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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Convite ao Perdão


O perdão, segundo a doutrina espírita, impõe o esquecimento da falta. Seria assim como se olhássemos aquele que nos feriu sem nenhum pensamento oculto ou ressentimento no coração.

Muitas vezes dizemos que esquecemos e quando temos a oportunidade cutucamos a pessoa dizendo, certa vez me fizeste isso, aquilo.


Perdoar incondicionalmente é não fazer o outro passar por constrangimentos para que o perdoemos. Assim não existe perdão. È apenas o nosso orgulho, a satisfação do nosso ego com a humilhação do outro.


Quando alguém nos faz algum mal, temos duas alternativas: nutrir um sentimento que nos faz sentir mal, igualando-nos ao outro em vibração, ou compreendê-lo, do mesmo modo que temos necessidade de ser compreendidos.


Quem não perdoa o ofensor está mais vinculado a ele do que imagina. A invés de afastar-nos, o ressentimento ainda mais nos aproxima daqueles que nos ferem. E ainda nos liga aqueles nossos desafetos do passado que podem estar só esperando uma brecha nossa para se aproximar.


Quando alimentamos alguma discussão com outra pessoa, ficamos a remoer o que dissemos, o que ouvimos e o que poderíamos ter dito. Dormimos com essa pessoa, levantamos com essa pessoa, ficamos com essa pessoa no nosso pensamento como uma idéia fixa.


Negar o perdão é manter-nos preso à pessoa que nos fez mal e mantê-la presa a nós, sem receber a misericórdia da desculpa de nossa parte, tão necessitados que também somos da bondade e do perdão dos outros. Jesus nos ensinou a perdoarmos não sete, mas setenta vezes sete.
Não somente os bens materiais nos prendem à Terra quando desencarnamos. Os laços de ódio também nos arrastam para regiões de sofrimento. Por isso Jesus nos recomendou e está lá no ESE cap. X item 5 reconciliar-se com os adversários enquanto estamos a caminho com eles. Porque depois fica muito mais difícil. Teremos que voltar e certamente acertar o que ficou pra trás, quando esse desacerto que poderia ser algo muito fácil de resolver não se transforma em obsessão e aí nos traz ainda maiores transtornos e sofrimentos.


O perdão é para quem dá, não para quem recebe. Quem perdoa tira de si, de seu coração e de sua alma, qualquer sentimento negativo que envolva ódio, mágoa ou desejo de vingança. Quem perdoa, perdoa a si mesmo. A mágoa, os ressentimentos, todos os outros sentimentos negativos que acumulamos no nosso períspirito podem provocar doenças no nosso corpo físico, muitos pesquisadores revelam que esse tipo de sentimentos são os maiores desencadeadores de depressão e até de vários tipos de câncer.


É evidente que aquele que agrediu, e agora recebe o perdão, poderá sentir certo alívio diante da generosidade do outro. Mas isso não o isenta de responder pelos erros que cometeu. O perdão não elimina o gesto do agressor, ele certamente terá que passar pelo processo de reparação para sua evolução e aprendizagem.


Todos nós somos devedores da lei divina, fraudadores da lei, por isso temos a obrigação de nunca ‘atirar a primeira pedra’ e de jamais apontar o dedo acusador para o nosso próximo.


Perdoar o nosso inimigo e não apenas isso, amar o nosso inimigo não é ter por ele afeição. É não lhe desejar o mal; é, mesmo sem verbalizar, não ficar feliz se algo de ruim lhe acontece. Infelizmente, é o primeiro sentimento que nos acomete quando sabemos que o outro de alguma forma, teve prejuízo, dizemos aquela velha frase: ‘a justiça tarda, mas não falha’.


Se ainda não somos capazes desse perdão incondicional, e a grande maioria de nós, com certeza não somos, oremos a Deus pedindo forças para continuarmos tentando. Se ainda não conseguimos ter uma afeição natural de amor por algumas das almas que transitam conosco, lembremos o ensinamento que pede que ao menos não tenhamos ódio, nem rancor, nem desejo de vingança.


No livro Depressão: causas, conseqüências e tratamento Izaias Claro nos diz o seguinte: “Você poderá estar pensando que é muito difícil perdoar sempre. Eu sei que em muitas ocasiões não é nada tão simples ou tão fácil de conduzir-se, mas (...) faça empenho, esforce-se, até conseguir perdoar com naturalidade, com espontaneidade. (...) Considere que o agressor é alguém tão infeliz ou perturbado em si mesmo que não necessita de seu ódio.”


Na grande maioria das vezes nós queremos que as pessoas ajam da forma como nós desejamos que elas o façam, que elas nos amem da maneira que nós a amamos, que elas nos dêem a atenção que julgamos que merecemos, que elas sejam da forma como nós as idealizamos, e quando isso não acontece nós nos magoamos e culpamos as outras pessoas por não serem da forma como nós gostaríamos que elas fossem. O que temos que entender é que cada um tem o seu tempo de amadurecimento, temos que entender que aquele que nos agride age dessa forma porque não sabe agir de outra forma, ainda não aprendeu, ainda não está preparado. É muito mais digno da nossa piedade que do nosso ódio. Precisa da nossa compreensão.


Para finalizarmos o nosso estudo de hoje temos uma pequena historinha:
Um sábio caminhava à beira de um riacho, juntamente com seus discípulos, quando viu um escorpião que lutava desesperadamente entre as águas para fugir da morte. O sábio agachou-se e tomou o animal peçonhento em uma das mãos, salvando-o da morte certa. Assim que foi recolhido, o escorpião picou a mão que o salvara. Num ato reflexo causado pela dor, o sábio deixou que o agressor caísse denovo na água do riacho. Agachou-se outra vez e apanhou o animal que teria perecido não fosse esse gesto. Entretanto, assim que o escorpião percebeu a mão do seu salvador, desferiu-lhe outra picada.
Um dos discípulos que acompanhava a cena, perguntou espantado:
- Por que o senhor o salvou novamente se da primeira vez o escorpião já havia ferroado a sua mão?
- Porque – respondeu tranqüilo o sábio – é da natureza dele ferir e da minha índole salvar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Convite à Oração



“A oração é um plugue que conectamos à tomada divina onde haurimos forças necessárias para a nossa jornada.”
Após o Sermão da Montanha um dos discípulos perguntou à Jesus: - Senhor, por que orais tanto? Sempre quando terminadas as tarefas, por que buscais o silêncio e a oração? E Jesus esclareceu: A alma tem necessidade de oração, em maior dosagem que o corpo tem de pão. Orar é buscar Deus, penetrando nas mercês e haurindo resistência nos seus recursos divinos. O intercâmbio de forças com o Pai Criador restaura-as na criatura, e eu próprio nele encontro o reforço de sustentação para o messianato de amor em seu nome.

O Mestre sempre nos repetia: Orai e Vigiai. Orar párea sintonizarmos com as energias superiores e vigiar para que nossas fraquezas e os maus pensamentos não nos sintonizem com os nossos irmãozinhos ignorantes que podem nos influenciar negativamente.
O ensinamento da oração encontra-se em vários capítulos do ESE mas principalmente no cap. 27: “Pedi e Obtereis”.
Muitas pessoas se questionam do porquê devemos orar se Deus conhece as necessidades humanas e se as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador. As preces podem não nos desviar dos problemas, mas são um bálsamo para nossa alma enferma. Tem o dom de nos ligar com os nossos Benfeitores Espirituais, carregar as nossas baterias e nos dar forças para suportar nossas lutas e vencer os obstáculos.

No LE questão 359 os espíritos nos dizem que as principais funções da oração são louvar, pedir e agradecer. Podemos Louvar que é assumir uma postura humilde perante a grandeza de Deus, podemos pedir o que necessitamos e podemos agradecer por tudo o que ele nos oferece.

Podemos orar por diversos motivos. Podemos orar por nós mesmos. Mas alguns desses pedidos não são atendidos da forma como gostaríamos e então nos revoltamos dizendo que Deus nos abandonou, quantos de nós aqui já não pensou isso em algum momento? Na verdade nossas preces foram ouvidas sim e analisadas pelos Benfeitores Espirituais. Se eles não nos atendem é porque nosso pedido poderia nos afastar do progresso espiritual. O sofrimento é agente curador de nossa alma doente pelos abusos do passado e precisamos passar por isso.

Devemos atentar também ao fato de que muitas vezes nós não colaboramos com as nossas preces, se pedimos saúde devemos cuidar da nossa saúde.
Nós agimos com Deus como a criança que cai e arranha o joelho, se ela olha em volta e enxerga a mãe é aquele berreiro para que a mãe venha e lhe dê um beijinho e console dizendo que já passou, mas se ela olha em volta e não enxerga a mãe, ela levanta passa a mãozinha para limpar o machucado e segue brincando. È assim que Deus quer que ajamos. Ele nos envia ajuda sim, mas para que nós mesmos nos ajudemos. Está no evangelho ajuda-te e o céu te ajudará.
Na questão 660 do LE diz que aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons espíritos para assisti-lo.

Podemos orar por outros encarnados que sofrem, pois a oração feita com amor mesmo que a pessoa a quem ela se direciona não tenha merecimento ou condições de receber os beneficio, recebe alívio e força, bem-estar e calma. Mas beneficia também a quem ora, pois sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece flores. É caridade. È amor ao próximo.
Na questão 320 do LE Kardec pergunta: Os espíritos ficam sensibilizados ao lembrarem-se deles os que amaram sobre a Terra? Mais do que podeis crer; se são felizes essa lembrança aumenta-lhes a felicidade; se são infelizes, são para eles um alivio.
A prece pelos desencarnados pode não mudar os desígnios de Deus, mas lhes traz alívio e conforto ao receber a energia amorosa dos entes queridos. Podem se conscientizar de suas faltas e buscar o bem pelo arrependimento. Atrai os epsiritos superiores para esclarecê-los e consolá-los.

Mas não devemos fazer a eles orações ansiosas com rogativas desequilibradas, não sabemos qual a sua situação e podemos perturbá-los mais do que ajudá-los, devemos orar com serenidade, calma, amor.
“A prece é uma cápsula de amor ministrada àqueles que sofrem mais do que nós”.
Algo semelhante ocorre quando praticamos o Evangelho no Lar como nos explicou na semana passada a nossa amiga Erabetia do DAFA. Nós emitimos luz que se espalha pela nossa vizinhança criando ao redor do nosso lar, da nossa quadra uma camada protetora. Imaginem que bom seria se todos o praticassem.

Na nossa Casa Espírita temos uma reunião pública de pereces e irradiações que ocorre nas quartas às 16hs e nas quintas às 20hs onde oramos por todos e convidamos todos que aqui estão que venham orar conosco.

Muitas vezes nos perguntamos: Qual a maneira correta de orar?
No LE questão 660 os espíritos nos esclarecem que o importante não é orar muito, mas orar bem. Preces espontâneas que venham do coração são muito mais eficientes que preces decoradas. Também não é preciso uma posição especial pois quem ora é a mente.

Para finalizarmos e reforçarmos o convite que Joanna de Angelis nos faz à oração temos uma mensagem dela no livro Messe de Amor psicografia de Divaldo Franco:
“Busca o coração de Jesus – o solo sublime – atingindo-o com a enxada abençoada da tua prece. Movimenta os teus esforços, e as sementes do céu, através d´Ele, se transformarão, oferecendo-te o pão necessário para uma vida feliz em teu roteiro de lutas.
Ora e suporta dores; ora e aceita as correções necessárias; ora e busca haurir forças para continuar.
Orando, chegarás ao Senhor, que te deu, na prece, um meio seguro de comunicação com a infinita bondade de Deus, em cujo seio dessedentarás o espírito aflito.”

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Convite à Humildade


O que é humildade? “Virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações, modéstia, simplicidade.”

O ensinamento da humildade encontra-se no ESE cap. VII “Bem aventurados os pobres de espírito. Pobre de espírito não é ser ignorante e pobre de caráter, como é comum se dizer: “Coitado, é um pobre de espírito”, mas refere-se ao verdadeiramente humilde.

Ser pobre de espírito é considerar-se sempre um devedor. Tudo para quem é pobre em espírito é uma graça, uma dádiva. Nada lhe é demais. Nas coisas, nas amizades, no emprego, na beleza da natureza, no ser atendido em último lugar, na ajuda de um estranho, em tudo ele vê uma graça de Deus.

Já para o orgulhoso, o rico em espírito, tudo lhe é devido. As coisas, as amizades, os primeiros lugares, as honras, as prioridades. Se não podem ser atendidos como esperam que sejam, irritam-se, indignam-se, ofendem-se.

Jesus nos disse no cap. VII Bem aventurados os pobres de espírito que os humildes serão os maiores no reino dos céus. Devemos entender porém que o reino dos céus não é um lugar especifico, mas um estado de espírito, se grande no reino dos céus não significa uma posição de destaque em relação aos outros, um parâmetro para nos avaliarmos melhores ou maiores que o nosso próximo. Ser grande no reino dos céus é uma vitória íntima que significa a derrota de inimigos como: o orgulho, a vaidade, a inveja, o desdém e todos os sentimentos que nos fazem avaliar os outros com base em nós mesmos.

Em Lucas cap. XIV, 1 e 7 a 11 conta que Jesus entrou em dia de sábado na casa de um dos principais fariseus para aí fazer a sua refeição. Os que lá estavam o observaram – Então, notando que os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola dizendo: “Quando fores convidados para as bodas não tomeis o primeiro lugar, para que não suceda que vos havendo entre os convidados uma pessoa mais considerada do que vós, aquele que vos haja convidado venha a dizer-vos daí o vosso lugar a este, e vos vejais constrangidos a ocupar, cheios de vergonha, o último lugar. Quando fordes convidados, ide colocar-vos no último lugar, a fim de que, quando aquele que vos convidou chegar vos diga: meu amigo, venha mais para cima. Isso então será para vós um motivo de glória, diante de todos os que estiverem convosco à mesa; todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado.

A Doutrina Espírita, através da reencarnação mostra que tudo o que plantarmos nós colheremos, se nos elevarmos através do orgulho, se nos colocarmos acima dos outros, seremos rebaixados talvez nesta ainda ou numa próxima encarnação.
Se ao contrário nos posicionarmos de forma humilde perante a vida reduziremos nossos sofrimentos atuais e futuros.

Emmanuel no livro Ceifa de Luz psicografado por Chico Xavier nos diz que: “Em qualquer plano ou condições de existência, estamos subordinados à lei de renovação. À vista disso, sempre que nos vejamos inclinados à envaidecer-nos por alguma coisa, recordemos que nos achamos inelutavelmente ligados à Vida de Deus que, a beneficio de nossa própria vida, ainda hoje tudo pode rearticular, refundir, refazer ou modificar.”

Ou seja, devemos estar atentos aos nossos atos, gestos, pois estamos preparando hoje o nosso futuro, que só depende de nós, das nossas ações e das nossas reações, pois a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Algo ao qual devemos estar muito atentos é o orgulho e vaidade. Paixões que ainda são muito inerentes à nós pois no grau de evolução em que nos encontramos ainda não conseguimos vencê-las.

A vaidade e o orgulho se alimentam, principalmente, de elogios agradecimentos e comemorações. Quem de nós não gosta de receber elogios? De nos sentirmos valorizados? Dizemos até que isso nos massageia o ego. Mas devemos evitar ao máximo demonstrar a nossa vaidade, evitar transparecer o prazer que nos causa os elogios e as outras pessoas aos poucos deixaram de nos louvar as qualidades. Dessa forma estaremos reduzindo em nós o nosso ego, o nosso orgulho, a nossa vaidade.

Lógico que não devemos ser de maneira alguma deseducados, mas perante os elogios procuremos manter o rosto sereno, evitando responder com agradecimentos efusivos ou, contestações que, no fundo, só realçam o que foi dito demonstrando uma falsa humildade. Se formos elogiados, saibamos sorrir discretamente, fazer um gesto sutil que demonstre educação, simpatia, mas que não revele concordância com o que foi dito.

E quando pudermos auxiliar alguém e aceitemos o agradecimento sincero, que as nossas palavras e a expressão do nosso rosto não nos traiam demonstrando a nossa vaidade, que saibamos retrucar apenas: “Somos nós que agradecemos pela oportunidade de ser úteis.” Martelemos esse entendimento até que se fixe em nossa mente, pois ele reflete a mais pura verdade. Cada pessoa que necessita da nossa ajuda está, na realidade, nos ajudando, pois é auxiliando a quem necessita que resgatamos nossas dívidas.

O nosso convite é que sejamos humildes, mas lembrando que ser humilde não significa aceitar e compactuar com erros, pois Jesus é o nosso maior exemplo de humildade, mas ele também sabia ser enérgico quando era necessário.

Ser humilde é reconhecer as nossas próprias limitações buscando vencê-las. São Paulo na segunda carta aos coríntios, capítulo 12, versículo 10 diz: “Porque quando sou fraco, então é que sou forte.”A verdadeira força está em reconhecer as próprias fraquezas e combatê-las.

Ser humilde não é baixar a cabeça, estar sempre olhando para o chão, é manter a cabeça erguida, mas sem jamais olhar os outros de cima para baixo. É olhar nos olhos de todos com serenidade, sejam eles os poderosos ou os rejeitados do mundo e na medida do possível ajudá-los no caminho da evolução. É sentar ao lado de um irmão que precise de apoio na forma de um ouvido amigo, de um conselho ou apenas de um silencio em prece enviando vibrações de amor.

Que possamos no nosso dia-a-dia buscar modificar as nossas atitudes, e certamente venceremos o orgulho e a vaidade que ainda existe em cada um de nós, certamente isso não será amanhã, de uma hora para outra, mas com um pouco de boa vontade e muito esforço, certamente, um dia, não muito longe chegaremos lá.

Convite à Gratidão



Gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio.

É uma emoção que envolve um sentimento de dívida emotiva em direção de outra pessoa acompanhado por um desejo de agradecê-lo e retribuí-lo.

A Gratidão é um dos sentimentos que nós mais sabemos exigir dos outros, mas na maioria das vezes esquecemos de utilizá-lo. Quantas vezes nos queixamos que fulano é um ingrato, eu fiz tal coisa pra ele e não foi capaz de me dizer nem obrigado. Quantas vezes nos magoamos nos julgando vítimas da ingratidão.

Mas será que nós somos gratos? Será que sabemos ser gratos? Ou será que andamos atribulados demais que na maior parte das vezes nos esquecemos de dizer pelo menos um obrigado para aqueles que nos prestam pequenos favores ao longo do dia? Ah é que nós andamos rápido demais, não temos tempo para esses pequenos agradecimentos, não temos tempo, andamos atribulados demais, trabalhando demais, correndo demais, ocupados demais com nós mesmos para olhar para o outro e agradecer ou retribuir um gesto.

Quantas vezes nos mostramos gratos a Deus e aos nossos pais por estarmos aqui? Por mais uma oportunidade de encarnação para evoluirmos?

Quantas vezes nos lembramos de olhar para trás e sermos gratos aos nossos professores que com carinho e paciência nos ensinaram as primeiras letras, ou ensinam aos nossos filhos?

E aos nossos amigos de infância que nos auxiliaram nas nossas primeiras experiências, nos nossos primeiros passos fora do lar. Quantos deles tiveram papéis importantes em nossa vida e já não ficaram perdidos no nosso passado?

E aquelas críticas e reprimendas que recebemos de nossos pais e professores, aquele professor que nos dava uns puxões de orelha quando precisávamos e que muitas vezes pensávamos: “poxa! Esse cara pegou no meu pé!” e agora quando olhamos para trás percebemos o quanto isso nos ajudou fazendo retomar o caminho certo quando nos afastávamos dele.

Imagine o que seríamos hoje se não nos colocassem limites, pode ser que na época tenhamos nos melindrado, porém, mais amadurecidos nos damos conta que devemos ser gratos também pelas críticas, pois ajudaram a moldar os nossos valores.

Devemos ser gratos por cada ser humano que passa pela nossa vida, pois nos lega suas lições, seus conhecimentos, nos trazem experiência.

Devemos ser gratos aqueles que nos causaram dor. Os momentos de dor nos ensinam, nos auxiliam a resgatar nossos erros passados e a exercitar o perdão.

Quem não é grato por um favor é porque se julga merecedor de tal favor, entendendo que aquele que o prestou nada mais fez que a sua obrigação.

E quantas vezes não agimos dessa forma quando um pintor faz um serviço perfeito em nossa casa? Quando deitamos na cama tranqüilos, à noite, sabendo que há um vigia noturno zelando por nós? Ou quando saímos na rua e pisamos uma calçada limpa somos gratos a quem varreu? Bom aí dizemos que pagamos por esses serviços, mas mesmo assim deveríamos nos mostrar gratos à dedicação com que estas pessoas nos prestam esses serviços tão necessários ao nosso bem-estar.

E na Casa espírita? Sabemos ser gratos quando vamos a Casa Espírita a procura de auxilio e o recebemos? Retribuímos fazendo o bem ao nosso próximo, buscamos trabalhar auxiliando e nos comprometendo com o trabalho da casa, trabalho este que tanto nos beneficiou, ou simplesmente esquecemos do auxilio que recebemos quando os problemas se extinguem?

Ao longo do nosso dia quando nos sentimos bem e inspirados em nossos pensamentos e ações ou quando nos sentimos confortados em nossas crises emocionais, lembramos de agradecer aos nossos benfeitores espirituais pela paciência com que eles há séculos ou milênios nos guiam e orientam, sempre acreditando em nós mesmo quando nós mesmos não acreditamos mais?

Quando contemplamos a natureza somos gratos a Deus ou estamos sem tempo até para isso?

Quando acordamos todas as manhãs somo gratos a Deus por mais uma oportunidade de corrigir nossos erros e progredirmos?

Em Lucas Cap. XVII 11-19 “De caminho a Jerusalém, passava Jesus pela divisa entre a Samaria e a Galiléia. Ao entrar ele numa aldeia, saíram-lhe ao encontro 10 leprosos, que ficaram de longe, e levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós! Jesus logo que os viu disse-lhes: Ide mostrar-vos aos Sacerdotes. E no caminho ficaram limpos. Um deles, vendo-se curado, voltou dando glória a Deus em voz alta, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe, e este era samaritano. Perguntou Jesus: Não ficaram limpos os dez? Onde estão os outros nove? E disse ao homem: levanta-te e vai a tua fé te curou.”

Será que depois dessa reflexão temos o direito de exigir gratidão dos outros?

Kardec perguntou aos espíritos em ESSE Cap XII item 19: “que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com ingratos?
- Nesses há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem apenas para Receber demonstrações de reconhecimento é não o fazer com desinteresse, e o bem feito desinteressadamente é o único agradável à Deus.
Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais o serviços esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago.”

Jesus que nos conhece perfeitamente dedica tratamento diferenciado a cada um conforme o entendimento que cada um tem. Permaneçamos na semeadura, ma ssem exigência de fertilização, de gratidão, porque ela vai depender da terra que encontrar. Um dia todas serão férteis.

Segundo Joana de Angelis:
A pétala de rosa espalhando perfume ignora a emoção e a alegria que propicia.
Doa a tua expressão de reconhecimento junto aos que te foram frios e o teu amor aquece-los-á.

Doação de Órgãos


“Meu filho tem apenas 4 anos de idade e já faz hemodiálise durante 4 horas 3 vezes por semana. O pavor que ele tem pela máquina é tão grande que ele precisa ser amarrado durante a seção de hemodiálise, pois ele chega a arrancar as agulhas dos seus bracinhos. Para acabar o sofrimento do meu filho é preciso fazer um transplante de rim.”

Quando passamos por momentos de grande dor como a perda de entes queridos, parece que dor alguma no mundo pode ser maior que a nossa, é quase impossível pensar na dor do próximo.

Mas como espíritas sabemos que a vida não termina no túmulo, nosso ente querido continua vivo apenas mudou de dimensão e o corpo físico não lhe serve mais, mas pode servir para auxiliar ao próximo. Nós que pregamos tanto a caridade, por que nos negaríamos a um último ato de caridade? E quem sabe até o mais sublime deles que é o dar de si mesmo ao próximo?

Próximo este que sabemos pode ser mais próximo do que imaginamos, pois numa vida passada pode nos ter sido um filho, um irmão, um amigo muito querido.

Mas quando começamos a pensar no assunto é natural que surjam algumas dúvidas o tipo: haveriam conseqüências ruins para o espírito do doador? Poderíamos lesionar nosso perispirito ao doar nossos órgãos? Será que se doarmos nossas córneas chegaremos cegos no mundo espiritual?

Em primeiro lugar é preciso considerarmos que o corpo físico morto não transmite mais sensações ao perispirito, pois o cérebro que é o responsável por essa função já não está mais funcionando.

O nosso desligamento depende muito do nosso estilo de vida, dos nossos valores morais, do quanto estamos ligados à matéria. Se somos desmaterializados a separação do corpo físico é rápida, suave e nada sentiremos, mas se somos muito ligados à matéria pode ocorrer de sentirmos alguns reflexos sim.

Por isso existe a necessidade de estarmos preparados e conscientes ao tomarmos a decisão de doarmos os nossos órgãos, principalmente pensarmos que é um ato de amor ao próximo e de desapego à matéria.

Mas, afinal, a doação de órgãos causará problemas ao espírito do doador? Um pensamento como este seria, certamente, duvidar da bondade divina. A nobreza do ato mesmo quando realizado contra a vontade do doador ou quando este é muito materializado gera uma mobilização dos benfeitores espirituais que procurarão atender esse espírito amenizando e tratando as possíveis repercussões no perispírito através de adormecimento para recuperação e esclarecimento.

Além disso, o sentimento de gratidão e as preces das famílias e daqueles que receberam os órgãos são uma benção ao espírito do doador.

E o que nos dizem os livros da codificação sobre a doação de órgãos? Esse é um assunto muito novo e por isso não é tratado de forma ostensiva nos livros da codificação. Mas há alguns pontos que poderiam estar de alguma forma preparando a humanidade para o assunto desde aquela época:

No livro dos espíritos nas questões:
156 – Diz: “Há casos em que há sangue nas veias, mas não há vida”. Podendo já estar prevendo a descoberta da morte cerebral.
257 – Ensaio teórico sobre a sensação dos espíritos resumidamente diz que: “o perispirito só ouve e sente o que quer e ele pode se recompor, se refazer”.

No Livro dos médiuns Capitulo I item 3: o corpo não passa de um acessório do espírito, de um invólucro, uma veste, que ele deixa, quando usada. Por ocasião da morte despoja-se dele.

Com isso podemos concluir que a doutrina espírita nos mostra que o perispírito é independente do corpo físico após a morte, ele não sente o que ocorre ao corpo, porque é ele quem molda o corpo e não o contrário. O perispírito é completo, inteiro, mesmo que o corpo físico seja desmembrado.

E as conseqüências positivas para o espírito do doador? São muitas, para mostrar isso e para encerrar nossa exposição trouxemos um pequeno trecho de uma psicografia de Chico Xavier, trata-se de uma carta de um suicida dirigida a sua mãe que autorizou a doação de todos os seus órgãos:

“Mãe! Sei que entrei num pesadelo em que via meu próprio sangue rolar do peito como se aquele filete rubro não tivesse recursos de terminar.
O suicida é um detento sem grades.
Graças a Deus melhorei da hemorragia incessante que me enlouquecia. Depois de algumas semanas de aflição, um médico apareceu com a boa nova.
Ele me disse que as preces de uma pessoa que se beneficiara com a córnea que doei se haviam transformado para mim num pequeno tampão que colocado sobre o meu peito no lugar onde o projétil atingiu, fez cessar o fluxo do sangue imediatamente. Eu, mãe, que nunca fiz o bem aos outros, que me omiti sempre na hora de servir, compreendi que o bem, mesmo feito involuntariamente é capaz de revigorar-nos as forçar da existência”.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Prece


EU SOU TEU IRMÃO

Vem, me dê a mão e caminha comigo... Tenho muito para te falar e muito para te ouvir. Se quiseres, eu te darei meu braço como amparo certo, sem perguntar nada, caminhando ao teu lado apenas, para que saibas que não caminhas só...Mas se for pouco, dou-te meu peito para refúgio das lágrimas no momento da tua dor; dou-te meu olhar como porto seguro na hora de tua tormenta; dou-te meu sorriso como alento para quando te fugir toda a coragem; dou-te minha amizade perene sem retirá-la de ti pelo motivo que seja; dou-te meu amor incondicional; dou-te minha própria vida, se quiseres!...Mas preciso é que venhas, que caminhes ao meu lado...Vem... Eu sei silenciar para que me fales sem medo de todos os teus medos; posso esquecer de mim para que teu coração se abra qual luz represada e espante de si os fantasmas da noite, revelando toda a grandeza de que se constitui!... Conte-me de todos os teus dias sem mim, para que eu possa apagar a tristeza que ainda há neles e falar de todo o seu esplendor oculto.
Apoie-se em meu coração e não deixe que sombra alguma do passado empane o brilho de teu olhar, de ora em diante, porque agora seguirei contigo e serei teu guia, tua proteção...Caminha comigo e teus inimigos não mais farão de tua vida pasto de induções infelizes, obrigando-te a tropeçar e a cair perante ti mesmo; me dê a mão e veja o novo amanhecer despontando em teu horizonte, dentro do qual sorrirás e brindarás a ti mesmo, vitorioso sobre as misérias do mundo!Se quiseres, nunca mais a dúvida te fará menor, nunca mais o dia cairá sobre teus sonhos e nem a noite engolirá tuas esperanças... Se me deres a mão, agora, farei de ti um vencedor.Vem, conte comigo. Eu sou Jesus, teu irmão!...
Assim seja!
André Luiz, IDEAL André,

domingo, 5 de outubro de 2008

Mensagens da Semana

“Fazemos uma idéia da morte muito diferente da realidade. Imaginamos que, depois de mortos, tudo se modifica e nos tornamos completamente livres dos apelos físicos. Puro engano. Saímos do corpo, mas continuamos os mesmos. As paixões, os vícios, os anseios, os problemas, são característicos do nosso espírito. A carne é apenas um instrumento adequado para nossa atuação no mundo. É como uma roupa adequada que nos materializa na Terra durante certo tempo e que, ao nos despojarmos dela, impede de sermos vistos e participarmos da sociedade terrena. Quanto ao resto, continua igual. (Espinhos do Tempo).”

“A morte é uma escolha. De um jeito ou de outro cada um escolhe o momento de ir. Embora não seja consciente, o livre-arbítrio é sempre respeitado. (Tudo Valeu a Pena).”

“A separação é temporária, o reencontro sempre ocorre entre seres que verdadeiramente se amam. (O Clarim nov/2006 p. 2).”

“A morte é o retorno à casa paterna, nosso mundo de origem. Morrer não é ponto final como sempre nos disseram. (O Clarim nov/2006 p. 5).”

“A morte é a libertação ao final de cada importante viagem. (O Clarim nov/2006 p. 5).”

“A morte apenas liberta a alma do corpo. Cabe ao espírito promover o próprio progresso. Não há saltos. O esforço deverá partir de si mesmo. (O Clarim nov/2005 p. 5).”

“A morte não me livra das conseqüências de minhas ações. Sou livre nas escolhas e escravo nas conseqüências. (RIE dez/2006 p. 577).”

“É comum, durante as reuniões mediúnicas, manifestação de entidades ligadas aos seus restos mortais, e que não os reconhecem; que assistem o velório e sepultamento de seu corpo sem aceitar sua condição de desencarnados. Porém as entidades que aceitam sua condição de mortos, dizem-se aliviadas e fortalecidas pelos circunstantes que oram por elas e sofrem com aqueles que têm pensamentos fúteis ou desequilibrados durante seu velório. (RIE dez/2006 p. 593).”