqua infância vivida na Rue Sale, 76, em Lyon, tinha por costume levar sua mente sempre ocupada com as razões e fórmulas estruturais do universo. As dimensões infinitas deslumbravam o menino. Gostava de ver o céu. As estrelas cintilantes eram convite constante para sonhos intergalácticos e, de todas as constelações, aquela de Órion lhe chamava particularmente a atenção.
   A imensidão do espaço e do tempo, o tempo no espaço e o espaço no seu tempo, faziam borbulhar no espírito do pequeno Hippolyte um misto de conjecturas e recordações indefinidas e inexplicáveis. As pradarias e florestas do Condado de Rhône não lhe eram estranhas. Soube que aquela região, em outros tempos, se chamara 'Gália'. A velha Lyon era Lugdunum. Esses nomes, definitivamente lhe eram muito familiares.
   Consultou seu relógio. Ainda havia tempo. A reunião estava marcada para as 20 horas. Fechou os olhos novamente e se viu a caminho da escola em Yverdon. As portas de um mundo fantástico de conhecimentos exequíveis lhe foram abertas pelo inesquecível e tão querido Professor Pestalozzi, cujas lições didáticas maravilhosas eram ofuscadas pelo amor que despendia às criaturas.
   Naquela escola suiça conheceu o que poderia ser real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. E foi assim que o jovem lionês se tornou também admirador do pensamento positivista de Auguste Comte.
Seu caráter reto, sua lucidez e sua mente brilhante lhe renderam o posto de submestre. Ajudava diretamente os professores nas tarefas de pesquisa, traduções e instruções aos alunos novatos.
   Os proveitosos oito anos em Yverdon transformaram Hippolyte Rivail em um 'Instituteur' (mestre das escolas primárias e secundárias) e 'Chef d' Institution' (diretor escolar).
Diplomado, veio viver em Paris.
   Mais de trinta anos se passaram. E ali ele estava, agora, olhando os telhados de ardósia do casario opaco, que se enquadrava na janela, envolto pelo entardecer.
   Por mais de trinta anos havia exercido o magistério como um sacerdócio. Buscava a natureza das coisas, estudava a complexidade do mundo e da vida, passava tudo pelo crivo da razão, elaborava um resumo prático e transmitia os mais variados temas em linguagem clara e concisa.
   Há mais de trinta anos estudava o magnetismo animal a partir das experiências de Mesmer e Puysegúr. sabia ser possível a magnetização de qualquer objeto e fazê-lo se movimentar ativado por esse fenômeno.                
   Sim. Isso era possível.
   Mas como explicar os fatos relatados há alguns meses pelo Sr. Carlotti? Entusiasmado, o amigo corso lhe afirmara que, em reuniões programadas para esse fim, mesas giravam e levitavam, e que além de se movimentarem respondiam às mais variadas indagações.
    Não. Isso não era possível.
   Houvera tratado o assunto que assolava toda Paris com respeito, mas sem nenhum interesse, visto que sua razão tratava o tema como sendo uma história fabulosa.
   Porém, há poucos dias, o Sr. Partier lhe havia falado sobre o andamento daquelas reuniões. O caráter grave, frio e calmo do velho amigo lhe induziu a fazer uma análise daquele fenômeno, até então desconhecido.
   Não foi necessário nenhum esforço para persuadi-lo a participar de uma dessa experiências na casa da Sra. Plainemaison, onde a Sra. Roger seria magnetizada pelo Sr. carlotti, e através da qual haveria a comunicação de um espírito.
   A honradez e a dignidade dos envolvidos em tais experimentações eram subsídio suficiente para a certeza de que aquilo estava acima de simples e inconsequentes brincadeiras de sarau.
   O endereço estava bem memorizado: Rue Grange-Batelière, 18.
   Era maio de 1855. O Prof. Rivail não estava apreensivo nem ansioso, mas tinha um leve pressentimento de que sua vida mudaria.
   Era um fim de tarde de primavera. Pela última vez consultou o relógio. Estava na hora. De pé, ajeitou a gravata. Na mão esquerda o chapéu. Puxou suavemente a porta e saiu caminhando, rumo certo, pelas ruas de Paris."

  O pressentimento do admirável professor estava correto, a partir desse dia sua vida mudaria completamente, ele passaria a estudar os fenômenos espíritas que dariam origem a codificação que realizaria utilizando o pseudônimo Allan Kardec. 
   Obrigada Prof. Rivail por ter se despido de pré conceitos e ter se aventurado, experimentado e buscado a causa inteligente por trás dos fenômenos inteligentes...
   Não foi apenas a sua vida que mudou... 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ah, se ela tocasse piano....

   Eu já tinha uma postagem doutrinária separada para hoje, mas decidi mudar os planos na última hora e fazer um desabafo, algo mais descontraído...

   Às vezes me paro pensando o quão maravilhoso seria se minha vizinha tocasse piano... uma Chiquinha Gonzaga quem sabe? Me imagino lendo meu livrinho ao som melodioso das teclas do piano... podia ser saxofone também, acho lindo!

   Mas, infelizmente, o gosto musical dela, digamos, não é assim tão refinado. Logo, preciso me conformar em fazer minha leitura ao som do funk, do pagode e do forró. E lamentar seu problema auditivo, que deve ser bastante grave, pois os decibéis do aparelho de som são bastante elevados. 

   Sei que não devo me queixar, ao contrário devo agradecer ao Pai a oportunidade de exercitar minha capacidade de concentração e principalmente minha paciência e compreensão, bem como minha capacidade de controle sobre a ira e a irresistível vontade de revide através dos decibéis de meu aparelho de som.

   Não devo buscar o revide, é contra os princípios que venho tentando exercitar, mas confesso que algumas vezes é quase irresistível! Além disso aprendi e creio seriamente que a minha liberdade termina onde o direito do meu próximo inicia, lamento que nem todos tenhamos a mesma compreensão...

   Só peço ao Pai que aumente minhas capacidades de equilíbrio, paciência e concentração e se não for pedir muito,  que da próxima vez me agraciasse com um vizinho que gostasse de Mozart, Chopin, Kenny G....