Nova postagem no blog próximo sábado

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ante os que partiram...



Do livro de Therezinha Oliveira "Ante os que partiram" retiro uma mensagem de Emmanuel psicografada por Chico Xavier:


Nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.

Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.

Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho trasfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira, cujas mãos consagradas à ternurapendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima.

Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que cairam, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, os que soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram.

Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel.

Também eles pensam e lutam, sentem e choram.

Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvincilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram... Ouvem-lhes os gritos e súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.

Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.

Estimulam-se à prática do bem, partilhando-te as dores e alegrias.

Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que não te percas no frio do desencanto.

Tranquiliza, desse modo, os companheiros que demandam o além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.

Recorda que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas redentoras.

E vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre um monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Cólera



Reportagem de O Clarim por Walkíria Lúcia de Araújo Cavalcante


"A cólera prejudica o repouso da vida e a saúde do corpo; ofusca o entendimento e cega a razão." Diderot
No dicionário, um dos significados para a palavra cólera é arrebatamento. E é o que realmente sentimos nesse estado. Algo toma conta de nós e, sem nos dar conta, tomamos atitudes das quais vamos nos arrepender.
A cólera não é apenas sentir raiva. É algo que expressamos com palavras e também com atitudes. Batemos o carro porque não podemos bater no outro; empurramos a cadeira com violência porque não podemos ou não devemos fazê-lo com o outro, já que a sociedade nos cobra pelos gestos agressivos.
André Luiz disse que o rio chega ao seu objetivo porque aprendeu a contornar os obstáculos. Nós devemos diferenciar o que realmente tem e o que não tem valorem nossas vidas. Não gostamos de ser comparados com os outros. Isso nos irrita. Esquecemos, porém, que sempre haverá alguém superior e alguém inferior a nós. Quer consideremos nossa situação espiritual, que a posição social ou moral em que nos encontramos. Como espírito, nós, os espíritas, muitas vezes nos consideramos superiores aos outros, pelo conhecimento da doutrina, o que não nos diferencia dos demais se ela se tornar letra morta em nossas vidas. Quanto à posição social, quando acreditamos ser parte de uma casta superior só por possuir alguns bens e, finalmente, quando acreditamos que valemos mais que os outros por mero preconceito.
Como o Evangelho Segundo o Espiritismo nos revela, são acessos de demência passageira que nos assemelham aos animais. Atacamos como eles e deixamos de usar a serenidade e a razão. Tudo por orgulho ferido. Acreditamos ser fundamental ter as nossas próprias experiências e acabamos rejeitando conselhos mais sábios. Dizemos: "Quando eu era criança era obrigado a fazer o que me mandavam; hoje, adulto, posso escolher o melhor para mim. Se eu escolher errado vai me servir de experiência." Fazemos isso por pirraça, para não dar o braço a torcer e aceitar que o outro está com a razão.
"Em seu frenesi, o homem colérico ataca tudo: a natureza bruta, os objetos inanimados, que quebra, porque não obedecem a ele". Agimos como crianças birrentas. Quando crianças, quebrávamos um brinquedo quando sentíamos raiva e queríamos chamar a atenção. Agora, adultos, quebramos cadeira, chtamos portas, rasgamos roupas, etc. E quando agimos dessa forma os que nos assistem riem ou nos acham ridículos; nas duas alternativas, somos dignos de piedade. Não enxergamos, mas nesse momento estamos sendo "arrebatados" pelo sentimento inferior que ainda existe em nós e que só nós temos poder e capacidade para fazer com que ele deixe de existir.
Somos a primeira vítima da cólera. Prejudicamos nossa saúde e entristecemos os que nos amam e querem nosso bem. Façamos uma comparação. É como se déssemos murros mentais no nosso coração, estômago, rim ou outro órgão que esteja mais vulnerável. De tanto esmurrar, jogamos adrenalina e alteramos o funcionamento desses órgãos, precisando de remédios para que funcionem bem. Mas não mudamos de atitudes, continuamos no mesmo processo, até que precisamos de um transplante ou cirurgia porque os remédiosnão mais respondem. Isso, se antes não chegarmos ao desencarne.
Muitas pessoas que estão nas prisões dizem que algo as comandava. Mas não era um espírito, não. Era o próprio encarnado, hoje detido que, num acesso de fúria, sentiu e agiu de maneira que normalmente não agiria, caso não estivesse tomado de cólera.
Precisamos exercitar a resignação. Algumas pessoas discordam quando falamos em exercitar. Mas só aprendemos a fazer algo bem feito depois de fazê-lo inúmeras vezes até chegar ao automatismo e nem perceber que o fazemos. É assim com o perdão, a resignação e a maior de todas as virtudes: o amor. Quando alguém nos faz o mal ou quando fazemos o mal a alguém devemos agir como se nada houvesse acontecido e colocar uma pedra sobre o assunto. Se nós fomos o ofendido, daremos uma oportunidade a nós mesmos de nos libertar daquele sofrimento; se fomos os causadores, não devemos perder a oportunidade que o outro nos dá de nos redimir e pedir perdão.
Não reagir é não alimentar a tristeza, a revolta e outros sentimentos que podem tomar proporções maiores se não puxarmos o freio de mão na hora certa. Poderão nos chamar de hipócritas, de covardes, que importa. O importante é não deixar que um sentimento inferior tome conta de nós e nos escravize. E se fracassarmos e nos entregarmos à cólera, nem por isso devemos nos considerar desprovidos de virtudes. Nós as temos e devemos exercitá-las para sermos naturais. E por meio do exercício habitual, nos tornarmos seres mais equilibrados.
"Nunca te defendas", foi a afirmação de Joanna de Ângelis a Divaldo Franco quando ele era atacado por cartas no início de seu trabalho mediúnico. Há dez anos, quando ouvi a expressão, achei bonita, mas para Divaldo, não para mim ou para a maioria das pessoas. Ledo engano. Com o estudo da Doutrina passei a compreender que quando o outro nos ataca é porque está doente ou infeliz e não encontra outra forma de extravasar a revolta, a não ser atacando os outros. É assim que fazemos quando nos sentimos acuados.
Para o espírita não há desculpa de que a constituição física é que faz com que se torne agressivo. Existem pessoas fortes que são doces e pessoas franzinas que usam as palavras com agressividade que ferem o outro mais que se o agredisse fisicamente.
Por fim, o Evangelho nos diz: "... o homem não permanece vicioso senão porque quer permanecer vicioso, mas aquele que quer se corrigir sempre o pode, de outra forma a lei do progresso não existiria para o homem". Todavia, nem tudo o que está errado podemos corrigir. Esperemos. É mais sábio. Cada um tem seu tempo de experiência e aprendizado. O rio chega ao seu objetivo porque aprendeu a contornar os obstáculos. Sejamos o rio que desliza pela vida e que diante de cada obstáculo desvia porque deseja alcançar a meta.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nossos Conceitos de Paz





Reportagem retirada do Jornal O Clarim de Octávio Caúmo Serrano. Segue na íntegra:




Não conseguimos, ainda, atingir o estado de serenidade que objetivamos porque nos equivocamos nos conceitos e nas ações para a construção de um mundo melhor, mais fraterno, maos justo.


A paz, para nós, é um estado de inércia, de ausência de lutas e conflitos, quando todos pensarão da mesma maneira, terão os mesmos recursos e serão igualmente felizes.


Se mais bem conhecêssemos as leis de Deus, compreenderíamos que essa situação é impossível porque cada um está num estágio de entendimento e para cada um os valores são diferentes. Logo, é impossível falarmos todos a mesma linguagem sem nos chocar ou conflitar com a opinião do outro.


A paz nada mai é que o reflexo da consciencia tranquila. De nada adianta a ausência de guerras exteriores se os homens estão em seus íntimos fervendo como vulcões prestes a entrar em erupção.


Para nós a paz se assemelha à situação de um cadáver. Despreocupado, improdutivo, deitado e sem metas a atingir. A paz dos inanimados.


Mas essa paz não nos convém porque desejamos crescer e realizar nossas vontades. Para muitos, vontade de ter coisas. Para alguns, vontade de ser melhor.


Porque reencarnamos se não for para progredir? Somos um espírito eterno, mas a perfeição é construída parte a parte, ponto a ponto, dia a dia. E em cada reencarnação aumentamos um pouco nosso tamanho espiritual.


Nas caminhadas pela paz, se vista de branco por fora e por dentro. Nas passeatas, não incomode o semelhante, não grite em desrespeito à sociedade, nem atravanque as ruas tumultuando a vidada sua cidade. Não pense que o mundo deve parar para assistir ao seu desfile da paz, quando você age como um dos mais belicosos seres do planeta.


"A paz do mundo começa em mim", já diz o concioneiro pernambucano Nando Cordel. Mas ele completa ainda na primeira estrofe: "Se eu tenho amor, com certeza sou feliz. Se eu faço o bem ao meu irmão, tenho a grandeza dentro do meu coração. Chegou a hora de a gente construir a paz; ninguém suporta mais o desamor."


Essa é a receita para a pazno mundo. Entendimento e fraternidade entre as pessoas, respeitando a forma de ser de cada um. Suas preferências, suas tendências e vocações porque cada um de nós é uma individualidade e não formamos uma boiada que, sem vontade própria, é conduzida pelo tropeiro.


Construamos primeiro a paz dentro de nós. Aí teremos o que oferecer. Caso contrário, não seremos cristãos e tudo será apenas festa e demagogia.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pára e Pensa - Uma abordagem sobre suicídio.


Retiro do livro "Suicídio? Um doloroso engano" de Therezinha Oliveira o prefácio que é uma mensagem do espírito Scheilla pelo médium Clayton Levy que faz uma bela abordagem sobre suicídio, recomendo o livro a todos e transcrevo a mensagem na íntegra:


A um passo do ato desesperado, pára e pensa:
O suicídio não trará solução para o momento aflitivo que atravessas.
A precipitação é trampolim que arroja os incautos no abismo do remorso.
Dispões de outras opções para superar a situação-problema com a qual te deparaste.
Recorre à prece, a fim de te elevares acima das nuvens que te impedem de enxergar a realidade.
Procura alguém para aliviares o coração através da conversa amiga.
Tenta a leitura edificante.
Contas com o amparo invisível de teus mentores espirituais.
O conflito que vivencias agora, talvez seja um convite da vida para despetares.
Arrima-te na fé e segue adiante.
Hoje, talvez o desespero te cerque os pensamentos.
Amanhã, porém, a paz retornará, como resultado de teu trabalho no bem.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

BENDITOS


Um poema de machado de Assis em homenagem à amizade.


Benditos os que possuem amigos
os que os têm sem pedir
Porque amigo não se pede
Não se compra nem se vende
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos
os que falam com o olhar
Porque amigo não se cala
não questiona nem se rende
amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos
os que entregam o ombro pra chorar
Porque amigo sofre e chora
amigo não tem hora
pra consolar!

Benditos sejam todos os amigos
que acreditam na tua verdade
ou te apontam a realidade
Porque amigo é a direção
é a base, quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos
de raízes, verdadeiros
Porque amigos são herdeiros
de real sagacidade
Ter amigos é a maior cumplicidade!
Machado de Assis

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Convite à Probidade


Probidade significa honestidade, retidão de caráter.
O Livro o Céu e o inferno, que aborda como tema central a justiça divina, contém uma série de relatos de espíritos sobre suas situações após a morte.

Num desses relatos uma jovem conversa com o seu avô desencarnado o Sr. José Bré que se diz muito sofrido por não ter empregado corretamente seu tempo na Terra. Intrigada a jovem indaga:

“Mas o senhor não viveu sempre honestamente?
- Sim no juízo dos homens, mas há um abismo entre a honestidade perante os homens e a honestidade perante Deus. Aí entre vocês, é reputado honesto aquele que respeita as leis do seu país, respeito arbitrário para muitos. Honesto é aquele que não prejudica o seu próximo embora lhe arranque, muitas vezes, a felicidade e a honra visto que o código penal e a opinião pública não atingem o culpado hipócrita. Podendo gravar na pedra do túmulo um epitáfio de virtude, julgam muitos ter pagado sua dívida à humanidade. Erro! Não basta para ser honesto perante Deus ter respeitado a lei dos homens, preciso, antes de tudo, não haver transgredido as leis de Deus.”

Por esse testemunho podemos fazer uma clara distinção entre a honestidade perante os homens e a honestidade perante Deus.

Ser honesto perante os homens seria cumprirmos os nossos deveres frente ao nosso trabalho, à nossa família, à sociedade, pagarmos nossas dívidas, nossos impostos. Essa honestidade é importante? Sim, com certeza esse tipo de honestidade é extremamente importante para o nosso bem viver. O próprio Jesus ensinou que deveríamos ser honestos perante os homens quando, certa vez, pregava e alguns homens para testá-lo perguntaram-lhe se o povo deveria pagar os seus impostos. O Mestre pediu-lhe que lhe mostrasse uma moeda e perguntou-lhe qual a imagem que estava gravada na moeda. O homem respondeu-lhe que o rosto de César. O Mestre, então, em sua imensa sabedoria respondeu-lhes: - Deveis dar a César o que é de César.

Muitos de nós que vivemos neste planeta, nem este ensinamento ainda aprendemos, nem a honestidade perante os homens praticamos. Somos ótimos para julgar a honestidade alheia, mas no fundo não temos certeza de que no lugar deles agiríamos de maneira diferente. Muitos de nós ainda procuramos formas de burlar o sistema, ao qual não cabe nesse momento julgar se é certo ou errado, mas burlamos nossos impostos, fazemos gato na TV a cabo, na água, na luz, procuramos Sempre ganhar alguma coisa nas diversas situações, dizemos até que ‘o mundo é dos espertos’.

Quantos casos já vimos de pessoas que encontram grandes somas de dinheiro e que procuram devolver, e quantas vezes nos perguntamos se no lugar delas agiríamos da mesma forma.

Essa honestidade perante os homens nada mais é que nossa obrigação como cidadãos perante a sociedade. Mas não é o suficiente para ser honestos perante Deus. Para isso precisamos seguir as Leis de Deus. Leis estas que Jesus nos resumiu da seguinte forma: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Mas muitas vezes não conseguimos ainda amar a nós mesmos, não somo honestos conosco, ficamos minando-nos com maus pensamentos, ficamos nos enganando de que amanhã vamos começar a nossas reforma íntima. Deixamos para amanhã deixarmos de ser maldosos, maledicentes, deixamos para amanhã a caridade, o perdão que devemos pedir, a visita aos enfermos, deixamos para amanhã a saúde do corpo físico, o para de fumar, o começar a praticar um exercício. E assim vamos nos enganando.

E se não conseguimos ser honestos conosco como vamos ser com o próximo? Assim na nossa convivência com o próximo vamos enganando, iludindo, mentindo. E vamos deixando a nossa evolução de lado.

Somos ainda espíritos imperfeitos vivendo num mundo de provas e expiações, mas estamos eternamente em busca da evolução e devemos nos esforçarmos para isso.

Devemos ter em mente que colheremos o que plantarmos, estamos todos sujeitos à lei de causa e efeito. Se plantarmos hoje: mentiras, desonestidade, desamor sem dúvida alguma no futuro colheremos: mentiras, desonestidade e desamor.

Não devemos ficar nos culpando pelo que já fizemos e ficar olhando para trás com medo do futuro, mas devemos procurar fazer o bem hoje, viver o bem hoje. Jesus dizia a todos que a ele recorriam: - Vá e não peques mais! Ele estava nos ensinando que não devemos ficar nos recriminando, nos culpando, mas procurar acertar fazendo o bem.

Na questão 876 do Livro dos Espíritos há uma orientação dos espíritos de como agir com honestidade para com o próximo: “Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante, em dada circunstância, trate o homem de saber como quereria que com ele procedessem em circunstância idêntica. Guia mais seguro do que a própria consciência não lhe podia Deus haver dado.”

Para encerramos o nosso estudo uma pequena historinha para refletirmos:

“Um velho carpinteiro estava para se aposentar. Contou ao se chefe os planos de largar o serviço de carpintaria e de construção de casas para viver uma vida mais calma com sua família. Claro que sentiria falta do pagamento mensal, mas necessitava da aposentadoria. O dono da empresa sentiu em saber que perderia um de seus melhores empregados e pediu a ele que construísse uma ultima casa como um favor especial. O carpinteiro aceitou, mas, com o tempo, era fácil ver que seus pensamentos e seu coração não estavam no trabalho. Ele não se empenhou no serviço e utilizou mão-de-obra e matérias-primas de qualidade inferior. Foi uma maneira lamentável de encerrar sua carreira. Quando o carpinteiro terminou o trabalho, o construtor veio inspecionar a casa e entregou a chave ao carpinteiro: ‘Esta é a sua casa’, ele disse, ‘meu presente para você’. Que choque! Que vergonha! Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa teria feito completamente diferente, não teria sido tão relaxado. Agora iria morar numa casa feita de qualquer maneira. Todos estamos construindo a nossa casa, o nosso futuro, estamos utilizando o esforço adequado?”

domingo, 14 de fevereiro de 2010

CARNAVAL - 2



Estava lendo uma reportagem do jornal o Clarim e encontrei um trecho que se encaixa perfeitamente para essa época de carnaval. Segue o trecho na íntegra:

"O som da música estimulante, associada ao líquido que embriaga e, momentaneamente parece vivificar corpos abandonados pela alegria genuína de viver, reune nmas noites e madrugadas, jovens que buscam preencher o imenso vazio que, silenciosamente, vai-lhes consumindo esperanças e sonhos mais profundos. O engano somente é percebido quando de retorno a suas camas, ao deitar, cessa o ruído, apagam-se as luzes, desaparecem os amigos, dissolve-se o efeito do álcool, olha-se no espelho da própria consciência, na nudez do que realmente se é e não daquilo que se aparentou ser e pergunta-se qual o real sentido de sua existência. Dominados pelo pavor de um futuro que lhes acena sem grandes expectativas e segurança, fecham os olhos, entregando-se ao sono anestesiante de suas angústias, implorando que, na manhã seguinte, algum recurso mágico lhes devolva ou lhes proporcione a sensação de estar vivo e ser útil.

No fundo, ninguém ousa dizer da necessidade de amar e ser amado já que, mesmo o amor e a sensibilidade, estranhamente, e, sem que se confesse abertamente, tornaram-se sinônimo de fraqueza e perda de personalidade. A busca incessante por novas, maiores e contínuas emoções, lançou a juventude no centro de um círculo vicioso onde a impressão que set tem é a de estar-se em pavoroso labirinto, tateando na escuridão dos próprios desvios. Não conseguem refletir que o erro não está na intensidade ou dimensão de suas aventuras e sim no objetivo e retorno que se espera das mesmas. Tristemente, prefere-se ser mais um rosto maquiado de alegria, que se confunde na grande multidão que treataliza no palco das aparências, do que assegurar uma possibilidade real de realização e felicidade cijo preço é sustentar o rótulo desafiante de ser diferente e, consequentemente, fazer a diferença."





O clarim
Modernidade Líquida
Junho de 2006.